A crise de 2008: como Washington salvou Wall Street, por Motta Araújo

A CRISE DE 2008 : COMO WASHINGTON SALVOU WALL STREET – A crise financeira de 2008 foi produzida por ganância extrema e falta de escrúpulos de grandes firmas do mercado financeiro. A Goldman Sachs chegou ao cúmulo de vender centenas de bilhões de dólares de títulos sub-prime e depois de limpar seu estoque passou a apostar na baixa desses títulos que ela mesmo tinha inventado. Com a mega crise na rua o que fez o Governo americano?

De forma ultra rápida e sem vacilações o Presidente  assinou um decreto em 3 de outubro de 2008 colocando à disposição das empresas financeiras e industriais SETECENTOS BILHÕES DE DÓLARES do Tesouro, o dinheiro saía em 24 horas depois de solicitado. Grandes empresas industriais, como a General Motors, receberam o que precisaram, só a GM 50 bilhões de dolares, seguradoras irresponsáveis como a AIG que vendia “credit swaps”!, uma espécie de seguro de crédito dos ub-primes, foram salvas por cheques gigantescos entregues sem burocracia na boca do caixa, a AIG recebeu 75 bilhões de dólares.

No total o Tesouro desembolsou US$426,4 bilhões e até o dia do encerramento do programa, de nome TARP (em português  Programa de Resgate de Ativos Problemáticos). Em 19 de dezembro de 2014 o Tesouro recebeu de volta US$441,7 bilhões, quer dizer, teve lucro na devolução.

Quanto aos executivos malandros, nenhum foi sequer processado. O executivo-chefe de Lehman Brothers, banco que quebrou (foi o único) no ano da quebra recebu 65 milhões de dolares de bônus.

A malandragem gerou ganhos de mais de 100 bilhões de dólares para um grupo de especuladores e executivos safados, perto disso o caso Petrobras é dinheiro de lanche para o motorista.

Leia também:  O regresso aos anos 50 e ao lema: "o marido em primeiro lugar"

Como e porque Washington agiu assim?  Deixou a ladroagem sair ilesa MAS salvou a economia. Se fizesse o contrário, prendesse todo mundo e deixasse a economia afundar, até hoje os EUA estariam em crise profunda.

É o modelo americano de governança, porisso eles levam tombos e levantam rápido, OLHAM PARA FRENTE E NÃO PARA TRÁS, acham que a vingança não dá dividendos. Nós nos orgulhamos de nossa origem lusitana, o mais importante é queimar a bruxa na fogueira do que fazer escolas para que ninguém mais acredite em bruxas.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

42 comentários

  1. Muito dificil esperar isso do

    Muito dificil esperar isso do nosso Governo. Parece que vai deixar várias empresas quebrarem, incluindo a Sete Brasil e várias outras do setor naval e de plataformas e sondas. Sem contar grandes e médias empresas de construção e infra estrutura.

    E dai, o Brasil quase não precisa de infra estrutura, segundo alguns que comentam aqui logo outras empresas surgirão no lugar, então está tudo bem né.

    • Gostaria de saber como você

      Gostaria de saber como você chegou a conclusão de que “Parece que vai deixar várias empresas quebrarem”……

       

      Quem esta pregando a quebradeira , pelo que eu ja vi é o PSDB.

       

      “deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), um dos mais próximos ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), lava as mãos; “Só vejo uma solução, que será o ingresso das empresas estrangeiras no setor, para substituir as empreiteiras que falirem. Isso não é uma bandeira do PSDB. É o que a realidade vai acabar impondo”

       

      O governo quer acordos de leniência !!

      • Pela realidade ora. Não tem

        Pela realidade ora.

        Não tem nada a ver com acordo de leniencia Várias empresas estão sem receber da Petrobras, elas não aguentarão muito tempo.

        Quem tem responsabilidade sobre a econmia do País é o Governo, é a chefe de Estado. Ela tem que tomar as medidas necessárias ora. Não é só acordo de leniencia, é botar bancos públicos para atuarem ou mesmo crédito do tesouro se preciso for.

        O PSDB está pregendo por interesse óbivo. E o Governo não está fazendo nada para impedir. Os dois estão errados. Mas com relação ao PSDB não se pode esperar nada mesmo. E é o Governo que tem a responsabilidade de agir, pois foi eleito para isso.

        Imagine a situação, há uma supeita de erros por parte da concessionária de energia elétrica e ai todos os clientes ficam sem pagar a conta. É óbvio que a empresa vai quebrar.

        • É mesmo ??? Várias empresas

          É mesmo ??? Várias empresas estão sem receber  da Petrobras ?!?!?!

          Mostrou novamento seu completo desconhecimento da situação !!

          A Petrobras não esta inadimplente com NENHUMA  fornecedora !!!

          Casos noticiados pela mídia parcial, como a Alumina , se devem a recusa da Petrobras em aceitar pleitos que não eram devidos !! E não a falta de pagamentos !!!

          Todas as empresas da lava-jato com contratos vigentes continuam a receber pagamentos por trabalhos realizados !!!

  2. Nem tudo que é bom para os

    Nem tudo que é bom para os EUA e bom para o Brasil.

    Agora a ‘governança” americana é exemplo para nosso país?

    Não é apenas tudo isso para defender a malandragem petista?

     

  3. Banqueiro não é preso em lugar nenhum

    Na Europa, por exemplo, o bankia, banco espanhol que recebeu bailout de 19 bilhões de euros, pagou milhões em bônus para seus executivos poucas semanas antes de negociar o empréstimo. Alguns dias depois do bailout, que custou medidas de austeridade duras à população,  o bankia pagou um payoff de 14 milhões de euros para um de seus executivos (aurélio izquierdo) deixando claro sua consideração ao povo espanhol. Seu chairman Rodrigo Rato foi acusado de envolvimento em diversos crimes financeiros, mas nada lhe aconteceu. Concordo que quebrar todas as empresas de um país por causa de seu envolvimento em corrupção é imbecil, mas deixar esses ladrões impunes o tempo todo também é inaceitável. Se a estrutura da empresa for preservada sem mudanças, o sistema de corrupção vai continuar.

  4. pragmatismo para além de uma bondade franciscana

    Os que botaram pra rodar o TARP tem nome e sobre nome:

    Thimoty Geither – Ben Bernanke – Hank Paulson

    No Netflix tem documentário sobre o Paulson sobre esse período que esteve no Treasury: as hesitações para aceitar o convite do presidente Bush, a batalha no congresso para fazer liberar a bufunda do TARP, a dura em seus antigos colegas de WS (Paulson era o chefe do Goldman Sachs, tai a razão para inumeros dilemas que passara ao entrar no Tesouro), enfim, um bom overview do período no olhar de quem estava, efetivamente, operando o navio no furacão. 

     

  5. Pois uma linha de ação nesses

    Pois uma linha de ação nesses moldes seria a injeção de dinheiro do tesouro na Petrobras em troca de papéis da estatal, aumentando a participação do estado na empresa. Uma outra capitalização. Tendo em vista a nova estratégia da ofensiva contra a empresa que busca fechar as portas do crédito internacional.  Temos US$ 300 bilhões em reservas … Esta na hora de usá-los !!

     

    Outra opção também seria a busca de parcerias estratégicas com os chineses para financiamento da empresa, diminuindo a dependência de fontes de financiamento cujos controladores estão em ataque explicito a empresa e ao modelo de partilha…

    • Muito boas, Paulo Cezar, a

      Muito boas, Paulo Cezar, a sua participação e sugestões.  Quanto às parcerias, imagino que muita água deve estar rolando, mas sem  “trombetas”, como deve ser.

    • Não somos os emissores da moeda de referência

      O tesouro americano pode endividar-se quase infinitamente sem grandes riscos para o país. Em vez de reservas, têm dívida imensa, mas mesmo assim os títulos do tesouro americano são considerados pelos agentes econômicos os mais seguros do planeta. Mesmo sabendo-se que podem resgatar os títulos simplesmente imprimindo dólares, isso não gera grandes problemas porque todo o mundo quer dólares. As reservas da China, mais de US$3 trilhões, são aplicadas nos EUA!

      No caso do Brasil, para pagarmos dívidas externas, precisamos de entregar… dólares. Exatamente por isso, é essencial que cuidemos de preservar nossas reservas, mesmo que isso nos acarrete um alto custo financeiro. O fato é que nossa balança de pagameentos é altamente dificitária e o déficit está aumentando. Se queimarmos nossas reservas, podemos ter uma crise de insolvência. Aí, meu filho, a vaca vai tossir!

  6. 2 gêmeas roubaram ~60 milhões do Dep.Defesa dos EUA por 9 anos

    E não foi propina, lobby ou esquema sofisticado não!

    As gemeas Charlene e Darlene, donas de uma pequena fornecedora de ferragens e materias diversos (C&D) ao departamento de Defesa americano roubaram cerca de R$ 60 milhões cobrando despesas de envio.

    Não estou falando da quitanda da esquina, mas do DepDef mais poderoso e sofisticado do mundo!

