4 de junho de 2026

Considerações técnicas sobre a queda do avião de Eduardo Campos

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Jornal GGN – Equipes da Aeronáutica, Polícia Civil e Federal estão envolvidas na investigação sobre a causa da queda do avião que levava Eduardo Campos e sua equipe, um fotógrafo, um cinegrafista e dois assessores, além dos pilotos, a Santos.

De acordo com pilotos consultados pelo Jornal GGN, só é possível ter uma resposta certa sobre o motivo da queda do avião com a caixa-preta. Ela está sob investigação no laboratório de análise de dados de gravadores de voos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

Ontem (13), o Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA IV) informou ao GGN que enviou uma equipe ao local para buscar o equipamento, e que não havia previsão para o relatório ficar pronto.

Entretanto, algumas constatações sobre o que ocorreu com o Cessna 560XL, um dos modelos do Citation XLS+, já podem ser desenhadas.

Uma delas é a pista de pouso.

O Aeroporto de Guarujá ainda está em negociação de concessão da Secretaria de Aviação Civil (SAC) para atuar em atendimento a voos comerciais e civis. É uma pista da Base Aérea de Santos e, até dezembro do ano passado, recebia apenas as operações militares. Até 2005, a base sediava as atividades do Esquadrão Gavião da Força Aérea Brasileira. Depois, passou a ser pouco utilizada, porque se tornou uma base de desdobramento, em apoio a deslocamentos específicos ou treinamentos militares.

Há mais de dez anos, o governo local pleiteava a outorga do aeroporto, que foi inaugurado ainda na década de 30. No fim de 2013, foi oficializado o repasse da administração do aeroporto do governo federal para a prefeitura implantar o Aeroporto Civil Metropolitano de Guarujá (ACMG). Mas ainda está sem concessão.

A pista tem 1.390 metros de extensão e 45 metros de largura. São 40 metros a mais de extensão que a considerada curta pista do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Uma das modificações previstas no Plano Diretor seria o aumento para 1600 metros, mesmo que o atual comprimento já permitiria o uso para aeronaves com capacidade de até 160 passageiros.

Mas, de acordo com um documento de Especificação e Descrição (anexo) do modelo Cessna usado pelo candidato a presidente, Eduardo Campos, o comprimento necessário para o jato pousar é de 969 metros, nas condições de vento zero, com superfície plana e dura e pista seca – condições diferentes às do voo de Campos.

As condições de chuva podem, portanto, ter interferido no momento de pouso.

Outro fator a ser considerado é que os dois motores do avião localizam-se na cauda.

Segundo os pilotos, os aviões bimotores são feitos para voar com apenas uma turbina. Em caso de acidentes, uma vez que uma das turbinas pega fogo, o piloto automaticamente tenta controlar o avião pelo leme da direção, para compensar o desequilíbrio. Mas os motores do Cessna 560XL localizam-se na cauda, onde também fica o leme das aeronaves.

Assim, se por motivos diversos, pelo menos um dos motores desse jato pegar fogo, o piloto perde o controle da aeronave e cai.

Diferentes situações podem levar a turbina pegar fogo. De falhas mecânicas, no qual, por exemplo, uma das palhetas da hélice quebra e pode induzir o incêndio da turbina, até falhas externas, quando pássaros entram no motor.

 

Em qualquer voo, a fase mais crítica é logo na arremetida, quando é ativada a potência máxima do motor. As chances são maiores de a aeronave cair ainda nesse momento, se o erro for do piloto na hora de arremeter.

No caso do Cessna 560XL, seria nos primeiros 1.085 metros de altitude, que é a distância que esse avião precisa para concluir a fase de decolagem. Por isso, o especialista entende que o acidente não parece ser responsabilidade do piloto, em um primeiro momento.

O piloto do jato que levava Eduardo Campos seguiu corretamente a carta de aproximação por instrumentos, da Base de Santos, e entrou à esquerda, logo após arremeter. Em seguida, perdeu o contato com a torre de controle de tráfego aéreo. No caminho, antes de concluir a curva e voltar à posição de pouso, o avião caiu.

Quando o motor é travado, seja por um pássaro ou por um pedaço de hélice, rompe a tubulação de combustível, o que ocasiona o fogo. Os pilotos são treinados em simulador para agir com prioridades nessas situações.

De acordo com a cultura de tráfego aéreo brasileiro, em primeiro lugar, o piloto deve subir até a altura de segurança, que é acima de 1.000 pés (300 metros). O segundo passo é verificar para onde está indo – para evitar o risco, por exemplo, de colidir em regiões montanhosas. Em terceiro e último lugar, comunicar-se com o copiloto para decidir o que fazer, as tentativas de apagar o fogo.

Entretanto, é consenso entre os pilotos que o Cessna é um jato seguro. Com peso máximo de decolagem, é capaz de atingir 45 mil pés, o equivalente a 13.716 metros, em 29 minutos. E sua velocidade máxima chega a 816 km/h.

