6 de junho de 2026

Krugman e os delírios de grandeza de Donald Trump

Citando caso brasileiro, Nobel da Economia reitera que presidente norte-americano dá “lição involuntária” sobre limites do poder dos EUA
Paul Krugman, economista vencedor do Nobel de Economia em 2008 - Foto: Official White House Photo by Adam Schultz

Donald Trump acreditar estar “vencendo sua guerra comercial” ao impor tarifas à exportação de diversos países, mas isso não significa que os mercados afetados estão fazendo concessões expressivas.

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Como explica o Nobel da Economia Paul Krugman, isso acontece simplesmente pela falta de força de Trump nas negociações: por mais que o mercado norte-americano seja grande, negar o acesso a esses consumidores não chega a comprometer os exportadores como se acredita.

“Quem imagina que os EUA podem usar a ameaça de tarifas para forçar grandes mudanças políticas no exterior está sofrendo de delírios de grandeza”, disse Krugman em artigo enviado em newsletter nesta sexta-feira (01/08).

Citando o Brasil como exemplo, Krugman explica que as ações de Trump contra o país são “excepcionais” mesmo dentro do contexto – a começar pelas tarifas de 50% e as exigências apresentadas, que são diferentes ante outros mercados.

“Trump vinculou explicitamente as tarifas à ousadia do país em julgar Jair Bolsonaro, o ex-presidente, por tentar reverter uma eleição que perdeu”, pontua, lembrando ser “completamente ilegal” que um presidente dos EUA use tarifas para tentar influenciar a política interna de um país.

“Escancarado”

Krugman ressalta que todas as práticas adotadas por Trump em termos de comércio são ilegais, mas que o que está sendo feito no Brasil é “escancarado” – mas também destaca “a diferença entre o poder que Trump aparentemente acha que tem e a realidade”.

“Trump e seus assessores realmente acham que podem usar tarifas para intimidar um país com mais de 200 milhões de habitantes a abandonar seus esforços de defesa da democracia, quando 88% das exportações brasileiras vão para países que não são os Estados Unidos?”, diz o economista.

O articulista também faz referência à isenção tributária do suco de laranja fresco (90% do qual é importado do Brasil), em uma admissão implícita de os EUA precisam dos produtos vendidos pelo Brasil e que são os consumidores quem pagam as tarifas, e não os exportadores.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    3 de agosto de 2025 5:41 am

    Caso o Fed reduza a taxa de juros, haverá elevação exponencial do nível de endividamento das empresas e famílias, elevando proporcionalmente a inadimplência. O problema nao é monetário, é tarifário

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