    Isso é que é “governança”!

    O esquema, que durou 9 anos, só foi descoberto por um inadvertido erro das “enojadas” malandras:

    Num dos trambiques, cobraram nada menos que mais de 900 mil (~R$ 2,5 milhões) de despesas de envio de DUAS ARRUELAS de $0,19 cada. E foram pagas, como sempre.

    Muitas das cobranças eram de quase US$ meio milhão por parafusos, conexões hidráulicas, etc..

    Como ganância não tem limites, resolveram fazer uma outra cobrança de arruelas por quase um milhão de dólares (aumentando a última de mais de 900 mil).

    Para azar delas, algum Pen Taylor reparou na diferença entre uma e outra e acabou descobrindo a brincadeira.

    Não precisaram negociar com nenhuma empreiteira, mandar dinheiro para fora, etc. Era só preencher a telinha e cobrar…

    Aí comprar carrões, mansões, viagens, etc.

    Vou repetir: EUA, Dpto, Defesa, 1997 – 2007, quase R$ 60 milhões.

    Darlene suicidou-se.

    Charlene estava para ser solta por bom comportamente neste 7 de fevereiro passado.

     

  7. Governabilidade

    E mesmo com toda a ajuda do governo e toda a crise, o setor financeiro continuou a se enrolar em ‘problemas’. Somente o JP Morgan já pagou mais de U$33 bi em multas e acetos por ter cometido fraudes; o HSBC se enrolou em mais de U$100 bi com contas de paraísos fiscais; e no Reino Unido ainda houveram outros escândalos. Ainda lembro ao AA que somente a AIG recebeu mais de U$160 bi em ajuda na crise, ou seja, somente uma instituição recebeu ajuda em 2008 que acumulava mais da metade de todas as reservas em dólar do país na época. Alguém hoje, tanto nos EUA quanto em UK, pensa em mandar retirar a licença destas instituições para poder operar? O que se discute com propriedade é sobre a necessiade de reforma e governança destas instituições, mas não a sua deposição. 

  8. Os EUA são pós-capitalistas.

    Os EUA são pós-capitalistas. Nós, bem… estamos tentando chegar ao século XX. O que ocorre nos EUA só serve para nossa população afirmar que lá é tudo uma maravilha, mas evitar se comportar como eles. k k k k

    Não que eu queria ver o Brasil invadindo e tacando foguetes em deus e todo-mundo. 

    • Caro Mar, os EUA podem ser

      Caro Mar, os EUA podem ser classificados da forma que melhor convier. Entretanto, o que mantém sua hegemonia econômica, não é o regime político, mas bélico. É o imperialismo que ainda mantém gordos salários por lá, e que permite mascarar a descomunal e injusta destribuição das riquezas. Antes, a indústria da guerra já foi muito bem sucedida pelos ingleses que não viam o sol se pôr sobre o seu Reino Unido. Não há pais no planeta terra que tenha o regime capitalista bem sucedido. Já os impérios são sempre a melhor fórmula quando se pode impôr a força. Um regime bélico que talvez só seja questionado pela população quando a guerra for dentro do seu próprio quintal. Por enquanto, a população vai se vendo como salvadora do planeta. Enquanto Cuba, é tida como grande ameaça a paz mundial. E as guerras continuam… nos territórios alheios.

  9. Não haveria nada mais?

    Caro Motta: “A crise financeira de 2008 foi produzida por ganância extrema e falta de escrúpulos de grandes firmas do mercado financeiro.” A falta de mecanismos de controle e/ou fiscalização (ou auditoria, ou o que achar melhor) não seria um terceiro fator, e, talvez, preponderante?

    E cá entre nós, deixar os salafrários soltos foi meio demais. É prêmio.

  10. Simplificação grosseira…

    A lei SOX, americana, criada após a quebra da Enron, é que pode ameaçar a Petrobrás, por ter ações naquele País, junto com as agências de rating, e não essa pretensa legislação brasileira que seria mais rígida que a deles (ou o comportamento brasileiro no País da impunidade), o que em sí é uma piada.

    A.A, troque de amigos!!!!

  11. Mais uma vez, mistura

    Mais uma vez, mistura assuntos.

    A economia Américana tinha uma crise limitada ao sistema financeiro. Um banco de investimentos foi deixado quebrar, e outro armou se a fusão dele. Ocorre que a economia real foi atingida quando a gm e a ge gigantes indústrias não conseguiam o ter dinheiro para virar seus negócios.  As duas maiores empresas de seguro foram estatizadas, e os principais bancos com grandes fundos micados receberam dinheiro a perder de vista. O sistema internacional todo interligado já estava contaminado e foi o pandemônio conhecido.

    ocorre que o autor esquece disso, que ganância é  um pecado capital mas não é crime. Crimes sãos as coisas que você pode praticar motivadas por ela. E no caso não era ilegal você transformar hipotecas em títulos,  titulos serem transformados em investimento e o mercado se sustentar em ar até as hipotecas começarem a não ser pagas. 

    A situação de 2008 é muito diferente da situação de 2001 quando grandes empresas como a eron, do setor de energia declarou concordata e se descobriu lucros e portanto, ações em bolsa elevados artificialmente com contabilidade máquina,  números falsos, crise que levou a criação da lei sabarnes-oxley. Empresários e executivos foram processados e presos.

    A atual crise da Petrobras guarda mais semelhanças com 2001 do que 2008.

    Uma empresa tem duas formas de se financiar. Uma é indo aos Bancos pagando juros e outra é vendendo papéis cuja promessa de valorização está ancorada na saúde da empresa e em sua credibilidade. Existe uma terceira saída no caso da estatal, que é  o governo comprar todas as ações estatizado complenamente a empresa e enfiando dinheiro do tesouro para sustenta lá.  A terceira e  o sonho de políticos e funcionarios ( alguns deles, especialmente os sindicatos). A segunda envolve a credibilidade da empresa que está ferida justamente por que até agora o discurso de que nada pode ser feito as escondidas, que existe um processo complexo de aprovação,  que existe um conselho de administração com gente expoente, não impediu a grande corporação ser roubada.

    A empresa precisa criar um gabinete da crise e fatiar a administração da empresa em duas. Uma cuida da empresa de fato outra resolve os problemas do passado e isso precisa ser feito a toque de caixa. a segunda coisa é boletim diário,  se for o caso, trazer a imprensa e não ficar respondendo em site.

    As empreiteiras envolvidas pararam as obras, falta dinheiro, demissões ocorrendo? Que os donos sejam processados e não só os executivos, porque foram eles que ficaram com os lucros da empresa. Que essas empresas sejam encampadas pelo estado. As envolvidas em atividades fim da Petrobras deveriam assimila-las. As demais depois de saneadas e completadas as obras novamente privatizadas.

    algumas delas atuam em todo o setor de energia prestando serviços para a eletrobras. Por lá são todos anjos ou a coisa foi igual. Algumas dessas empreiteiras ganharam concessões de estádios, aeroportos e rodovias. Seria bastante produtivo olhar esses contratos com luta. 

    Que os diretores e presidente da grande estatal recebam o mesmo tratamento das agências. Diretores indicados pelo executivo, aprovados no congresso. Aliás nesse imbróglio todo, alo anp, aonde está você? 

  12. Para compara com outros

    Para compara com outros países seg, 09/08/2010 – 00:15 — Andre Araujo

    Sugiro vc seguir o site CNN Money, eles tem um tracking de todo o dinheiro do Tesouro colocado à disposição de bancos e empresas. Há uma enorme diferença entre colocar recursos do Tesouro À DISPOSIÇÃO dos bancos e empresas, como se fosse um Cheque Especial e o que eles efetivamente sacaram e estão devendo. Os numeros não tem neuma correlação com esses que voce colocou, que são as linhas de credito e não os desembolsos, que são muito menores e a maioria ja foram pagos e com relação à AIG não são US$200 bilhões, a linha de credito foi de US$70 bilhões.

    Para o ano fiscal terminado em 30 de setembro de 2009 o total dos desembolos do pragrama TARP (Troubled Asset Relief Program) foi de US$68.5 bilhões, mas o Tesouro já tinha recebido US$15 bilhões dos bancos e US$4.4 bilhões de empresas, isso há quase um ano.

    Os emprestimos à AIG. de US$69.8 bilhões,  foi  parcialmente transformado em ações, das quais US$30 bilhões ja foram vendidas pelo Tesouro.

     

  13. Re: Para compara com outros
    Re: Para compara com outros países

    dom, 08/08/2010 – 11:59 — Andre Araujo

    No sistema norte-americano de operação financeira publica e privada, COLODAR Á DISPOSIÇÃO 100 Bilhões de dolares NÃO SIGNIFICA injetar US$100 bilhões, pode inclusive não injetar um dolar,desses 700 bilhões só uma pequena fração foi realmente desembolsada e a maior parte desses recursos já foi devolvida.