Confira outras características do avião:

 

ANEXO: DOCUMENTO CESSNA

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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11 Comentários
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  1. alfredo machado

    14 de agosto de 2014 11:21 pm

    Tudo solucionado

    Nassif,

    O irresponsável do Olavo de Carvalho não precisa de caixas pretas, pois tem a sua própria bola de cristal.

    Quanto à tucana destrambelhada, deve ser uma zé ninguém, logo, não faz qualquer diferença aquela sua opinião.

    Entendo que a falta de respeito com relação ao acidente extrapolou o limite do razoável.

    A partir do 247,

    GURU DA DIREITA, OLAVO DE CARVALHO INSINUA CULPA DE DILMA NA MORTE DE CAMPOS

    :

     

    “O governo torna sigilosas as investigações de acidentes aéreos e poucos dias depois já vem um acidente aéreo politicamente relevante. Ou o acaso está gozando da nossa cara, ou não é acaso”, disse Olavo de Carvalho no Facebook; além dele, a candidata a deputada estadual pelo PSDB paulista, Dany Schwery, publicou imagem de Dilma com a imagem: “Te cuida Aécio; o próximo é você”

     

    14 DE AGOSTO DE 2014 ÀS 08:18

     

     

    247 – Em meio a tragédia da morte de Eduardo Campos, dois nomes da direita brasileira exploram o caso nas redes sociais de forma política. 

    Considerado o guru da direita, Olavo de Carvalho insinuou no Facebook a culpa da presidente Dilma Rousseff na morte de Campos (PSB): “O governo torna sigilosas as investigações de acidentes aéreos e poucos dias depois já vem um acidente aéreo politicamente relevante. Ou o acaso está gozando da nossa cara, ou não é acaso”. 

    Além dele, a candidata a deputada estadual pelo PSDB paulista, Dany Schwery, publicou imagem de Dilma com a imagem: “Te cuida Aécio; o próximo é você”.

    Leia o post de Renato Rovai sobre o assunto:

    Olavo de Carvalho e candidata tucana culpam Dilma por acidente de Campos

    Olavo de Carvalho, que é considerado filósofo por “gênios” do estilo de Roger, o ex-cantor e pretenso humorista, postou a seguinte mensagem no seu Facebook, às 14h de hoje:

    “O governo torna sigilosas as investigações de acidentes aéreos e poucos dias depois já vem um acidente aéreo politicamente relevante. Ou o Acaso está gozando da nossa cara, ou não é acaso.”

    A bizarra insinuação tinha quase 3 mil curtir e um pouco mais de quatro mil compartilhamentos à meia noite.

    Entre outros que tiveram a atitude de fazê-lo, está a candidata a deputada estadual pelo PSDB paulista, Dany Schwery, que já foi motivo de dois pots aqui e aqui neste blogue quando candidata a vereadora, em 2012.

    Dany tentou ser mais direta e engraçada do que Carvalho e publicou o meme que ilustra este post.

    Depois de ser contatada por, segundo ela, pessoas do partido, retirou-o da página. Mas não sem antes ameaçar petistas e dizer que nunca faria isso não fosse a possibilidade de que a atitude respingasse no seu candidato, Aécio Neves.

    Dany teve uma votação ridícula em 2012, apenas 507 votos. O que permite dizer que não será eleita novamente. Mas o PSDB paulista não abre mão de ter gente como ela na sua chapa. O que diz mais sobre o tucanato paulista do que sobre Dany.

    Vi também gente que se afirma do PT e de outros partidos de esquerda fazendo comentários lamentáveis sobre o acidente que vitimou Campos, mas nenhum deles pleiteava cargos políticos ou tem qualquer nível de representação partidária.

    O mínimo que um partido decente faria com uma candidata que formula este tipo de aberração é cassar a sua candidatura. Para que não venha a ser confundido com ela. Com a palavra os candidatos a presidente pelo partido, Aécio Neves, e a governador, Geraldo Alckmin. E claro, o sempre atento, José Serra, que disputa o Senado pelo PSDB, e é apontado como a liderança política de Dany.

     

     

    “O governo torna sigilosas as investigações de acidentes aéreos e poucos dias depois já vem um acidente aéreo politicamente relevante. Ou o acaso está gozando da nossa cara, ou não é acaso”, 

    1. Carlo Zardinni

      15 de agosto de 2014 12:27 am

      Um Juiz, por favor!

      Numa hora desta gostaria de ser um Juiz para levar este sujeito às barras da Justiça e instá-lo a provar este tipo de afirmação leviana. Se ele tem esta convicção, por que não vai até Santos e entra com uma queixa crime contra Dilma e sustenta a acusação? Latir por traz de uma cerca faz de qualquer chiuahua um pitbull.

      Roberto Campos, um dos gurus da direita deste País, de quem eu discordava no plano das idéias, nele reconhecia uma pessoa educada, culta e inteligente, muito diferente daquilo que neste blog se apresenta como um pensador, Será que isto aí pensa mesmo, com todo  este primitivismo que brinda aos seus seguidores, do tipo uma relação criador-criatura, dois seres indissociáveis?

