Motoristas de aplicativos fazem greve por melhores condições de trabalho

Paralisação nacional tem como objetivo garantir maiores repasses das tarifas, além de seguro de vida e de saúde.

Crédito: Tero Vesalainen/Shutterstock

A Federação dos Motoristas Por Aplicativos do Brasil (Fembrapp) e da Associação de Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp) convocaram uma greve nesta segunda-feira (15), para que os motoristas de aplicativos recebam repasses maiores sobre as tarifas cobradas pelos serviços e conquistem melhores condições de trabalho.

De acordo com Eduardo Lima de Souza, presidente da Amasp, os trabalhadores recebem o mesmo valor das corridas desde 2016. Neste mesmo período, no entanto, a manutenção do veículo e gasto com combustível ficaram progressivamente mais altos.

Os motoristas reivindicam também avanços no sistema de cobrança praticados pelos intermediários. “Antes, você saía da sua casa para ir para o seu trabalho, por exemplo, você sabia que esse valor informado seria o mesmo que você pagaria. Atualmente não é isso mais, e com isso a taxa cobrada dos motoristas também está sofrendo essa variação. As empresas reajustaram os valores das tarifas para os passageiros, mas não repassaram para os motoristas, fazendo com que o valor de uma corrida chegue até 60% de desconto de taxa”, explicou Souza.

Paralisação

Programada para durar 24 horas, a paralisação teve abrangência nacional e deveria contar com a adesão de dois milhões de trabalhadores, de acordo com a expectativa inicial da organização.

As associações pedem ainda que os trabalhadores contem com seguro saúde e seguro de vida, além da inserção de cobrança adicional para as paradas solicitadas pelo passageiro durante a corrida.

As redes sociais foram bombardeadas de reclamações de usuários na manhã desta segunda. Enquanto a passageira @solarxme reclamou ter de pagar R$ 35 em uma corrida por conta da paralisação, a @pistolidi compartilhou que não sabia da greve e, por isso, perdeu o exame.

No entanto, a adesão dos motoristas não foi alta em todo território nacional. Enquanto em São Paulo, onde a paralisação foi maior, os passageiros do Aeroporto de Guarulhos relataram dificuldade de encontrar corridas e se depararam com tarifas 50% mais caras, em Belo Horizonte as tarifas e o tempo de espera por um motorista permaneceram os mesmos.

Respostas

Por meio de nota, a 99 informou que mantém canais de diálogo e programas de apoio ao motorista. “Ouvindo e conversando com cerca de 2 mil motoristas todos os meses, a 99 adotou soluções permanentes para incrementar os ganhos no app: foi a primeira plataforma a oferecer a taxa garantida, que assegura aos condutores a taxa máxima semanal de até 19,99%.”

Já a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) informou que “respeita o direito de manifestação e informa que as empresas associadas mantêm abertos seus canais de comunicação com os motoristas parceiros, reafirmando a disposição para o diálogo contínuo, de forma a aprimorar a experiência de todos nas plataformas”.

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Camila Bezerra

Jornalista

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