  14. Exemplo americano é válido mas não precisamos de pressa

     

    Andre Araujo,

    É claro que há que se considerar a aceitação do Plano pelo Congresso Americano. E a possibilidade de impeachment se algo desse errado. E o fato que era final de governo de George Walker Bush no final de mandato. E não precisa fazer a diferenciação do que ocorreu nos Estados Unidos naqueles dias e o que ocorre no Brasil há um bom tempo e deve permanecer assim por pelo menos mais um ano.

    Além disso, não se pode esquecer que Timothy Geithner deu continuidade ao processo de salvar a economia americana. Nesse sentido vou transcrever a seguir trecho de comentário que enviei quinta-feira, 03/07/2014 às 13:30, para Luis Nassif junto ao post “Os vinte anos do Plano Real” de quarta-feira, 02/07/2014 às 06:00, aqui no blog dele e de autoria dele. Em meu comentário, no trecho de interesse, eu disse o seguinte:

    – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

    “Embora no livro “Stress Text: Reflections on Financial Crisis” Timothy Geithner tenha elogiado o Armínio Fraga, quem agiu como ele no momento necessário foi mais o G. Henrique de Barroso F. De certo modo, o PROER, que foi uma criação de G. Henrique de Barroso F. está mais próximo do trecho que transcrevo a seguir do artigo “Desarmemos a máquina apocalíptica” de Martin Wolf e que foi publicada no Valor Econômico de quarta-feira, 28/05/2014 e que trata da atuação de Timothy Geithner para enfrentar a crise em 2009. Este artigo pode ser visto no blog de Luis Carlos Bresser Pereira no seguinte endereço:

    http://www.bresserpereira.org.br/terceiros/2014/maio/14.05.m%C3%A1quina_apocal%C3%ADptica.pdf

    Diz lá Martin Wolf em um trecho que eu acho precioso:

    “Geithner argumenta não apenas que as crises certamente se repetem, mas que os governos precisam reagir com força avassaladora. A única maneira de deter uma crise é extirpar as circunstâncias que emprestam racionalidade ao pânico. Isso significa que o governo precisa tomar mais empréstimos, gastar mais e expor os contribuintes a mais risco de curto prazo -­‐ “mesmo se isso parecer uma recompensa à incompetência e à corrupção, mesmo se alimentar percepções de um governo tirânico, perdulário, explorador, emissor exagerado de dinheiro e alucinado por operações de socorro”. É uma reafirmação explícita de um ponto de vista impopular”.

    Como Gustavo Franco, que não era alguém do mercado, Timothy Geithner não era alguém de Wall Street, como ele diz na passagem a seguir transcrita do artigo de Martin Wolf “Lunch with th FT: Tim Geithner” publicado no Financial Times em 15/05/2014 às 7:28 pm:

    “Most people thought I came from Wall Street, . . . I did public service my entire professional life and I loved it”.

    – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

    Eu venho reproduzindo o trecho do artigo de Martin Wolf “Desarmemos a máquina apocalíptica” que tem o discurso de Timothy Geithner para mostrar o qual equivocadas são essas análises sobre a corrupção. Eu gosto de enfatizar que eu sou mais crítico da corrupção do que a maioria dos comentaristas e analistas tanto na grande mídia como nas mídias da internet. Digo que sou mais crítico porque a maioria sobre estima o valor da corrupção e sobre estima os efeitos nocivos da corrupção. Eu já penso que a corrupção realmente ocorre, mas é em valores bem menores do que as pessoas imaginam e se ela fosse nos valores absurdos que alguns supõem que ela seja, ela faria menos mal do eles supõem.

    De certo modo, tanto a ação do PROER com G. Henrique de Barroso F. como do TARP com Hank Paulson e Timothy Geithner e também como os QE (1, 2 e 3), podem ser vistos como atos de corrupção em que um funcionário público oferece ganhos extraordinários ao setor privado e, no entanto, esses atos trazem benefícios fantásticos para os países, no caso os Estados Unidos.

    O endereço do post “Os vinte anos do Plano Real” é:

    http://jornalggn.com.br/noticia/os-vinte-anos-do-plano-real

    E o endereço do artigo “Lunch with th FT: Tim Geithner” é:

    http://www.ft.com/intl/cms/s/2/2e13cb90-dabb-11e3-8273-00144feabdc0.html#axzz3Sm0S441W

    As pessoas não entendem isso, porque elas desconhecem o funcionamento do sistema capitalista e a função do Estado como acicate deste sistema ou quando conhecem o funcionamento do sistema capitalista o idealizam e também idealizam o papel do Estado. E é claro que no modelo ideal medidas como o PROER, TARP e QE são uma contrafação e como tal devem ser combatidas.

    Bem, e como acréscimo faço referência agora ao comentário de Paulo Cezar enviado quarta-feira, 25/02/2015 às 11:18, aqui para este post “A crise de 2008: como Washington salvou Wall Street, por Motta Araújo” de quarta-feira, 25/02/2015 às 10:30, de sua autoria, em que o Paulo Cezar, na esteira do que defende neste seu post, preconiza a utilização das reservas do Brasil para a capitalização da Petrobras. E há junto ao comentário de Paulo Cezar um comentário de Daniel Quireza, enviado quarta-feira, 25/02/2015 às 11:30, em que ele concorda com o Paulo Cezar sobre o uso das reservas. Eu também concordo, mas tenho uma crítica a fazer a eles e de certo modo a você também.

    A minha divergência diz respeito ao timing. As pessoas vão encontrando problemas ou encontrando soluções e querem que o problema seja resolvido de imediato ou que a solução seja aplicada de imediato sem atentar para as prioridades entre os problemas encontrados ou o timing da aplicação da solução.

    Não é assim que a política funciona. Há dois dias que há um problema grave que é a greve dos caminhoneiros e se discute o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O impeachment nem é problema e para o problema da greve dos caminhoneiros nem há solução.

    Essa pressa levou Daniel Quireza ainda no ano passado a fazer um comentário que se tornou no post “O Governo tem que agir, e rápido, com relação à Petrobras” de quinta-feira, 18/12/2014 às 16:17, aqui no blog de Luis Nassif. É post do final do ano passado e pelo título vê-se a pressa de Daniel Quireza. O endereço do post “O Governo tem que agir, e rápido, com relação à Petrobras” é:

    http://jornalggn.com.br/noticia/o-governo-tem-que-agir-e-rapido-com-relacao-a-petrobras

    O Daniel Quireza se deixou insuflar pelos posts de Luis Nassif defendendo a retirada de Graça Foster como se ela fosse o problema da Petrobras e fez esse comentário que ele havia enviado junto a dois outros posts e que depois Luis Nassif elevou a categoria de post. Só que o problema da Petrobras não é a operação Lava-Jato. O problema da Petrobras é a dívida. E a solução é esta que o Paulo Cezar apresentou e com a qual o Daniel Quireza concordou. Só que esta solução não deve ser utilizada no momento atual.

    Nesse sentido vale a pena transcrever trecho do meu comentário enviado quinta-feira, 18/12/2014 às 20:56, para Daniel Quireza lá no post “O Governo tem que agir, e rápido, com relação à Petrobras”. Disse eu lá:

    – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

    “Bem, o governo tem agido em relação à Petrobras. De certo modo confirmando o que a revista Veja disse, Lula e Dilma Rousseff sabiam o que ocorria na Petrobras. E a presidenta Dilma Rousseff tomou a seu tempo as medidas que deviam ser tomadas. A entrada de Graça Foster em 2012 foi exatamente para que ela pudesse dar um formato mais técnico e menos empresarial à Petrobras em um momento em que a Petrobras precisa combater esses relacionamentos entre os funcionários da Petrobras e os seus fornecedores.

    Então é isso, o governo tem agido e a ação do governo em relação à Petrobras não pode ser rápida. O governo tem tudo que ele precisa ao seu dispor. Se o petróleo cair bastante, a Petrobras mantem a produção interna na quantidade necessária para o consumo interno, faz o seu próprio refino e espera o câmbio chegar ao novo patamar que levará a economia brasileira voltar a crescer a passos céleres como poderia ter ocorrido desde a desvalorização de 1983, mas que em função do Plano Cruzado o Brasil acabou se perdendo. Nesse novo patamar de retomada da economia, com possível volta de formação de reservas, o Brasil pode capitalizar a Petrobras comprando a dívida externa dela. E se com a capitalização o preço das ações no longo prazo volta a crescer e o governo poderá vender se quiser”.

    – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – –

    Assim, eu diria que a questão da Petrobras só vai ser resolvida quando o Brasil puder utilizar as reservas para abater a dívida da Petrobras e o Brasil só vai poder utilizar as reservas depois que o país apresentar durante uns doze meses um saldo mensal na Balança Comercial de 1 bilhão por mês. Talvez isso seja possível se o câmbio atingir ainda no primeiro trimestre algo em torno de 3,1. Doze meses depois do saldo de 1 bilhão de dólares mensais, a economia volta a crescer, as reservas voltam a aumentar e o verdadeiro problema da Petrobras pode ser resolvido.

