Bolsonaro: “Eu chegando lá, nós quebraríamos o sistema”

Jornal GGN – Na primeira entrevista a um meio de comunicação, no hospital, após o atentado em Minas Gerais, o candidato do PSL Jair Bolsonaro disse à reportagem da Jovem Pan que a Polícia Federal está tentando “abafar” a investigação contra o autor do esfaqueamento, Adélio Oliveira. E, segundo o presidenciável, uma parte da imprensa estaria ajudando a “acalmar” a história. “Porque o que está em jogo é o poder. Eu chegando lá, nós quebraríamos o sistema.”

Na visão do presidenciável, foi um “atentado político” e o responsável não agiu sozinho. Bolsonaro disse que leu depoimento prestado ao delegado da PF e soube que a Polícia Civil de Juiz de Fora está com o inquérito “avançado”, e deu a entender que haveria ligação entre Oliveira e um político.

“Foi um atentado político, sem a menor dúvida. Porque me tirando de combate, os outros três ou quatro (candidatos) estão parecidos (nas pesquisas)”, disse Bolsonaro.

“Eu ouvi dizer, não tenho certeza ainda, que a Polícia Civil de Juiz de Fora de Fora está bem mais avançada que a PF. O depoimento que eu vi do delegado da PF que está conduzindo o caso, realmente é um depoimento para abafar o caso. Eu lamento o que ouvi. Dá a entender que age, em parte, como defesa do criminoso. Isso não pode acontecer”, criticou. “Eu não quero que inventem um responsável. Que falem que é tal partido, tal não sei o que. Não, não. Dá para apurar o caso.”
 
Segundo Bolsonaro, há uma “passagem falsa” de Oliveira “pela Câmara [dos Deputados], no dia 6 de setembro”. O autor da facada teria entrado no espaço para conversar com um parlamentar, possivelmente sem se identificar na recepção. O presidenciável não deixou claro se falava da Assembleia de Minas.
 
CRESCIMENTO
 
Na entrevista, Bolsonaro indicou que estava “abusando” da sorte andando em meio a multidões. “Eu falava para os seguranças do meu lado que essa possibilidade [de sofrer um atentado] ia aumentar a partir do momento em que minha popularidade ia crescendo. Por que eu tô crescendo da onde? Qual 
o tamanho do meu partido? Qual o nosso fundo partidário?”, questionou, sinalizando surpresa com o próprio desempenho nas pesquisas.
 
Ele ainda disse que, se fosse presidente, um agressor como o seu não seria condenado por tentativa de homicídio, mas por “homicídio em si”, como se tivesse cumprido sua “missão”. 
 
“Vamos mudar isso no futuro e, mais ainda, acabar com progressão de pena. Não ficar dando ouvido a entidade de direitos humanos se o presidiário estiver em péssimas condições. Quem estaria em péssimas condições é minha família, se eu tivesse morrido.”
 
Para Bolsonaro, “o ser humano só respeita o que ele tema. Se cometer crime, a punição é quase inexistente, há um estímulo para você ser criminoso.”
 
“SE DERAM MAL”
 
O filho de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, deputado no Rio, também participou da entrevista com um relato emocionado do momento em que descobriu que o pai foi vítima de uma facada durante a campanha em Juiz de Fora, no dia 7 de setembro. Segundo Flávio, no momento em que ele encontrou o pai no hospital, a primeira coisa que ouviu foi ele dizer: “Se deram mal, estou vivo.”
 
“O cara num sofrimento desse não pensa na saúde dele, pensa no que ele representa”, disse o Bolsonaro filho.
 
RISCO À DEMOCRACIA  E ECONOMIA
 
Questionado sobre as críticas no sentido de que faria um governo tirano, contra princípios democráticos, Bolsonaro respondeu: “Esses caras que dizem que eu sou um risco à democracia, na verdade eu sou um risco ao esquema deles.”
 
Ele prometeu acabar com indicações políticas para cargos em estatais, privatizar “muitas” empresas públicas e lançar uma base econômica que permita à União “arrecadar menos”. A ideia é que o brasileiro que recebe até 5 salários mínimos seja isento de imposto, e acima disso, exista uma alíquota única. Além disso, Bolsonaro quer desonerar folhas de pagamento e deflagrar outras ações não especificadas para “aliviar” para os empresários poderem investir e gerar emprego. 
 
O candidato, alvo de uma campanha internacional contra sua vitória nas urnas (#EleNão e #NotHim) voltou a dizer que “da minha parte, nunca preguei o ódio. Eles dizem que eu prego o ódio. Bolsonaro agride gays, negros, mulheres. Me aponte um áudio, uma imagem onde eu faço isso.”
 

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