O equilíbrio dos interesses de curto prazo dos acionistas minoritários e da sustentabilidade financeira e operacional no longo é um dos diversos desafios que a nova gestão da Petrobras, sob o comando da presidente Magda Chambriard, terá de enfrentar.
“A gestão de Jean Paul Prates trouxe avanços significativos na reorientação da companhia, mas sua gestão seguiu constrangida pela preservação da rentabilidade de curto prazo e não foi suficiente para restaurar o papel estratégico que a Petrobras deve desempenhar no desenvolvimento do Brasil”, diz o Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
Veja os pontos listados pelo Ineep que poderiam ser acompanhados pela nova gestão da estatal de forma prioritária:
- Retomar uma política de recuperação das reservas a longo prazo, explorando novas fronteiras como a Margem Equatorial e outras áreas onshore no nordeste brasileiro e bacias offshore de Pelotas e Margem Leste;
- Expandir a capacidade e eficiência do parque de refino nacional para reduzir a dependência da importação de derivados e a exposição à volatilidade internacional dos preços, incluindo, no médio prazo, a estruturação para produção de combustíveis sintéticos;
- Ampliar a infraestrutura de escoamento de gás natural no país, fundamental para a descarbonização do parque industrial brasileiro;
- Retomar uma política industrial ativa de conteúdo local, dinamizando setores estratégicos da cadeia de óleo e gás, como a indústria naval e logística;
- Definir uma estratégia ambiciosa e transparente para a Petrobras na promoção da descarbonização da matriz energética nacional e na transição energética, investindo em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono, levando em conta as potencialidades brasileiras e a busca do desenvolvimento nacional e regional.
O Ineep destaca que as empresas públicas precisam ser “centrais” dentro do projeto de neoindustrialização do país, transformando o atual quadro climático global “em uma oportunidade para gerar empregos de qualidade no país”.
“É essencial que a Petrobras retome seu caráter público, avance na integração vertical e seja um agente da transição energética justa no país, valorizando as forças produtivas nacionais e promovendo um projeto de desenvolvimento nacional soberano nas áreas industrial, tecnológica e energética”, destaca a instituição.
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