    O equívoco do seu post em mencionar o exemplo americano é imaginar que as decisões tomadas em primeira instância tem força para parar o país. A questão do Lava-Jato, enquanto estiver no âmbito do Poder Judiciário só dá para resolver pela Justiça. E sem sentença transitado em julgado não há nada que se possa fazer nem a favor das empresas nem contra as empresas. Não há nada que se possa fazer contra as empresas significa que elas poderão continuar a negociar com o setor público, ainda que juízes de primeira instância não queiram e mesmo que promotores de segunda instância se manifestarem contrários. Basta que a Suprema Corte e não o Ministério da Justiça, assim o decida.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 25/02/2015

    • Um pouco sobre o seu preconceito e elitismo

       

      Motta Araujo,

      Ontem, terça-feira, 24/02/2015 21:59, eu enviei um comentário para você junto ao post “A razão de Estado sumiu do Oriente Médio, por Motta Araújo” de terça-feira, 24/02/2015 às 11:43, em que faço referência ao que eu considero seu preconceito e seu elitismo. Sobre o seu preconceito e seu elitismo, eu disse lá o seguinte

      “Nem tudo são flores, entretanto. Há muito preconceito no que você expõe e muito elitismo. Eu sou o melhor e eu convivo com os melhores e, portanto, mais que justo que eu indique os melhores que eu conheço para os grandes cargos da República. Esta é, por exemplo, a idéia que permeia o post “Para entender o Ministério Público norte-americano, por Motta Araújo” de segunda-feira, 23/02/2015 às 16:08, aqui no blog de Luis Nassif e de sua autoria e que pode ser visto no seguinte endereço:

      http://jornalggn.com.br/noticia/para-entender-o-ministerio-publico-norte-americano-por-motta-araujo

      Por falta de tempo em não me dediquei ao próprio post “A razão de Estado sumiu do Oriente Médio, por Motta Araújo” para de lá retirar exemplos de seu preconceito e elitismo. Faço isso agora e reproduzo a seguir frases isoladas desse seu preconceito e elitismo que encontrei lá no post:

      “A sabedoria britânica na dissolução do Império Otomano, redesenhando o Oriente Médio acabou em 1947, com a fundação do Estado de Israel, gatilho detonador dos elos de uma explosão incontrolável  de todos os conflitos atuais do Oriente Médio. Xiitas e sunitas existem há mais de 1.000 anos, tribos e clans conviviam pacificamente dentro do mundo árabe.

      . . .

      Os EUA desde então nunca souberam lidar com RAZÕES DE ESTADO no Oriente Médio, um erro após outro, impotência perante a alucinada política de colonização de Israel que na sua lógica sinistra significa o aniquilamento do povo palestino, provocando por ondas reativas um terrorismo que antes JAMAIS EXISTIU no Oriente Médio”

      . . .

      O terrorismo islâmico é criação da política externa americana, mas conversando com amigos, parentes e parceiros de décadas nos EUA nunca encontrei um sequer que admita que essa política externa no Oiente Médio é orientada por Israel e agride os interesses dos EUA. Eles têm um bloqueio mental para aceitar essa crua realidade”.

      Desculpe-me, mas não é minha intenção aqui colocar a mãe na história, mas você, se me recordo corretamente, é filho de americana e, no entanto, o seu elitismo o faz preconceituoso contra os americanos e admirador dos ingleses aqueles nobres filhos da monarquia.

      E é essa admiração pelos ingleses (Eu acho o Mini Cooper inglês um carro clássico que talvez demonstre mesmo essa superioridade inglesa) e o preconceito com o que é popular leva-o a desmerecer os americanos no momento em que eles desempenham o mesmo papel que uma vez foi dos ingleses. Os dois são países imperialistas, mas você os apresenta como países que tem interesses, mas estão em busca de consertar o mundo. A Inglaterra de modo exitoso no passado e atualmente os Estados Unidos, mas agindo com verdadeiro bloqueio mental.

      É claro que qualquer um que estude as ações dos países pela lógica imperialista considere as suas conclusões bem simplistas. Nesse sentido vale ver no post “A razão de Estado sumiu do Oriente Médio, por Motta Araújo” as observações críticas que o comentarista Daytona faz a você. Reproduzo a seguir trechos em que Daytona se reporta a Winston Churchill que você admira, nos comentários que ele enviou respectivamente terça-feira, 24/02/2015 às 15:19, e às 14:37. Diz ele:

      “Sobre o caso particular do Iraque, há esse livro [A Loucura de Churchill – Os Interesses Britânicos e a Criação do Iraque] do C. Catherwood, professor da Universidade de Cambridge e membro da Royal Historical Society, que demonstra a irresponsabilidade de W. Churchill na constituição das fronteiras iraquianas”.

      . . . .

      “Essas divisões existiam dentro do Império Otomano, com departamentos baseados nas diferentes etnias. A Grã-Bretanha, liderada pelo criminoso de guerra e imperialista racista, Winston Churchill (defensor do uso de armas químicas, proibidas na Europa pós-I Guerra, contra as “raças inferiores” do Oriente Médio) delineou essas fronteiras segundo a lógica do Imperialismo, seguindo o modelo adotado na África”.

      Aproveitei para trazer esses trechos de comentários de Daytona lá no post “A razão de Estado sumiu do Oriente Médio, por Motta Araújo”, porque recentemente, um tanto por brincadeira, mas também sério como uma forma de criticar os que saem a falar sobre estadistas, eu fiz o seguinte comentário:

      “Mucio Linhares da Rocha (Domingo, 22/02/2015 às 12:05),

      Se você tiver algum respeito pelo blog, faça uma consulta prévia quando for utilizar um termo assim mais forte ou sobre o qual você não tenha um bom domínio. Qualquer dicionário vai poder esclarecer a você que o termo que você deveria usar no seu comentário é ditador e não estadista. Estadista não é quem manda no Estado. Estadista é um termo que os historiadores costumam aplicar aquele governante que na opinião dos historiadores tomaram em determinado momento as medidas que de novo na opinião dos historiadores eram as medidas certas. Como se vê é um termo que só faz sentido sendo aplicado por historiadores. O que salta aos olhos não é o seu caso”.

      A minha resposta enviada domingo, 22/02/2015 às 17:12, junto ao post “Falta uma perna no Plano de Levy, por Andre Araujo” de domingo, 22/02/2015 às 18:09 (O horário original deve ter sido por volta de 11:00 horas e por um motivo qualquer o post foi atualizado), aqui no blog de Luis Nassif e de sua autoria se devia ao comentário de Mucio Linhares da Rocha enviado domingo, 22/02/2015 às 12:05, em que ele dissera:

      “Para um ESTADISTA, esse momento de Lava Jato, tentativa de impítimam (prefiro assim e com meuzovo) e tudo mais, estaria criada a situação perfeita pra que ele em definitivo consolidasse o PODER em suas mãos. Dilma porém prefere cortar tomates ou sei lá o que com Ana Maria Braga na Rede Grobo”.

      É claro que o Mucio Linhares da Rocha tem um forte viés autoritário, já manifesto em outros posts como, no comentário ainda que mais recente que transcrevo a seguir retirado do post “Para entender o Ministério Público norte-americano, por Motta Araújo” de segunda-feira, 23/02/2015 às 16:08, aqui no blog de Luis Nassif e mais uma vez de sua autoria. No comentário enviado segunda-feira, 23/02/32015 às 16:39, ele disse o seguinte:

      “Funcionários públicos concursados (juízes, procuradores e etc) acham-se superiores aos representantes que são eleitos pelo povo e no direito de proporem golpe de estado. Quando é que essa milícia desarmada será colocada contra o paredão?”

      O endereço do post “Falta uma perna no Plano de Levy, por Andre Araujo” é;

      http://jornalggn.com.br/noticia/falta-uma-perna-no-plano-de-levy-por-andre-araujo

      E o endereço do post “Para entender o Ministério Público norte-americano, por Motta Araújo” é:

      Eu se fosse você começaria a questionar porque comentaristas com o viés autoritário como o Mucio Linhares da Rocha tem se prestado a mais o acompanhar nos seus posts que o criticar?

      Eu chamei a atenção para o comentário de Mucio Linhares da Rocha mais em razão da dificuldade que eu vejo em poder se qualificar alguém de estadista. E esta dificuldade se destaca quando se vê você e o Daytona divergindo tão fortemente sobre a figura de Winston Churchill. Não sou historiador, você também não o deve ser, pelo menos de modo acadêmico e não sei quanto ao Daytona, mas não haveria razão para se ter opiniões tão antagônicas assim em relação a um líder político que recentemente na comemoração dos 50 anos de morte foi tão incensado na Rede Globo.

      E quanto à crítica que eu tenho feito ao que eu considero seus preconceitos e elitismo, penso que vai ser útil eu ter deixado muitos links, que me pareceram bastantes pertinentes relativamente a este post “A crise de 2008: como Washington salvou Wall Street, por Motta Araújo” de quarta-feira, 25/02/2015 às 10:30, aqui no blog de Luis Nassif e de sua autoria, principalmente porque quase todos eles são de sua autoria. Em todos eu procurei salientar o viés preconceituoso e elitista dos seus comentários. Preconceito e elitismo que gera, em minha avaliação, algo que eu considero problemático na construção do Estado Democrático de Direito e que é o autoritarismo.

