
Peça 1 – a lógica do golpe
A lógica do golpe é simples e objetiva.
Há dois focos centrais.
O primeiro, o aprofundamento do desmonte do Estado brasileiro, com as reformas liberais, privatização, destruição do precário Estado de bem-estar construído na última década.
O segundo, a garantia de um presidente de direita nas próximas eleições – ou, na ausência de um candidato competitivo, até mesmo o adiamento das eleições.
Esses são os fios condutores para entender toda a lógica da turma do impeachment.
Peça 2 – o mercado de opinião
Tudo isso se dá no que se convencionou chamar de mercado. Não se trata apenas do mercado em si, mas de todo um sistema de opinião que engloba não apenas a estrutura de poder, mas a gendarmeria.
No topo, Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), a Procuradora Geral da República, os grupos de mídia, órgãos de controle de uma maneira geral. Na base, juízes de 1ª instância, procuradores, Polícia Federal, Polícia Militar etc.
Quando determinada questão ameaça os objetivos finais, acende-se uma luz amarela. O clima fica tenso, as autoridades envolvidas começam a receber sinais tácitos indicando que ali não se mexe. Dado o grau de pusilanimidade das organizações burocráticas e suas lideranças, não há a necessidade de ordens diretas, ameaças ou outras formas de pressão. São mais disciplinados que jornalistas da Globonews.
Quem sai da linha, é pressionado por seu próprio meio, colegas ou familiares. Essa sincronização do golpe mereceria um belo estudo acadêmico, sobre a força das ideologias na articulação de movimentos, como o impeachment, mesmo sem haver um cérebro condutor. Aliás, o único cérebro mofa em um presídio de Curitiba.
Peça 3 – os que irão morrer
No início do golpe, Aécio Neves era peça central; o governador Geraldo Alckmin, elemento secundário. Qualquer envolvimento de Aécio enfraqueceria o principal mote do golpe, que era o impeachment de Dilma.
O Procurador Geral da República Rodrigo Janot recomendou seu não indiciamento, apesar de evidências muito mais fortes do que aquelas, por exemplo, que envolviam o senador petista Lindbergh Farias, denunciado.
Mesmo em posição secundária, Geraldo Alckmin também foi poupado, e ajudou a salvar Dilma Rousseff da tentativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), comandado por Gilmar Mendes, de cassar seu mandato logo após as eleições. Na última hora descobriu-se que que Alckmin poderia ser atingido por uma das acusações que se lançava contra Dilma.
Na medida em que a Lava Jato foi avançando, foram aparecendo mais e mais evidências contra Aécio.
Criou-se um ping-pong entre dois adversários mortais, mas irmanados na defesa de Aécio: Janot e Gilmar Mendes. OS dois revezavam-se nos pedidos de prorrogação do prazo de investigação de Aécio. Mesmo assim, a cada indício novo e a cada nova postergação das denúncias o capital político de Aécio ia se esvaindo.
Quando ocorreu o episódio JBS, Aécio dançou por dois motivos. Pelo seu excesso de ambição, foi considerado um peru gordo por Joesley Baptista, nas negociações com a PGR. Quando Janot recebeu o pacote, para atirar em Temer não poderia desconsiderar os grampos em Aécio.
A partir dali, Aécio virou pato manco. Há uma boa probabilidade de que, na próxima semana, o STF autorize a denúncia criminal contra ele, além de mandar para a prisão Eduardo Azeredo, do mensalão tucano, à esta altura uma decisão vazia de significado político.
Principalmente porque a blindagem dos tucanos ficou ostensiva demais para ser aceita até por um país e uma mídia acostumados a toda sorte de hipocrisias.
Dentro dessa lógica, José Serra, Aloysio Nunes e Cássio Cunha Lima poderiam ser liquidados tranquilamente, sem atrapalhar os objetivos finais do golpe. Estão sendo poupados porque o algoritmo viciado do STF jogou seus processos no colo de Gilmar, e Gilmar não é desses de deixar companheiros feridos no campo de batalha. Apenas por isso.
