13 de junho de 2026

Mulheres negras são maioria no mercado do cuidado, diz Ipea

Estudo do Ipea destaca diferenças na escolaridade e desigualdades sobre a subutilização da força de trabalho de mulheres negras
Foto de Tima Miroshnichenko via pexels.com

As mulheres negras representam 69,9% das pessoas que declaram realizar trabalho doméstico e/ou de cuidados remunerados no Brasil, segundo pesquisa realizada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR), com 1.196 participantes. Do total de respondentes, 93,9% eram mulheres e 6,1% homens.

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A pesquisa destaca que 79,6% das cuidadoras atuam em domicílios familiares, evidenciando a responsabilidade das famílias no cuidado de pessoas dependentes.

Outro ponto evidente no estudo engloba a diferença da escolaridade das trabalhadoras como ponto de desigualdade: 52,4% das trabalhadoras domésticas negras não concluíram o ensino médio, contra 42,9% das não-negras.

Subutilização de mão de obra

Apenas no primeiro trimestre de 2021, por conta da crise causada pela pandemia de covid-19, 42,8% das mulheres negras estavam em condição de subutilização na força de trabalho, contra 29,1% das mulheres brancas.

O levantamento do Ipea a respeito do tema mostra ainda que, no segundo trimestre de 2024, as mulheres negras também passam por desafios específicos dentro da subutilização da força de trabalho – o que inclui subocupação, desocupação e desalento.

As mulheres negras são afetadas de forma mais intensa pela subocupação por insuficiência de horas (trabalham menos de 40 horas semanais e gostariam de trabalhar mais) e pelo desalento (gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar uma ocupação).

De acordo com o Ipea, a subocupação por insuficiência de horas atinge 7,3% das mulheres negras, entre as brancas o percentual é de 4,4%. Além disso, as mulheres negras subocupadas representam 72% do total de desocupadas (pessoas que estão sem trabalho, mas estão à procura de uma nova ocupação), enquanto essa proporção entre as brancas é de 66%.

O desalento também atinge as mulheres negras de forma mais intensa, com 4,6% delas nessa condição, contra 2,1% das brancas e 2,8% dos homens negros.

Em relação ao total de desocupadas, as mulheres negras desalentadas representam 45%, enquanto entre as brancas o percentual é de 32%. Para os homens negros, o desalento corresponde a 43% dos desocupados.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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