      Talvez um bom gerente seja exatamente aquele com mais pendor autoritário. Talvez isso seja até uma característica da presidenta Dilma Rousseff. Na democracia, entretanto, em que vigora o processo de composição de interesses conflitantes, que é uma espécie de luta, mas que não pode ser decidida pela força, a não ser a força da maioria, o modelo autoritário tem de ser amenizado e controlado para poder sobreviver ou ter espaço de atuação.

      E finalizo com outra crítica a você. Em meu comentário anterior eu disse as pessoas não aceitam ou não entendem a natureza perdulária do Estado. Vou reproduzir o que eu disse:

      “As pessoas não entendem isso, porque elas desconhecem o funcionamento do sistema capitalista e a função do Estado como acicate deste sistema ou quando conhecem o funcionamento do sistema capitalista o idealizam e também idealizam o papel do Estado. E é claro que no modelo ideal medidas como o PROER, TARP e QE são uma contrafação e como tal devem ser combatidas.”

      Não pretendi ai dizer que você desconheça o funcionamento do sistema capitalista e a função do Estado, mas cabe em você a crítica de que você idealiza o capitalismo e o Estado. Tenho apontado suas idealizações em outros posts. Você, por exemplo, é muito crítico do fisiologismo, como se o fisiologismo não fosse essencial e inerente ao processo de composição de interesses conflitantes e, ao contrário, fosse algo menor feito por pessoas menores sem a grande capacidade de ver do alto o interesse maior do Estado (Como se este interesse maior do Estado pudesse ser visto por alguém, questão que para você é respondida com facilidade: sim, os estadistas veem lá do alto). Você conhece o funcionamento da democracia representativa, mas a idealiza sendo exercida por grandes homens como os Carvalhos Pintos, os Pedro Aleixos, os Miltons Campos, homens de truz que serviram com afinco ao golpe contra a democracia brasileira.

      E mesmo aqui neste ótimo texto seu, a idealização pode ser vista na seguinte passagem que inicia o seu post:

      “A crise financeira de 2008 foi produzida por ganância extrema e falta de escrúpulos de grandes firmas do mercado financeiro”.

      Você idealiza o sistema capitalista como um sistema de produção e distribuição perfeito que sofre percalços em razão da ganância dos indivíduos vis. Não creio que seja assim. Em minha avaliação, o capitalismo é um sistema de produção e distribuição bastante falho que tem como mola propulsora a ganância dos indivíduos e se mantém devido à correção de rumo feito por pessoas boas, utilizando do próprio instrumento de dominação que é o Estado.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 25/02/2015

  15. Essa eh a chamada “Teoria dos Efeitos Colaterais”

    de autoria do atual procurador getral americano, Eric Holder. A teoria tem sido alvo de duras criticas, simplesmente pelo fato de nao punir executivos. Qual incentivo esses executivos possuem para nao quebrar a lei repetidas vezes? Eh o chamado risco moral. Alem do risco moral, essa pratica institucionaliza o “dois pesos, duas medidas”, onde so pobre paga pelos crimes cometidos. Pelamordedeus gente, nao vamos importar essa canoa furada. Executivo corrupto tem que pagar e ir pra cadeia. Nao podemos garantir a impunidade em nome da estabilidade economica – isso eh inaceitavel

  16. Lendo os comentários parece

    Lendo os comentários parece meio esquizofrênico a situação do Blog, pois fiéis defensores da privatização e da não intervenção estatal na economia se arvoram para defender que o Governo atue para salvar esses mesmo mercado. Por isso que defender sistemas como o Capitalismo é tão sem sentido quando defender alternativos como o socialismo.

    Não se sabe o que quer de verdade, principalmente aqueles que cobram coerência alheia.

    • O mundo está esquizofrênico

      No dia em que os EUA permitirem uma auditoria em Fort Knox, onde nem congressistas americanos entram há mais de meio século aí podemos levar alguma coisa a sério quando esses caras falam em economia, capitalismo, etc.

  17. Antitese

    Eis um método muito bom para  a defesa de qualquer tese. Vejamos.

    1 Olhe para um TODO qualquer. No caso, olhe para os Estados Unidos da América do Norte doravante denominado sistema.

    2 Escolha uma parte deste sistema.

    3 Conquanto o sistema seja aberto, feche-o para evitar a interferëncia de  entropias.

    4 Parta o sistema em pedaços à moda cartesiana para ter a “liberdade” de  fomentar sofismas por indução a seu gosto e para todos os gostos.

    5 Após a divisão deste sistema em fragmentos, siga na defesa de sua tese.

    6 O primeiro passo é COMPARAR. Compare apenas a parte que lhe interessa. Trata-se de selecionar a premissa maior que lhe interessa na conclusão a qual, vale dizer, será inevitavelmente falaciosa. Vejamos a premissa.

    Exemplo:  Como Washingnton salvou a Wall street ( essa é uma parte do “sistema”)

    Em seguida, utilize de outra parte do “sistema” para justificar o suposto “salvamento” em tela. Não se esqueça de compará-la com o sistema de destino.

    Entretanto, desconsidere, por exemplo, a parte do “sistema” que  gerou input, output e feedback  no processo de  EMISSÃO DE MOEDA PARA GERAR CONFLITO DE DISTRIBUIÇÃO noutros cantos do mundo.

    Vencida a etapa da escolha da premissa “importante” , faça a comparaçao mencionada acima.

    Por exemplo:

    Compare o “sistema” Brasil, como uma parte do sistema precitado.

    Desconsidere a falta de possibilidade de emitir papel pintado( moeda verde) para gerar conflitos de distruição noutros cantos.

    Pronto. Processo concluído.

    Aguarde o aplauso  dos desavisados seguidores.

    Eu, por outro lado, acuso a falácia exposta no post acima.

    Saudaçoes

     

  18. Concordo com Motta Araujo.

    Nesse caso concordo com Motta Araujo. Vão deixar as empresas quebrarem? Como fica o expertise acumulado?  O Lula, a própria Dilma já disseram que não havia nada no governo quando chegaram, tiveram que fazer do zero,  por isso até hoje muitos programas do governo não avançam como deveriam. E os trabalhadores, como ficam? A Dilma tem que salvar essas empresas, que exija uma contrapartida correta. Melhora na gestão e tudo mais, mas tem que salvar. Isso deve serfeito as claras, a presidenta tem que dizer,olha não dá para deixar essas empresas quebrarem, porque o país precisa delas. 

  19.   Existe um coisa nos EUA,

      Existe um coisa nos EUA, que é de causar inveja em qualquer cidadão brasileiro, é o sentimento de autopreservação do país. Cada americano se sente parte de uma nação. É esse sentimento que faz com eles atravessem crises apenas com ranhuras, mas sem racharem. Foi esse sentimento que fez com que os americanos engolissem a maior fraude eleitoral dos tempos  modernos e permitiu a elição George W. Bush. Se ocorre a recontagem do votos os EUA se desintegraria. 
    p.s.: Esse sentimento é tão forte que chega a cooptar alguns vira-latas aqui nos trópicos.

    • Somos muito engraçados….
      Muito bom seu comentário e ao me perguntar sobre sobre isso me deparo com a palavra DESCONTINUIDADE. Ai percebo que o brasileiro adoramos apressar a roda da criaçāo e destruiçao ou, noutras palavras, acabar com tudo para recomeçar do zero. Parece que continuar algo då tedio. Sofreriamos nós de uma espécide déficit de atençao coletivo algo parecido com a criança que se encanta com o brinquedo que recebeu de mamae mas que nao demora joga-lo no mato para deleite de uma outra crianca de olho naquele brinquedo? Seriamos nós entao eternos meninos tolos…alias este termo foi usado por Bresser Pereira para se referir a Privataria Tucana quando nossos brinquedos foram desvalorizados ao maximo para o deleite dos abutres de olho nas nossas riquezas: George Soros ta salivando…Ah…ainda sobre descontinuidade…enquanto os EUA tem ferrovias seculares na decada de 90 as nossas foram transformadas em ferro velho e hoje o pais esta parado e com risco de desabastecimento patrocinado pela greve politizada dos caminhoneiros que estao sendo usados para derrubar Dilma. Quando foi mesmo a ultima vez que os EUA destituiram um presidente la..
      La ne pq cá pelo menos a partir daria dėcada de 50 nao temos ultrapassado a barreira dos 30 anos sem derrubar o presidente e sempre com as mãos invisiveis do Tio Sam
      …ca sr …
      Vai ai um recadinho de Soros…me passa logo esse brinquedo fedido chamado Petrobras..sigam os conselhos de vossa imprensa..alias o q vcs tem feito a partir de 1954 quando os baroes da midia passaram a se imiscuir nos vossos destinos…tio George Soros agradece candidamente caso vcs nao queiram mais esse brinquedinho chamado Petrobras….de coraçao a Globo ja deu seu premio a Moro por causa da Lava Jato uma especie de montanha construida com muito estardalhaço e intensa exposição na midia para ao final parir um rato ….afinal de contas a emenda ficou pior que o soneto: os ladroes roubaram 2.1 bi da Petrobras….mas os prejuizos causados ao pais por causa do show do Lava Jato ja chegam perto de 1 trilhao de reais…e com a agravante de que as causas da corrupcao serao mantidas intactas…vide bloqueio do Congresso aos mecanismos legais da democracia participativa…vide PEC da bengala…vide pec do financiamento privado de campanhas eleitorais…vcs brasileiros sao tao engraçados…kkkkk…diria Obama…,
      Ou no minimo incoerentes….quem nos fez assim ou melhor: Que espertalhoes nos molda assim nós bobinhos no dia-a-dia? Quem nos torna assim? Que interessem movem a fabrica de modelagem que nos fazem assim
      Ah sim…apoiemos sem pestanejar e no primeiro clique da midia incluido aqui o whatsup os rodoviarios que, nos proximos rounds virarao esse pais de cabeça pra baixo para que a nossa malha ferroviaria nao entre em operação….concordo tio Jorge…realmente somos um povo pra la de estranho….e poe esquisitice nisso…ou seria apenas ignorancia e a pio delas: Aquela que nos impede de abrir a cachola para o conhecimento pq estar atento pode ser muito perigoso….