Peça 4 – o fator Alckmin
Embora não desperte nenhum entusiasmo, nem entre os seus próximos, Alckmin ainda é peça chave no jogo político, como único candidato da direita com alguma possibilidade.
Essa é a razão principal da PGR ter remetido seu caso para ser julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, ao invés de remeter para o grupo da Lava Jato. E o autor da façanha foi o subprocurador Luciano Maia, com bela ficha no Ministério Público Federal, e, até assumir o cargo de vice-procurador, considerado corajoso e de posições independentes.
Mas não adianta. A lógica do poder brasiliense é imbatível. Por isso, um caso em que Alckmin, através de seu cunhado, recebe R$ 10 milhões da Odebrecht, que têm obras contratos grandes com o governo de São Paulo, foi transformado em um mero caso de irregularidade no financiamento de campanha. O pagamento foi por fora.
Apesar de federal ,o TRE de São Paulo é majoritariamente composto por juízes e desembargadores paulistas, historicamente alinhados com o PSDB.
A decisão de Maia – certamente endossada pela PGR – expôs de maneira nítida a parcialidade da nova PGR no jogo político.
Aliás, não bastassem essas trapalhadas, e o procurador-bufão Oscar Costa Filho, do MPF do Ceará, o mesmo que tenta todo ano anular o ENEM, intimou a Universidade federal do Ceará a retirar o nome “golpe” de um curso preparado por ela.
Às vezes tento convencer colegas que o MPF é mais que os Ailton Benedito – o de Goiás – ou Oscar Costa “Enem” Filho, mas os fatos sempre me desmentem, como desmentiram quando supus em Raquel Dodge uma dimensão mais relevante do que a de Janot.
Peça 5 – os próximos passos
Não se imagine que o impacto da prisão de Lula vá refrear a marcha do fascismo.
As recentes votações do Supremo e as decisões da PGR comprovam que continuam a reboque da Lava Jato. E continuarão até a Lava Jato completar sua obra, de destruição final de Lula e de inviabilização do PT.
De qualquer modo, foram tantas as críticas que Dodge recebeu, até de jornalões, por sua benevolência com Alckmin, que provavelmente deve ter-se dado conta de que foi mais realista que o rei, o que condicionará suas próximas ações. É possível que o país comece a assistir episódios inéditos de tucanos engaiolados.
Aliás, a análise política de autoridades do Judiciário, da PGR ao Supremo, mereceria estudos de Pavlov.
Depois de liquidado Lula, será fácil acabar com a operação. Bastará a mídia levantar a pauta proposta por Gilmar Mendes na última sessão do Supremo, sobre os indícios de corrupção, devido ao poder absoluto de que passaram a dispor.
PS – a ave da ilustração representa o Passaralho, figura mitológica que sobrevoa as redações nas vésperas das grandes demissões.








…Porque essa questão não é levada tão a sério…?
“Peça 2 – o mercado de opinião
Tudo isso se dá no que se convencionou chamar de mercado. Não se trata apenas do mercado em si, mas de todo um sistema de opinião que engloba não apenas a estrutura de poder, mas a gendarmeria.
No topo, Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), a Procuradora Geral da República, os grupos de mídia, órgãos de controle de uma maneira geral. Na base, juízes de 1ª instância, procuradores, Polícia Federal, Polícia Militar etc.
Quando determinada questão ameaça os objetivos finais, acende-se uma luz amarela. O clima fica tenso, as autoridades envolvidas começam a receber sinais tácitos indicando que ali não se mexe. Dado o grau de pusilanimidade das organizações burocráticas e suas lideranças, não há a necessidade de ordens diretas, ameaças ou outras formas de pressão. São mais disciplinados que jornalistas da Globonews.
Quem sai da linha, é pressionado por seu próprio meio, colegas ou familiares. Essa sincronização do golpe mereceria um belo estudo acadêmico, sobre a força das ideologias na articulação de movimentos, como o impeachment, mesmo sem haver um cérebro condutor. Aliás, o único cérebro mofa em um presídio de Curitiba.”
