Malafaia pressiona Marina com discurso religioso desde 2010

Na última eleição, o pastor pediu voto em Serra após Marina defender plebiscito sobre aborto e legalização da maconha

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Jornal GGN  – A campanha de Marina Silva à Presidência em 2014 ficará marcada pelo episódio com o pastor Silas Malafaia e o programa de governo do PSB. Coincidentemente, após quatro tweets de Malafaia, Marina retirou do texto os trechos que atendiam ao segmento LGBT. Malafaia, dias depois, deixou claro que apoiará a candidata no segundo turno, se lá ela estiver.

Mas a cobrança de Malafaia não é nenhuma novidade para Marina. Na eleição de 2010, o pastor fez uso de seu programa na televisão para falar aos evangélicos que a “irmã Marina” não merecia mais o seu voto porque não empunhava com orgulho e firmeza princípios religiosos. “Por que mudei meu voto em relação à irmã Marina? Vou dizer a vocês: pior do que o ímpio é o cristão que dissimula. Um cristão não foi feito para ficar em cima do muro”, disparou Malafaia.

E continuou: “Como uma pessoa que postula ser presidente da República e que diz ser membro da Assembleia de Deus vem dizer ‘Eu não quero satanizar os que são a favor ou contra o aborto. Vou fazer um plebiscito para saber quem é a favor da legalização do aborto e da maconha’? Gente, o cristão só tem uma posição: é contra e está acabado”, sentenciou o pastor. “Como posso apoiar uma pessoa que está em cima do muro, que não tem definição?”

No vídeo, Malafaia ainda resgatou um projeto que tramitou no Congresso enquanto Marina era senadora. A matéria defendia que toda biblioteca pública disponibilizasse obrigatoriamente exemplares da Bíblia. Segundo Malafaia, quando o texto chegou ao Senado e teve em Marina a figura de relatora, o interesse eleitoral falou mais alto. “Chegou na mão dela, e sabe o que a irmã Marina fez? Engavetou. Sabe por que? Por causa das eleições, para não ficar mal com os evangélicos e o pessoal do PV e da esquerda radical”, sustentou. Para Malafaia, um político que se diz cristão não poderia engavetar tal projeto.

O pastor ainda afirmou ao longo do vídeo que a maioria da população brasileira é cristã e que, em função disso, deve ter seus interesses priorizados pelo Congresso. As outras religiões, argumentou ele, que corram atrás de “emendas” para fazer valer suas demandas.

Em 2010, Malafaia declarou voto em José Serra. Segundo ele, não era questão de satanizar quem vota no PT, mas no PSDB, de acordo com a visão dele, seria mais fácil de negociar algumas agendas religiosas. “[No PSDB ninguém vota fechado, como no PT Cada um vota com sua coerência”.

Cobrança de pastor Silas Malafaia no Twitter coincidiu com recuo de Marina sobre pauta LGBT

Esse ano, Malafaia também declarou seu voto em rede nacional, e pediu para ser seguido pela massa evangélica. Dessa vez, o candidato preferido no primeiro turno é o Pastor Everaldo (PSC). Segundo Malafaia, o jogo é fazer Everaldo ter bastante votos para que os evangélicos possam negociar apoio com os candidatos que forem ao segundo turno.

O Jornal GGN publicou em setembro uma reportagem especial sobre como os evangélicos participam do jogo político este ano. Para ler, clique aqui.
 

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