      • Excelente comentário! “Triste de um povo que esquece a sua histó

        Excelente comentário! “Triste de um povo que esquece a sua história”.

        A frase exata é levemente diferente, ainda que seu significado seja o mesmo: “Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”. Ela foi escrita por George Santayana, pseudônimo de Jorge Agustín Nicolás Ruiz de Santayana y Borrás, um filósofo, poeta e ensaísta espanhol que fez fama escrevendo em inglês.

        O aforismo aparece em A Vida da Razão, livro publicado em 1905. Mais precisamente no volume I, ali no capítulo XII, bem neste seguinte parágrafo: “O progresso, longe de consistir em mudança, depende da capacidade de retenção. Quando a mudança é absoluta, não permanece coisa alguma a ser melhorada e nenhuma direção é estabelecida para um possível aperfeiçoamento; e quando a experiência não é retida, como acontece entre os selvagens, a infância é perpétua. Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”.

        Na realidade, quis fazer essa introdução para postar esse texto retirado de um blog portugues e que em muito se assemelha com uma certa república das bananas. Pode-se até fazer um exercício de trocar palavras de certos eventos.

        “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”

        Posted on 04/10/2012 | 6 Comentários

        “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”, disse há cerca de 50 anos Ernesto Ché Guevara. Há 50 anos, Portugal era um país no seio de uma ditadura. O povo queixava-se. Eramos “atrasados” e a nossa cultura era fraca. Reinavam os “3 éffes” – Fátima, Fado e Futebol. Veio uma revolução, a ditadura caiu. De forma atabalhoada, é certo. Em 38 anos tivemos 19 governos: Em média, isto significaria um governo por cada dois anos. Durante a 3ª Républica, o FMI actuou duas vezes em Portugal, em 77 e 83. Passados 30 anos, voltámos a deixar que a história se repetisse e voltamos a ter o FMI no nosso país. Criticou-se Salazar durante anos, mas acabámos por colocar o país nas mãos de quem nos levou à bancarrota, quando, apesar de tudo, Salazar nos deixou um país moderadamente rico. Era um povo pobre, num país rico. Hoje, somos um povo pobre num país pobre…

        Passadas quase 4 décadas da revolução dos militares, somos um povo livre… um povo livre que escolheu continuar a ser “preso”. Preso na cultura, preso no pensamento. Os 3 éffes, Fátima, Fado e Futebol continuam: Futebol – O país pára para ver o Benfica e a Selecção jogar. E se ganharem, adeus crise!; Fado (música) – Portugal é um dos países da europa com mais festivais de música e todos eles estiveram cheios este ano, um dos anos em que mais se falou de crise; Fátima – talvez o ponto onde o decréscimo foi maior, mas continuamos a nos “distrair” bastante com isto. No fim de contas, um país já endividado parou em 2010 para receber o Papa com custos e implicações astronómicas.

        A somar a tudo isto, continuamos a não nos querer cultivar. Somos um povo cujos governantes ponderam agora fechar a RTP2, o único canal em sinal aberto que emitia programas culturais, e ainda assim isso não nos faz confusão. Dos restantes 3 canais… venha o diabo e escolha. Somos um povo que prefere ver “Big Brothers”, “Casas dos segredos” e telejornais sensacionalistas da TVI (mas que muda de canal quando o Marcelo Rebelo de Sousa nos dá uma aulinha semanal de cultura). E digo prefere e reitero esta palavra porque é o que de facto se passa, por mais que nos queiramos enganar com a célebre frase “não há nada melhor para ver”, quando gastámos quase 50€ para ter em casa mais de uma centena de canais. Fala-se de quem entrou, quem saiu e do que se fez nesses programas sensacionalistas. Vivemos demais a pensar na vida dos outros… Toda a noite vemos telenovelas. Horas e horas de histórias de encantar e não só, talvez para tentar fugir a este nosso mundo triste e desesperante. Há 50 anos não tínhamos computadores e queixávamo-nos de não ter acesso à informação. Hoje usamos os nossos computadores super-rápidos, com maravilhosas ligações à internet para jogar aos quintais no facebook e para partilhar a fotografia bonita do cãozinho e do gatinho. Cultivarmo-nos? Náaa…

        Não lemos! Sim. Não lemos. Por um lado, como dizia um professor universitário meu, “ler o jornal do metro não conta!”. Por outro, lemos livros que são… como o António Lobo Antunes disse, “livros maus que as pessoas compram às grosas”. Maltratamos todos os dias a nossa língua portuguesa e quando isto acontece, ainda introduzimos um acordo ortográfico de carácter duvidoso. Mas continuamos a maltratá-la e nem sequer nos preocupamos em corrigir.

        Mas tal como comecei esta minha “divagação”, um povo que não se preocupa em saber a sua história, está condenado a repeti-la. Em tempos, perguntaram-me o porquê de ensinarem história na escola básica e secundária, “o que é que ganhamos com isso?”. Ora bem, é com a história que aprendemos a não cometer os mesmos erros. É com a história que sabemos como foi o nosso caminho até agora, e o porquê de existirem certas situações. Mas atenção! Há que a ensinar como deve ser. No meu tempo, repetíamos a história da carochinha dos Romanos, dos Gregos… e depois a lengalenga dos Reis de Portugal. Mas curiosamente chegávamos à nossa história mais recente, aquela que importa para sabermos o porquê de estarmos como estamos, e nos poderá ajudar a ser cidadãos mais capazes e… subitamente, em 3 ou 4 frases os últimos 70 anos da nossa história tinham sido resumidos. Estado novo? Ditadura? 25 de Abril? 25 de Abril foi uma revolução bonita, aquela, a dos cravos. Ah, e foi no dia 25! E o pós-25 de Abril? Demasiado tabu, este assunto? Pois claro! Ao fim e ao cabo, quem escolhe os programas curriculares do ensino? Aqueles para quem a cultura do povo é mais apavorante, os políticos. Já alguém dizia por aí que “um povo culto é um povo ingovernável”.

        Continuamos a não aprender com quem devemos! Com os bons exemplos! Eles existem, mas continuamos a ignorá-los. Sim, porque todos sabemos quem é o plantel do Benfica e sabemos a “história” de todos aqueles que participam na Casa dos segredos. Mas ninguém sabe a história dos grandes. Ninguém se lembra que temos um Rui Nabeiro que diz que não pensa pela cabeça da Troika e de cuja boca nunca se ouviu falar da palavra crise. Bem perto de nós, temos um Álvaro Santos Silva, que após um incêndio na sua empresa em 2011, que os telejornais sensacionalistas apressaram a ditar como o fim para a mesma e para um grande número de postos de trabalho, foi homem para arregaçar as mangas e reconstruir tudo, sem perder um único posto de trabalho. Temos que deixar de ser pessimistas. E temos que deixar de ficar à espera dos subsídios do governo. Temos que deixar de ficar à espera do governo.