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Nassif, você tocou nesse tópico 2, numa questão que acho absolutamente CENTRAL para compreendermos o golpe em nosso país, o fascismo, a selvageria, a perda de todos os limites civilizatórios: O efeito “manada” que esse tal “mercado de opinião” é capaz de provocar em amplos setores da sociedade, mesmo aqueles que esperávamos imunes a ele – porque assim deveria ser…..
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Já me perguntei diversas vezes, porque vocês, articulistas, normalmente apenas o citam como “um dos fatores ou consequências” de sociedades em períodos paroxísticos como o nosso, e questiono se essa não é, na verdade, um dos principais temas a serem estudados, apreendidos, para que saiamos um dia, desse ciclo perverso, a geração que matou Vargas, a geração que expulsou Jango, a geração que tirou uma presidente eleita e celebrou uma operação dantesca como a lava jato, até Lula ser preso… O que fará a próxima geração?
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Essa questão é tão absolutamente séria, que nos permite questionar, por exemplo, o que faz uma pessoa como Rosa Weber, vestir-se de “boba da corte” diante de todas as pessoas minimamente inteligentes e esclarecidas – inclusive os juristas sérios do nosso país… – APENAS por um medo atroz, de ir contra o que ELA SABIA, dela era EXIGIDO…. Ora, não é isso uma justificativa, óbvio que não, mas fica claro, naquele voto confuso, quase gaguejante, a expressão corporal dela, uma mulher enfraquecida, acovardada, ENCOLHIDA, que muito além de “convicções pessoais”, ela se entregou, de corpo e alma, AO PÂNICO MAIS ABSOLUTO, de “dizer não” às exigências sociais sobre ela. E é aí que vemos a diferença entre as pessoas, e o quanto, NA PRÁTICA, não há diferença entre um cínico e um covarde, um fraco. Ministros como Fachin, Barros, Fux, não têm dificuldade alguma em incorporar esse papel. São seres abjetos, daqueles que, no nazismo, seriam os primeiros a puxarem o gatilho e atirar nos judeus, para mostrarem ao poder sua lealdade absoluta. São vendilhões, gente sem alma, sem caráter, nos remetem ao procurador Carlos Fernando dos Santos, a Moro, venderam suas almas ao diabo faz tempo, nada sobrou ali….. Rosa Weber, não, como ela, multidões curvam-se à serpente e à besta, porque não têm coragem para enfrentá-los, sucumbem à covardia, acabam desprezados por ambos os lados – os cínicos e os atingidos por sua covardia crônica.
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O filme magnífico, “O homem bom”, ilustra à perfeição o que esse efeito manada faz às pessoas. Revela, o filme, todo o processo de transformação de “um homem bom” num “nazista light”, que se é incapaz de, ele mesmo, “puxar o gatilho”, o medo, sobretudo, e a possibilidade de ascensão social, fazem com que aos poucos, “relativize” aquela imundície moral e existencial, aquele horror…. Rosa Weber, penso eu, joga nesse time…. Como jogam nesse time, nossos parentes e amigos que “não xingam petistas nas ruas”, mas se calam quando Chico Buarque é xingado de “merda” por três playboys medíocres do Leblon…. Não colocariam a camiseta INFAME usada nas marchas “dos homens de bem” (sic….), ostentando a mão de Lula faltando o dedo mínimo, mas MARCHARAM AO LADO DESTES, não chamariam Dilma de “vaca” ou coisa pior, mas são capazes de rir junto, nos restaurantes, com os amigos que assim agem, não soltaram fogos quando Lula foi preso, mas nada no mundo os faz deixar de sentirem uma certa satisfação perversa, como nada no mundo lhes daria a coragem de enfrentar parentes e amigos, afirmando a sordidez e desumanidade, a selvageria, dessa prisão.
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O efeito manada, faz esse horror medonho com os homens: transforma-os NAQUILO QUE JAMAIS TERIAM A CORAGEM DE SER, antes do processo paroxístico devorar as suas almas, e o MEDO absoluto de irem contra sua classe social, lhes cortarem todos os valores civilizatórios.
