Hurb se livra de mais de 260 processos porque a Justiça não encontra bens para penhora

Contas bancárias estão zeradas e bens encontrados em nome da empresa e dos sócios são insuficientes para ressarcir os clientes

O juiz de Direito José Guilherme Vasi Werner, do 2º JEC da Barra da Tijuca/RJ, determinou a extinção de mais de 400 processos movidos contra a Hurb, nome atual da empresa Hotel Urbano, sob a justificativa de que a empresa não tem bens penhoráveis ou saldo em contas bancárias para indenizar os 17.440 clientes lesados em 2023.

Segundo o juiz, foram realizadas diversas tentativas de execução para indenizar os lesados pela companhia, a partir da tentativa, inclusive de penhora de saldos em conta e busca de veículos. No entanto, as contas estavam zeradas e não há bens suficientes para ressarcir os consumidores prejudicados. 

Werner afirmou ainda que “todas as medidas possíveis de busca de bens para satisfazer o crédito dos autores neste e em outros processos foram esgotadas”. 

A Justiça tentou, inclusive, desconsiderar a personalidade jurídica da empresa, para que os bens dos sócios pudessem servir de reparação aos clientes da empresa. Mais uma vez, não foram encontrados bens de valor que pudessem ser penhorados. 

“Esgotamento de todas as medidas possíveis de busca por bens para satisfação do crédito dos autores neste e nos demais processos referidos. Ineficácia e desperdício de esforço processual na repetição de todas as tentativas de constrição de bens da devedora Hurb, de seus sócios e empresas coligadas em cada um dos processos em que há créditos a receber da Hurb, como este.”

Os consumidores vão receber uma certidão de crédito. 

Consulte os processos extintos:

Entenda o caso

Em maio de 2023, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) suspendeu a venda de pacotes com datas flexíveis comercializados pela Hurb, por conta de irregularidades cometidas pela companhia. 

Desde 2022, o órgão de defesa do consumidor passou a receber relatos de clientes que tiveram suas viagens canceladas sem aviso prévio, além de atraso no pagamento dos hotéis e falta de assistência durante a viagem. 

A Senacon, então, suspendeu as atividades da empresa até que a Hurb apresentasse um plano concreto para resolver as pendências relacionadas aos contratos em vigor e comprovar que as falhas foram corrigidas. 

Na última terça-feira (4), a Justiça do Rio de Janeiro chegou a determinar que a Hurb reembolsasse todos os clientes lesados em até 48 horas, sob multa de 10 mil para cada infração. 

Ameaças

Como se não bastassem as mais de 17 mil ações de clientes que compraram um pacote de viagem, mas não o receberam, o dono e fundador da Hurb, João Ricardo Mendes, deve responder ainda por ameaça de agressão física, injúria racial, humilhação e calúnia contra um ex-funcionário.

O caso foi registrado na Polícia Civil do Rio de Janeiro. “Tu vai ficar sem dente, brother, porque o que eu vi é que você é mau caráter, cuzão e fofoqueiro”, disse o empresário.

*Com informações de Migalhas e IG.

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3 Comentários

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  1. Camila Bezerra
    Precisamos aumentar essa informação.

    Olá, Gostaria de entender um assunto que sou bastante leigo, mas me chamou atenção, processei a HURB e agora provavelmente vou ganhar uma certidão de crédito, ou seja, gastei meu tempo atoa, meu dinheiro atoa. Mas a minha indignação e também um APELO é por que a HURB continua atuando? Por que ela ainda tem possibilidade de vender ? Por que mesmo sabendo que o consumidor está sendo LESADO e mesmo na justiça a EMPRESA não honra compromisso, como ela está fazendo a venda e criando mais consumidor lesado ? Queria uma ajuda, por que é um absurdo e o sentimento de impotência é maior ainda. .Viagens são sonhos, que estão sendo destruídos por essa empresa.

  2. Como ninguém mais perde a liberdade e nem é escravizado por dívidas, dever só assusta o pobre, que nada tem além do bom nome para perder. Assim, deve e não paga, quem some com o dinheiro alheio, comete crime que só não compensa para a vítima.

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