        Somos os primeiros a ir para a rua para manifestações bonitas, aos solarengos sábados à tarde, para lisboa, para ouvir os Homens da Luta a tocar umas canções, e beber umas “jolas” pelo caminho. Pois eu, eu sempre duvidei destas manifestações. Porquê? Perguntam? Primeiro de tudo, porque a maioria das pessoas que para lá vai, não sabe nem o que vai reivindicar nem como o vai fazer. Só se vai mandar umas bocas para o ar. Em segundo lugar, porque somos um país de calões: quando é para assinar o livro de reclamações de determinado estabelecimento que nos está a prejudicar, quando é para fazer força perante determinado problema, ninguém o faz. “ah, dá muito trabalho”. “ah, hoje não me dá jeito”. Porque somos os que agora pedimos empregos, mas fomos os primeiros a comprar os produtos dos chineses, aqueles que recebem 2€ por dia para trabalhar num cubículo de 4×4 onde milagrosamente cabem 40 pessoas a trabalhar, e não nos lembrámos que talvez… talvez isso pudesse levar a uma repercussão nas condições de trabalho e nos postos de trabalho em si em Portugal, bem com à falência de empresas. E depois de tudo já ter acontecido, continuamos a não comprar produto português. Mas a culpa não foi nossa… nós eramos incultos e não nos apercebemos disso. Nunca ninguém nos tinha ensinado ou alertado. Preocuparam-se mais em nos ensinar factos, em vez de nos ensinarem a pensar um pouco.

        Em 1963, Zeca Afonso entoava que os “vampiros” “comem tudo e não deixam nada”. Vivíamos então em ditadura. 50 anos depois, hoje, continuamos com vampiros. Quem são eles? Para onde vão? E para onde nos levam…? E nós? Que papel temos no meio disto tudo? Somos um país de aparências, de palmadinhas nas costas e continuamos a deixar-nos comer por parvos. Somos uns… “portuguesinhos”…

        Fontes:

        1. http://super.abril.com.br/blogs/superblog/frase-da-semana-aqueles-que-nao-conseguem-lembrar-o-passado-estao-condenados-a-repeti-lo/

         

        2. https://pedromoliveira.wordpress.com/2012/10/04/um-povo-que-nao-conhece-a-sua-historia-esta-condenado-a-repeti-la/

         

         

         

  20. O Brasil tem que parar de ser governado pela mídia.

    O que vemos nesses últimos 12 anos de governo petista é a mídia governando o país, e sempre para o pior. Isso tem que acabar, o partido do governo tem que governar o país, para frente e não para trás, para a bancarrota em meio a tanta riqueza.

     

    Pois é, a mídia que nos fazer miserável em meio a riquezas descobertas.

  21. Exemplo de quê?

    EUA foram exemplo em 2008? Caríssimo MA, AA – ou como queira ser chamado -, já falei disse aqui em outra ocasião, como pode ser constatado nos links abaixo.

    http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/crise-europeia-mecanismos-economicos-e-crise-politica;

    http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-responsabilidade-da-crise-de-2008.

    São minha análise dos eventos, baseados nos fatos ocorridos – sujeitas à questionamentos e dúvidas, mas mesmo assim bem embasados e abertos a quem quiser debater. Só uma coisa precisa ficar clara a vc e a todos os leitores do blog: não dá pra vc distorcer de forma tão acintosa a realidade dos fatos, afirmando ser vitória uma ação tão absurdamente amadora como foi a resposta dos EUA à crise – e a transformação de um déficit privado em público com dinheiro dos contribuintes!

     Abs.

    • Não é ação amadora transformar débito privado em público

       

      Waldyr Kopezky (quinta-feira, 26/02/2015 às 19:08),

      Não sei a sua formação, que me pareceu de um economista historiador. Eu sou leigo em economia, embora carregue mais de quarenta anos de acompanhamento constante da economia brasileira e mundial.

      Não compreendi ou talvez devesse dizer mais diretamente tenho críticas ao seu questionamento expresso na frase a seguir:

      “Só uma coisa precisa ficar clara a vc e a todos os leitores do blog: não dá pra vc distorcer de forma tão acintosa a realidade dos fatos, afirmando ser vitória uma ação tão absurdamente amadora como foi a resposta dos EUA à crise – e a transformação de um déficit privado em público com dinheiro dos contribuintes!”

      Você acusa Andre Araujo ou Motta Araujo de distorcer propositadamente a realidade dos fatos. E o que seria essa distorção proposital? A transformação de uma ação amadora em ação a ser glorificada. E por que não caberia louvar a ação dos Estados Unidos como resposta a crise de 2008? Porque a ação americana, que, na sua opinião, deve ser considerada como ação amadora, transforma dívida privada em dívida pública.

      Bem, eu não havia visto no texto de Andre Araujo ou Motta Araujo alguma distorção proposital. E quando comecei a ler o seu texto achei forte essa sua acusação ao Andre Araujo ou Motta Araujo de ele “distorcer de forma tão acintosa a realidade dos fatos”. E sair à espera da demonstração da distorção. E você a mostrou logo em seguida. Simplificando poderia dizer que para você é distorção proposital porque qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento sabe que transformar déficit privado em déficit público é ação amadora a que se deve fazer críticas e não ação a merecer elogios. Não concordo com você, e fico temeroso da minha discordância ser fruto de eu não ter esse mínimo de conhecimento.

      Por motivos que eu não saberia explicar, às vezes o blog de Luis Nassif dá algum tilt e não se consegue acessar os endereços indicados. Você deixou dois endereços nos seus comentários e imaginei que lá iria encontrar mais informações sobre a razão para você ter considerado como amadora uma ação que transforma déficit privado em déficit público. Nas duas tentativas que fiz, apareceu a informação de que aquele endereço não mais existia. Tive que sair a cata dos dois endereços que você deixou para completar a leitura. Não vi nos endereços indicados algo que pudesse dar mais fundamento a sua frase. Hoje o problema não apareceu e eu pude ir direto nos posts para os quais você deixou os links e os li com mais atenção. Não mudei de opinião.

      O primeiro endereço é para o post “Crise européia, mecanismos econômicos e crise política” de domingo, 20/05/2012 às 09:00, aqui no blog de Luis Nassif e consistindo de comentário seu enviado para o post “G8 e a saída para a crise na Europa” de sábado, 19/05/2012 às 16:10, aqui no blog de Luis Nassif com a transcrição da matéria do Correio Braziliense “G8 quer uma zona do euro ‘forte’ com a Grécia e estimular o crescimento” reproduzindo reportagem da France Presse sobre reunião dos líderes dos países do G8, em que eles se comprometeram a “estimular o crescimento”.

      Seu comentário enviado domingo, 20/05/2012 às 00:01, e transformado no post “Crise européia, mecanismos econômicos e crise política” é denso, bastante longo e historia bem em 8 longos itens o que os países desenvolvidos tinham feito para enfrentar a crise.

      Só que não há nada que possa contribuir para fundamentar sua afirmativa de que as ações tomadas pelos governos sejam ações amadoras. O que justifica sua afirmação é sua convicção de que transformar déficit privado em déficit público é ação amadora.

      E quanto ao segundo endereço ele é referente ao post “A responsabilidade da crise de 2008” de segunda-feira, 21/05/2012 às 08:02, aqui no blog de Luis Nassif e também com um texto de sua autoria, sendo que o seu também ótimo texto é originário da resposta que você dá aos comentários de Roberto São Paulo e Flávio Reis junto ao post “Crise européia, mecanismos econômicos e crise política”, tendo apenas sido retirado do seu comentário a referência que você faz aos dois comentarista.

      Concordo com praticamente todos os itens do seu comentário que virou o post “Crise européia, mecanismos econômicos e crise política” e concordo com quase tudo que você diz no comentário enviado domingo, 20/05/2012 às 19:15, para junto do post “Crise européia, mecanismos econômicos e crise política” e que foi transformado no post “A responsabilidade da crise de 2008”. O único aspecto de que eu discordo é o que você diz no penúltimo parágrafo que transcrevo a seguir, utilizando como original o comentário e não o post, repartindo o parágrafo em quatro. No primeiro trecho você diz:

      “Flávio Reis, não se engane: os Estados nacionais não tiveram NADA que ver com a crise de 2008, em termos de rombo por má gestão ou prática temerária. Prova disso é que vários países (mesmo desenvolvidos) viveram décadas com oscilações constantes em seus fluxos de liquidez – um ano no azul, outro no vermelho – e isso jamais causou uma crise econômica no mundo. E menos ainda uma como a de 2008, pior do que a de 1929”.

      Concordo com você, tendo transcrito o trecho acima apenas para mostrar a sua linha de argumentação.

      Em seguida você diz:

      “Se há que se identificar uma responsabilidade dos Estados nacionais nessa crise, ela seria a da total falta de percepção no perigo de um processo (gradual) de desregulamentação das economias e dos fluxos de capitais (privados e migrantes), que vão e vêm nesse (novo) ambiente de economia globalizada”.

      Mais uma vez concordo com você. Esse segundo trecho deveria vir com frase seguinte que eu preferir separá-la para apresenta-la isoladamente a seguir. Nela você diz:

      “À miopia do Obama e do Bernanke somaram-se anos de governos (Reagan, Clinton, Bush) implementando políticas econômicas que destruíram qualquer capacidade de inferência ou mínimo controle nas ações dos players de seu mercado financeiro”.

      Aqui eu identifiquei uma discordância. É uma discordância de conteúdo, mas que eu apresento primeiro como discordância de forma. O problema diz respeito à apresentação de duas críticas englobadas em uma só, mas se referindo a dois aspectos distintos. Em meu entendimento é certo dizer que “anos de governos (Reagan, Clinton, Bush) implementando políticas econômicas que destruíram qualquer capacidade de inferência ou mínimo controle nas ações dos players de seu mercado financeiro” permitem atribuir “uma responsabilidade dos Estados nacionais nessa crise”. Então o trecho final da frase com a qual eu tenho discordância se refere ao que fora dito no período anterior.

