A Petrobras informou nesta segunda-feira (1º) que reduzirá em 14,2% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras a partir deste mês. A queda corresponde a R$ 0,93 por litro em relação ao mês anterior.
A redução interrompe uma sequência de altas que vinha se acumulando desde março. Segundo a estatal, o movimento reflete o arrefecimento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que nos últimos meses haviam pressionado as cotações internacionais do petróleo.
O cenário de conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã alimentou o temor de interrupções no fornecimento global da commodity, especialmente pelo risco de fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo. Como o QAV acompanha as oscilações do mercado internacional, os custos do setor aéreo subiram na esteira dessas turbulências.
Companhias aéreas
O alívio no preço do combustível pode contribuir para conter reajustes nas passagens. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o querosene passou a representar cerca de 45% dos custos operacionais das aéreas após os sucessivos aumentos dos últimos meses.
Ainda assim, o cenário segue desafiador: apesar da queda de junho, o QAV acumula alta de 54,5% em 2026 e está R$ 1,98 por litro mais caro do que em dezembro do ano passado.
Na semana passada, o governo federal estendeu até 31 de julho a isenção de impostos sobre a venda e a importação do querosene de aviação e do biodiesel. O benefício, que expiraria em 31 de maio, integra um pacote de medidas anunciado em abril para amortecer os efeitos da alta do petróleo sobre os combustíveis no Brasil.
O conjunto de ações, estimado em R$ 30,5 bilhões pelo ministro do Planejamento, Bruno Moretti, inclui subsídios ao diesel, ao gás de cozinha (GLP) e ao próprio QAV, além de linhas de crédito para o setor aéreo. O governo afirma que os gastos serão compensados por outras receitas, como arrecadação sobre o diesel e royalties do petróleo, sem impacto nas contas públicas.
Como parte do pacote, o Ministério da Fazenda definiu no último sábado (31) uma subvenção de R$ 351,50 por metro cúbico de diesel, equivalente a R$ 0,35 por litro, válida por dois meses com possibilidade de prorrogação.
Vale lembrar que, embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, seus preços seguem as referências internacionais do petróleo, o que explica por que a escalada da commodity afetou o setor aéreo brasileiro mesmo sem dependência direta de importações.
*Com informações do g1.
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