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Na verdade, esse efeito manada cria o que venho chamando de “mundo-matrix”, a RE-CRIAÇÃO do mundo, da realidade, no imaginário da sociedade, de modo tão maligno esse processo, que as pessoas passam a pensar / sentir / agir / reagir, como se aquele mundo caricato, ficcional (“Lula é o chefe de uma quadrilha”, “o triplex foi dado a Lula como um bem por ele ser corrupto…”), que chega a ser inacreditável, pelos ABSURDOS que as pessoas se obrigam a engolir, para “legitimarem” suas ações a partir desse “mundo-matrix”…. – é a própria desintegração do ser, o bloqueio da mente, a perda de toda a consciência, inclusive, a moral.
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Somos essa sociedade enferma, dominada por esse efeito manada, onde, uns pelo mais puro cinismo e apego ao poder e ao sucesso fácil, e outros por estarem perdidos, confusos e dominados por medos e covardias, nos levam a todos ao calabouço do fascismo, da violência institucional, a perda de todos os valores e comportamentos civilizatórios, um tempo que desautoriza a esperança….
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Estudar a fundo o processo da formação desses rebanhos humanos, torna-se crucial.
Como um antídoto para o nosso futuro.
Eduardo Ramos,
Acho muito
Eduardo Ramos,
Acho muito precisa e absolutamente crucial a questão de fundo abordada em seu comentário:
… o que exatamente acontece conosco [com nossa psiquê, com nossa história afetiva e fática,
com nossos valores, amigos, amores, nossos compromissos de solidariedade, com a própria confrontação retrospectiva de
nossa trajetória pessoal, nossos sonhos coletivos etc.] – quando postos diante – e em movimento contrário – a um “consenso
de manada”; à acachapante construção das cenografias midiáticas nossas de cada dia?
O que faz com que muitos de nós abracem tais narrativas?
O que faz com que tantos outros persistam e insistam na necessidade de novos olhares?
Obs.: Peço que permita o compartilhamento de seu comentário na rede.
Com o devido crédito, é claro.
Liquidado Lula ?
Não diga isto porque a história pode lhe desmentir de forma arrasadora. Aliás há inúmeros casos que mostram isto.
TEORIA DA CONSPIRAÇÃO DA MULA SEM CABEÇA
Quando alguém elabora uma Teoria da Conspiração identificando seu provável comando central, estabelecendo seus objetivos e as estratégias e as ações operacionais executadas para alcançá-los, corroboradas pelos fatos, aparece logo algum gaiato, quase sempre jornalista, para desqualifica-la chamando-a de …..Teoria da Conspiração.
O Nassif deu um passo adiante: elaborou uma Teoria da Conspiração sem comando central, com inteligência mas sem cérebro, de tal forma que um julgamento dos homens ou o julgamento da História ficará impossibilitado de aplicar a exótica Teoria Tropical do Domínio do Fato sobre os conspiradores, teoria essa elaborada pelo sr. Joaquim Barbosa quando da AP 470 (o processo conhecido como o mensalão do PT)
Essa Teoria da Conspiração do Nassif é como um câncer que vai se espalhando por todo um organismo, com sua inteligência específica, porém não originada de uma causa conhecida, pelo menos até agora descoberta pela ciência. (Ah ! Como é que o paciente morreu de câncer no pulmão se ele não era fumante ?).
E o mais interessante é que essa Teoria da Conspiração do Nassif já aponta o sucesso da estratégia planejada, sem sequer combinar com os russos: a inevitabilidade de implantar-se no Brasil um regime fascista disfarçado à la Salazar ou à la Franco, faltando apenas encontrar-se o ator que vai representar o papel desses personagens.
Ele ignora a imprevisibilidade da História antes dela acontecer e a reação dos homens indignados e faz com que os incautos, os incultos e os desavisados, em desespero com a sua previsão, tendam a achar que só existem três saídas: o aeroporto, o túmulo ou as armas.
Não é bem assim, Nassif: falta combinar com os 35% que declaram o voto em Lula no 1º turno das eleições vindouras e os 50% que votam em Lula no 2ª turno, mesmo que ele não concorra.
Não estamos mais em 1964.
Essa conspiração contra o povo brasileiro tem um comando central. Pesquise que você vai achar.
O fim da Lava jato depende de
O fim da Lava jato depende de que nível de apoio ela obtém nos Estados Unidos. No momento, parece que a turma que deu suporte a ela (suporte intelectual e logístico, não se sabe ainda se financeiro) está em desgraça, sob forte fogo da Casa Branca por ter atacado também o presidente Trump, querendo seu impeachment, tentando repetir lá o que aqui fizeram, já que não foi possível evitar sua vitória eleitoral. Metade dos procuradores de lá envolvidos parece que já foram postos fora de combate, depois da divulgação por Trump das ações ilegais deles, em um memorando elaborado pelos parlamentares republicanos. Neste momento, não se sabe se ainda querem por lá a presença de seus sócios brasileiros, o que parece improvável. Já faz algum tempo que cessaram as idas e vindas de brasileiros nos corredores do Departamento de Justiça. Janot, parece que não tendo a sorte de Moro de ter conseguido residência nos EUA, vai tentar escapar na Colômbia, ensinando ao ministério público de lá o que não apreendeu aqui. Dalagnol agora parece que está mais na igreja do que no MP. Carlos Fernando está de retirada para a iniciativa privada. A política de interferência em outros países que Trump prometeu em sua campanha, apesar da resistência do Estado Profundo, parece que chegou ao fim, apesar de perdurarem seus efeitos nocivos. Os blefes guerreiros, apesar de excitarem os beligerantes “hegemonistas” remanescentes do período hillariano, o mesmo período no qual foi gerada a interferência em nosso país, parece que se destinam apenas a isso: excitá-los e acalmá-los enquanto ele avança em sua política de voltar-se para os graves problemas internos do país. É de se acreditar que o Brasil já tenha dado muito aos Estados Unidos e que chegou a hora deles se retirarem, já que aqui não é a Líbia nem Lula é um Kadafi.
Cabe agora aos chefões locais do golpe procurar como definir uma agenda de reconstrução do país, antes que a destruição da economia evolua, e a insegurança jurídica se espalhe para a segurança energética através do caos que virá provocado pelo butim insaciável que destruirá a centralização excelente que sempre acompanhou a estatização deste setor, fundamento de todo o nosso progresso. O Brasil, dado as suas necessidades sociais e até de soberania territorial, vai precisar de muitos projetos estatais de desenvolvimento e não tem ainda uma coleira suficientemente sólida para segurar em seu setor energético vários dragões privados em busca unicamente de lucro. Se pensarmos em coleiras jurídicas, então, nossa míngua é absoluta, já que nem mais certeza temos nesta área do nacionalismo intrínseco que nela deveria existir por fé profissional.
Cremos que é hora de restaurar a convivência democrática e afastar o ódio, tentar recompor as instituições e reconhecer que não será possível concretizar o sonho louco de alguns, que é destruir completamente a esquerda do país, nem mesmo infectando o já adoecido tecido social com o estímulo do surgimento de grupos nazifascistas para que eles tentem destruí-la pela força bruta. Cedo ou tarde ressurgirá a necessidade dos princípios sociais que abominam os métodos fascistas e que exaltam a solidariedade humana. E que é muito interessante para os próprios conservadores um recomeço com Lula, já que nenhum regime no Brasil se pode dar bem negando a necessidade de inclusão social, e que Lula, com sua política genuinamente capitalista, tem excelentes fórmulas de conciliação entre o desenvolvimento econômico e a integração pacífica das massas excluídas. Ele só exige um pouco de nacionalismo, o que não é nada demasiado. O motivo externo das interferências políticas extra-democráticas cessou. Agora cabe pensar no progresso do país, e não confundir jamais avanço econômico com destruição de estado para quem nem estado possui.