      Assim teria sido melhor que esta sua crítica viesse separada da sua referência “à miopia do Obama e do Bernanke”, pois a miopia dos dois é uma crítica voltada para o aspecto da ação tomada pelo governo e que será o assunto tratado no restante do parágrafo. Então, a referência à miopia do Obama e do Bernanke deveria vir no final da frase e não no início. Esta é, entretanto, mas uma crítica de forma.

      A crítica de conteúdo diz respeito a você fazer referência a uma suposta miopia de Obama e Bernanke na sua avaliação sobre a ação tomada pelo governo para enfrentar a crise como se pode observar na quarta parte do penúltimo parágrafo. Transcrevo essa quarta parte a seguir:

      “Coisa [A miopia de Obama e de Bernanke] que não ocorreu no Brasil, já que BB e CEF são empresas que atuam competindo no mercado com seus pares privados e pressionaram estes a uma liberação de crédito que mantivesse o aquecimento da economia – por decisão POLÍTICA do Governo Lula, que apostou em uma ação de risco maior e lucro incerto (mas não improvável) e contra toda a opinião (insidiosa, pois ensaiada com os agentes privados) de seu staff econômico encabeçado pelo Henrique Meirelles”.

      Antes de comentar o quarto trecho transcrito acima transcrevo o último parágrafo do seu comentário e com o qual não teria muito mais razões para discordar além das que apresentarei em relação ao quarto trecho do seu penúltimo parágrafo:

      “Tudo o mais é ilusão que obnubila (adoro essa palavra!) a realidade dos fatos. Abs”

      O que eu discordo do seu comentário é você não considerar as distinções entre o Brasil e os Estados Unidos e nem considerar a semelhança das ações brasileiras e americanas diante da crise.

      No primeiro momento o governo dos Estados Unidos simplesmente comprou as dívidas privadas dos Bancos. Na sequência é que eles utilizaram o QE1, 2 e 3. Utilizaram o mecanismo do Quantitative Easing porque não adiantava incentivar os bancos a abrir linha de crédito porque o nível de endividamento do setor privado era muito elevado. No Brasil esse nível era baixo.

      E há mais diferenças. Nos Estados Unidos a inflação já era reduzida desde antes da crise de 2008, sendo que 2007 foi um ano de pequeno crescimento econômico e, portanto, sem problemas inflacionários apesar do aumento do preço de commodities. Então eles tinham espaço para no primeiro momento aumentar o déficit. E tanto via TARP quanto via QE, o efeito monetário com a maior disponibilidade de dólar na economia, em que as famílias tinham reduzido a propensão a gastar, foi a desvalorização do dólar em relação às outras moedas.

      O Brasil vinha de taxas de crescimento da economia crescentes, quando se considera a comparação de um trimestre com o trimestre imediatamente anterior desde 2006. Se não houvesse a crise de 2008, o crescimento de 2008 seria próximo de 6%. O governo reagiu bem à crise, mas não era a única opção a ser tomada, embora fosse a mais adequada para a eleição da candidata Dilma Rousseff. A outra opção era deixar que o câmbio a 2,4 que ele chegara permitisse a recuperação econômica do Brasil via comércio exterior. Penso que o governo temeu que esse crescimento não se efetivasse de imediato e partiu para o incentivo do mercado interno que rapidamente levou o país a crescer a taxas maiores do que as taxas de final de 2007 e início de 2008 e que tiveram como grande retorno a eleição da Dilma Rousseff. Agora para fazer isso o governo teve que ir valorizando o real e Lula entregou o câmbio a 1,7 para a presidenta recém eleita. E cresceu a dívida pública.

      Faço aqui um parêntese. O grande mérito da presidenta Dilma Rousseff foi fazer o controle do crescimento que já começara a gerar bolha na construção civil (Segundo o Banco Central indícios de bolha apareceram em 2009) sem que a bolha estourasse. Foi um processo lento de reversão do crescimento até que a economia volta a crescer com taxas ínfimas em 2011. Assim a partir do segundo semestre de 2012, a economia voltou a crescer apresentando altas taxas de crescimento do investimento no final de 2012, e nos dois trimestres iniciais de 2013. Tudo parecia que a economia iria se relançar quando houve uma tremenda reversão no terceiro trimestre de 2013, e a partir dai com o problema da pressão do dólar em 2014 que afetou os países emergentes, a economia brasileira perdeu o ritmo.

      Agora a semelhança dos dois modelos de enfrentamento da crise foi que o Estado também criou déficit público ao capitalizar os bancos estatais para os permitir aumentar a oferta de crédito.

      O cerne de minha crítica consiste em não ver validade em você qualificar como “uma ação . . . amadora . . . a transformação de um déficit privado em público”. Ao que me parece você sofre ai do mesmo mal que acomete Andre Araujo ou Motta Araujo e ponto em que eu centrei foco no comentário que eu enviei quarta-feira, 25/02/2015 às 14:16, para ele e coloquei junto ao meu comentário enviado enviei quarta-feira, 25/02/2015 às 21:19, aqui para este post “A crise de 2008: como Washington salvou Wall Street, por Motta Araújo” de quarta-feira, 25/02/2015 às 18:30 (Originalmente de 10:30).

      O mal que eu vejo nessas análises que de certo modo eu considero corretas é que elas idealizam o Estado. Para vocês o Estado é um ente neutro e que deve aplicar as políticas públicas sem nenhum viés. Ora, antes de tudo o Estado é um instrumento de dominação. Sem Estado não há capitalismo. É o Estado que permite o crescimento interminável da economia. Quando o Estado não mais cumprir esta tarefa e o capitalismo estagnar-se economicamente, por certo que o capitalismo terá que se superar.

      No momento atual não há ação do Estado que possa ser contra o capitalismo. Contraditoriamente, o capitalismo caminha para a sua superação via o Estado, não significa essa contradição que Estado e capitalismo sejam antagônicos. Tirar a dívida do setor privado e levar a dívida para o setor público quando isso for necessário para recuperar a economia é demonstração de profissionalismo e não de amadorismo.

      De certo modo, a frase de Timothy Geithner que eu transcrevi no meu comentário enviado quarta-feira, 25/02/2015 às 14:16, post “A crise de 2008: como Washington salvou Wall Street, por Motta Araujo” e que volto a transcrever a seguir explica bem este papel do Estado. Ao dizer da necessidade de um Estado tomar mais empréstimso, gastar mais e expor os contribuintes a mais risco de curo prazo, ele acrescenta “mesmo se isso parecer uma recompensa à incompetência e à corrupção, mesmo se alimentar percepções de um governo tirânico, perdulário, explorador, emiissor exagerado de dinheiro e alucinaldo por operações de socorro”.

      Bem quanto ao débito público ou privado eu recomendaria entrar no google com a seguinte expressão: Paul Krugman Debt is money we owe to ourselves. Se tiver tempo dá para ir até 2010 nos links que aparecem para aprender um tanto com Paul Krugman ou se quiser com os críticos de Paul Krugman. Aliás, se não fosse o fato de Luis Nassif ter retirado da internet os posts da época de Projetobr, fazendo um desserviço à disseminação da informação, eu deixaria para você como uma oportunidade de ouro o link para o post “O problema é o BC” de domingo, 03/02/2008 às 23:58, no antigo blog de Luis Nassif Projetobr em que ele transcreve a entrevista de Marcio Pochmann, do IPEA, a Lu Aiko Otta, do Estadão de domingo, 03/02/2008. Diante da seguinte pergunta de Lu Aiko Otta: “Como se pisa no freio, já sabemos. Como se pisa no acelerador?”, Marcio Pochmann respondeu:

      “Estamos vivendo um ciclo de expansão da economia fundado nos investimentos. Temos hoje uma poupança enorme. A dívida pública no Brasil é de 43%, 44% do PIB (Produto Interno Bruto). É dívida, mas é crédito”.

      E diz mais, mas o trecho aqui que me interessa é só esse principalmente na parte que diz “É dívida, mas é crédito”. Aliás, “Thomas Malthus defendeu, em 1820, a idéia de que era necessário aumentar os gastos públicos para estimula a demanda agregada e o crescimento econômico”. Coloquei esta frase entre aspas, porque a retirei da página 3, numerada 235, em nota ao pé da página do texto “Gastos Públicos no Brasil são Produtivos?” de autoria de José Osvaldo Cândido Júnior, e que obtive no endereço a seguir:

      http://www.ipea.gov.br/ppp/index.php/PPP/article/viewFile/77/88

      É claro que os gastos públicos só podem ser financiados por emissão de dinheiro, receita tributária ou empréstimos. Enfim, aumentar a dívida pública é uma forma de aumentar o crescimento econômico.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 26/02/2015

  22. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome