A precária correlação entre taxa de juros e dívida pública, por Diogo Costa

MÚLTIPLAS VARIÁVEIS – Há uma correlação pura entre taxa de juros e aumento da dívida pública, ou outras variáveis influem para que a dívida pública dos países caia ou suba em determinado período?

Vamos colocar alguns dados na mesa de discussão. A partir destes dados teremos mais elementos para discutir o tema da dívida pública no Brasil e no mundo. Vejamos:

-Dívida pública de países selecionados (trajetória entre 2008 e 2015)

1) EUA: dívida pública de 64% do PIB em 2008 e de 103% do PIB em 2015. A taxa de juros dos EUA está em 0,25% ao ano, de forma ininterrupta, desde dezembro de 2008;

2) Zona do Euro: dívida pública de 66% do PIB em 2008 e de 92% do PIB em 2015. A taxa de juros da Zona do Euro caiu de 4,25% ao ano, em 2008, para 1% em 2009. Hoje a taxa está em irrisórios 0,05% ao ano;

3) Espanha (taxa de juros da Zona do Euro): dívida pública de 36% do PIB em 2008 e de 98% do PIB em 2015;

4) França (taxa de juros da Zona do Euro): dívida pública de 64% do PIB em 2008 e de 95% do PIB em 2015;

5) Itália (taxa de juros da Zona do Euro): dívida pública de 103% do PIB em 2008 e de 132% do PIB em 2015;

6) Alemanha (taxa de juros da Zona do Euro): dívida pública de 65% do PIB em 2008 e de 75% do PIB em 2015;

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7) Reino Unido: dívida pública de 44% do PIB em 2008 e de 89% do PIB em 2015. A taxa de juros do Reino Unido é de apenas 0,5% ao ano, de forma ininterrupta, desde março de 2009;

8) Japão: dívida pública de 167% do PIB em 2008 e de 230% do PIB em 2015 (mais alta dívida pública do mundo). A taxa de juros do Japão é de irrisórios 0,1% ao ano, de forma ininterrupta, desde dezembro de 2008;

9) Grécia (taxa de juros da Zona do Euro): dívida pública de 105% do PIB em 2008 e de 177% do PIB em 2015;

10) Brasil: dívida pública de 58% do PIB em 2008 e de 64% do PIB em 2015. A taxa de juros do Brasil era de 13,75% ao ano em 2008 e é de 14,25% ao ano em 2015. Neste meio tempo a taxa caiu para 8,25% ao ano em 2009 e fechou 2010 em 10,75% ao ano. Depois caiu para o patamar mínimo histórico de 7,25% ao ano, entre outubro de 2012 e abril de 2013, e fechou o ano de 2014 em 11,75% ao ano.

Qual é a constatação óbvia, absoluta e cristalinamente óbvia deste panorama agora apresentado?

Simples: os países que mais foram impactados pelo Crash de 15 de setembro de 2008 (EUA, Japão, Reino Unido e países da União Europeia), em que pese estarem com taxas de juros praticamente em 0% ao ano há muito e muito tempo, viram as suas dívidas públicas crescerem de forma exponencial.

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Já países como o Brasil (também poder-se-ia citar a Índia, a China, a Rússia, a Argentina e outras nações), em que pese estarem com taxas de juros altas em comparação com os países desenvolvidos, viram as suas dívidas públicas ficarem estáveis, com alta apenas residual ou até queda no valor da dívida pública.

Conclui-se, portanto, que é um erro crasso e rotundo falar em dívida pública tendo como premissa básica apenas o valor nominal da taxa de juros (a atual taxa real de juros do Brasil, de 4,7% ao ano, é similar a taxa real de juros, de 4,8% ao ano, que tínhamos no final do ano de 2010).

As políticas anticíclicas de expansionismo fiscal e monetário (Quantitative Easing), praticadas pelos países centrais, tiveram como consequência o aumento exponencial das dívidas públicas, em que pese as taxas de juros terem desabado.

Aliás, diferente de países emergentes como o Brasil, a inflação dos países centrais está em pouco mais de 0% ao ano desde o estouro do Crash de 2008. Justamente por isso, para tentar ”fabricar” mais inflação, é que as taxas de juros estão no menor patamar da história.