      1. emerson57

        15 de agosto de 2014 1:06 am

        SAMU

        Sr. Carlo,

        Talvez mais apropriado que:

        “ser um Juiz para levar este sujeito às barras da Justiça “

        Talvez fosse:

        Ser um socorrista do SAMU para, de ambulância, levar o individuo direto para o hospício.

  2. sergio m pinto

    14 de agosto de 2014 11:41 pm

    Esperar o que desses dois?

    Esperar o que desses dois?

  3. Rabuja

    15 de agosto de 2014 12:25 am

    Aguardemos a caixa preta

    Enquanto isto, quem for conferir lá no google maps o local em que o avião caiu ficará com a impressão de que o piloto, que estava calmo quando teve que arremeter, manteve a calma quando viu que tudo estava perdido e conseguiu direcionar o avião para o único lugar que não causaria uma tragédia ainda maior, o bambuzal, e provavelmente manteve até o final a esperança de que o bambuzal bastante denso antes, que agora mal se nota, pudesse oferecer alguma chance a tripulantes e passageiros.

    Google maps: @-23.9596746,-46.3268127,109m/data=!3m1!1e3

  4. Andre Borges Lopes

    15 de agosto de 2014 12:30 am

    Motores na parte de trás

    Nassif, há uma análise muito ponderada nesse blog aqui:

    http://www.avioesemusicas.com/o-acidente-com-eduardo

    Ressaltando que eu sou um mero curioso no assunto, acho que nos seu texto há um equívoco na informação referente a dificuldades com os motores na posição traseira, uma configuração que é hoje praticamente padrão entre jatos executivos.

    No caso de um eventual problema de funcionamento que obrigue o desligamento de um dos reatores, o fato deles estarem na parte traseira não prejudica em nada o controle do vôo (em comparação com bimotores com motores na asa). Ao contrário, o fato dos dois motores estarem mais próximos do centro da aeronave reduz o desequilíbrio de tração (que gera uma tendência de guinada para o lado do motor ruim).

    Obviamente que uma ocorrência rara de explosão ou ruptura de palhetas da turbina pode provocar danos nas superfícies móveis de controle de vôo que estejam próximas, mas isso também ocorre com motores nas asas.

    Com a palavra os especialistas.

    1. Avelino de Oliveira

      15 de agosto de 2014 11:01 am

      Caro André 
      Fui até o blog

      Caro André 

      Fui até o blog indicado e  já o favoritei.

      Agradeço a informação.

      Saudações

  5. Arnaldo F

    15 de agosto de 2014 1:00 am

    A pista relativamente curta

    A pista relativamente curta pouco tem a ver com o ocorrido. Até porque é curta, mas não muito. Não é um “porta aviões”. Possui respeitáveis 1400 metros (menos 15 metros).

    Muito mais importante é o fato da Base Aérea não ter qualquer aparelho de auxílio à aterrissagem e o fato da visibilidade estar muito prejudicada naquela dia e horário.

    A frente fria chegou a Santos na madrugada da quarta-feira com um vento sul muito forte, muito intenso, que inclusive levantou o mar. Antes do amanhecer o vento havia passado, dando lugar a nuvens muito densas e baixas, e começou a cair uma chuva que não era torrencial mas era relativamente intensa, como ocorre com as frentes frias mais intensas.

    Imagine um avião voando a 300 km/h em uma região pouco conhecida (quantas vezes o piloto havia pousado na BAS?), com grandes serras na proximidade, com pouca visibilidade, tendo de pousar em condições exclusivamente visuais.

    Mas tudo isso seria muito relevante se o avião tivesse se acidentado no pouso, na pista, ou se chocado contra um morro ou coisa assim.

    Mas ele caiu do ar enquanto fazia uma curva (no sentido correto) pós-arremetida.

    Não se chocou contra nada do relevo, muito menos por questões relativas à pista.

    E aparentemente caiu na vertical. Um stall (aparentemente).

    Falar do tamanho da pista é sem sentido.

     

     

  6. rita scaramuzzi

    15 de agosto de 2014 2:03 am

    fora de pauta: perdemos o

    fora de pauta: perdemos o historiador Nicolau Sevcenko. meus sentimentos.

    1. Hélio Araújo Silva

      2 de dezembro de 2014 7:06 pm

      A CORTINA FUMAÇA DE EDUARDO CAMPOS

      Ahhh…  Insensatez! Quanta insensatez?

      A CORTINA FUMAÇA DE EDUARDO CAMPOS? Essa investigação nem começou, há quem interessa? Os engaveta-a(s)dores? Ou esta Mídia Burra ou Desorientada?

  7. Hélio Araújo Silva

    2 de dezembro de 2014 7:07 pm

    A CORTINA FUMAÇA DE EDUARDO CAMPOS

    Ahhh…  Insensatez! Quanta insensatez?

    A CORTINA FUMAÇA DE EDUARDO CAMPOS? Essa investigação nem começou, há quem interessa? Os engaveta-a(s)dores? Ou esta Mídia Burra ou Desorientada?

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