4 de junho de 2026

Desemprego cai a 5,4% e atinge menor nível desde 2012, diz IBGE

Após choques de 2017 e 2020, o mercado de trabalho atinge novo recorde positivo; veja a lenta e complexa recuperação pós-pandemia
Foto: Marcello Casal Jr/ABr

– Taxa de desocupação no Brasil atinge 5,4% em outubro de 2013, a mais baixa desde 2012, indicando recuperação do mercado de trabalho.

– Entre 2015 e 2017, desemprego atinge 12,7%, refletindo recessão econômica e aumento da insegurança no emprego.

– Em 2025, desocupação recua para 5,6%, menor nível desde 2012, com recorde de formalização e crescimento da ocupação e rendimentos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

No trimestre móvel encerrado em outubro de 2013, a IBGE divulgou que a taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,4%, e a taxa composta de subutilização alcançou 13,9% — números até então recordes desde o início da série da PNAD Contínua, iniciada em 2012.

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Mas esses indicadores não surgiram da noite para o dia. A história recente mostra altos e baixos — e revela bem as fragilidades e recuperações do mercado de trabalho brasileiro. Veja o panorama completo:

Panorama histórico: da esperança de 2012–2014 ao choque da pandemia e a retomada recente

Início da série (2012–2014): início promissor

  • Em 2012, o primeiro ano da PNAD Contínua, a taxa média de desocupação nacional foi de 7,4%.
  • Já em 2014, o desemprego havia caído para 6,8%, o menor nível anual da série até então.
  • Esses resultados refletiam um momento de melhora na economia nacional, com geração de emprego relativamente robusta e maior formalização.

De 2015 a 2017: deterioração e recessão

  • Após 2014, o Brasil entrou em um período mais turbulento: o contingente de desempregados praticamente dobrou entre 2014 e 2017.
  • Em 2017, a taxa de desocupação atingiu 12,7%, o maior patamar da série até então, e o nível de ocupação recuou consideravelmente.
  • Esse agravamento reflete o impacto da recessão econômica, com retração de investimentos, consumo e maior insegurança no emprego.

2018–2019: leve recuperação (mas instável)

  • Após o auge da crise, nos anos seguintes houve alguma recuperação da ocupação e emprego — embora com instabilidades e segue sendo um mercado fragilizado.
  • Entretanto, a retomada ainda era tímida diante das dimensões da crise anterior.

2020: choque da pandemia e retração abrupta

  • Com a pandemia da Covid-19, o mercado de trabalho sofreu um baque: em 2020, a taxa de desocupação anual alcançou 13,5%, a maior da série.
  • O nível de ocupação despencou, e o país voltou a conviver com uma massa significativa de desempregados e subutilizados.

2021–2023: lenta recuperação, informalidade persistente

  • Nos anos seguintes à crise sanitária, houve recuperação gradual, mas com muitos empregos informais, subocupação e insegurança. Dados completos variavam bastante conforme o trimestre — o mercado não recuperou homogeneamente.
  • A subutilização da força de trabalho continuou sendo uma preocupação: muitos trabalhadores aceitando jornadas reduzidas ou ocupações informais.

2024–2025: nova onda de retração da desocupação — e recordes positivos

  • Em 2024, a média anual da desocupação atingiu o menor nível desde 2012.
  • Para o trimestre móvel encerrado em setembro de 2025, a taxa voltou a recuar para 5,6%, repetindo os menores níveis da série.
  • Ao mesmo tempo, o número de ocupados com carteira assinada no setor privado bateu recordes históricos: por exemplo, 39,8 milhões de trabalhadores formalizados no primeiro semestre de 2025.
  • A massa de rendimento real e o número de ocupados também cresceram, reforçando a percepção de recuperação sustentada.

O que os dados significam para o mercado de trabalho e para a população

✅ Sinais positivos

  • A retomada da formalização do emprego (carteira assinada) sugere mais segurança e melhores direitos trabalhistas para milhões de trabalhadores — um contrapeso importante à informalidade dos anos pós-crise.
  • A queda da desocupação para patamares próximos aos de 2013–2014 mostra que o mercado voltou a absorver trabalhadores, o que impulsiona o consumo, a confiança e a atividade econômica.
  • O aumento da massa de rendimentos e da ocupação total reforça que não se trata apenas de mais pessoas trabalhando, e sim de trabalho com maior estabilidade e, potencialmente, melhor remuneração.

⚠️ Limites e alertas — nem tudo é “recuperação plena”

  • Apesar da melhora, o histórico mostra que o mercado de trabalho no Brasil permanece vulnerável a choques estruturais e crises — como a de 2015–2017 e a da pandemia. Isso revela fragilidade macroeconômica e dependência de conjunturas.
  • A subutilização da força de trabalho ainda é relevante em muitos períodos — ou seja: parte dos ocupados pode estar em condições precárias (jornadas reduzidas, informalidade, subemprego). Mesmo com taxas de desemprego baixas, muitos trabalhadores podem estar subempregados ou em empregos instáveis.
  • A recuperação não é homogênea: as taxas variam bastante conforme período do ano, setor econômico, tipo de ocupação e perfil do trabalhador, o que impõe cautela na leitura dos dados.

Por que é relevante revisitar 2013 — e o valor da base histórica

A matéria de 2013 (taxa de 5,4%) ganha nova dimensão quando vista com os olhos de 2025. Naquele momento, o Brasil ainda não conhecia a recessão de 2015–2016, nem a crise da pandemia. Tratava-se de um cenário relativamente favorável.

Trazer essa comparação reafirma que:

  • Há momentos em que o mercado de trabalho consegue voltar a patamares de “pleno emprego”, ou pelo menos de desemprego controlado.
  • Mas a vulnerabilidade estrutural permanece: crises econômicas ou de saúde podem reverter ganhos rapidamente.
  • A formalização e a qualidade dos empregos — nem sempre captadas só pela taxa de desemprego — são tão (ou mais) importantes que o simples número da desocupação.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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