Não fosse assim e os EUA, a Europa e o Japão teriam entrado numa espiral deflacionária pior que a da década de 30 do século passado (aí sim o mundo saberia o que é convulsão social).

Repito, o expansionismo fiscal dos países centrais, com colossais e sucessivos déficits públicos, elevou enormemente as suas respectivas dívidas públicas. Não é uma crítica, mas apenas uma evidente constatação. 

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O processo de expansionismo, com velocidades maiores ou menores, está sendo revertido principalmente nos EUA, que estão muito próximos da normalização na política monetária e fiscal. A Europa mantém um expansionismo monetário considerável e começa a apertar na questão fiscal.

Este breve texto não tem a pretensão de esgotar nenhum assunto, mas sim a pretensão de jogar um pouco mais de luz na discussão sobre dívida pública, taxa de juros e inflação. É humanamente impossível falar nestes e em outros índices econômicos sem falar do Crash de 2008 e de seus efeitos que ainda se fazem sentir.

É também impossível falar de economia hoje, no caso do Brasil, sem falar de câmbio, do pior crescimento econômico da China desde 1989, da maior contração do comércio internacional desde 2009, da queda brutal no valor das commodities agrícolas e minerais, iniciado com força em meados do ano passado, etc.

Qualquer discussão econômica que se fixe numa única variável, por exemplo, na questão da taxa de juros, sem analisar as outras múltiplas variáveis e o atual contexto nacional e internacional duríssimo em que vivemos, é apenas uma conversa de boteco.

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24 comentários

  1. Nota 10. Especialistas da

    Nota 10. Especialistas da Globo News e da banca internacional não sabem fazer contas. Mas, fazem questão de “fazer de contas”….para entregar o Brasil ao Capital explorador. Não precisamos ser economistas para assim concluir. 

  2. O poder das máfias que

    O poder das máfias que controlam esse pais choca a cada verdade fria de números e estatísticas reveladas.

  3. A dívida pública e a taxa de juros

    Interessante a apresentação das dívidas e taxas que rolam no mundo.

    Daí, algumas considerações para o debate:

    – no Brasil, a SELIC, em que pese o discurso do BC, nada tem a ver com o combate à inflação, apenas na margem.

    – por aqui o consumo é baseado no crediário onde o considerado pelas famílias é a prestação e o espaço no orçamento, houvesse interesse em reduzir o consumo bastava reduzir o número de prestaçoes para os bens-alvos.

    – temos uma cultura de enriquecimento fácil , rápido e sem trabalho ,que vem desde os 1500. Assim formou-se uma turma, a tal da bufunfa, detentora de grandes volumes de recursos, que força a elevação da SELIC, sob o manto de combate à inflação, visando a apropriação de recursos do Tesouro. Essa turma, comandada pelos bancos particulares – Itaú e Bradesco à frente – ditam a política financeira do BC.

    – se, por outro lado, a intenção é atrair capital externo, bastava garantir, por prazos de interesse do governo federal, um rendimento, digamos de 1% com acréscimos para prazos maiores, acima da inflação. O custo sobre o Tesouro seria menor, sem espraiamento pela economia, sendo o empresário levado a considerar as oportunidades de investimento em suas empresas.

    Quanto à inflação atual, decorrendo basicamente do reajuste de preços administrados, foi mais barbeiragem levyana, pois poderia ter sido feito parceladamente com mais vagar.

  4. Quanto a Banca exige para

    Quanto a Banca exige para emprestar dinheiro ao estado brasileiro? IPCA + 6%. Agora, por que o estado brasileiro tem que pagar 6% de juro real para se financiar enquanto outras nações pagam praticamente zero na emissão de seus títulos públicos?

    Somos um povo muito dado a privilégios pagos com o dinheiro do contribuinte. Temos um estado torto, cartorial, cartelizado onde cada grupo de interesses quer tirar uma “lasquinha” do orçamento público. Não dá mais, estamos chegando no fundo do poço!

  5. O pianista do Titanic toca no baile da Ilha Fiscal

    Singer vê início de “últimos capítulos” do governo Dilma

     

    Para o cientista político André Singer, o ponto que marca o início dos últimos capítulos do segundo mandato da presidente é o rebaixamento da nota do Brasil pela Standard & Poor´s; “Não tanto pelas consequências econômicas da nota negativa, mas pelo vácuo político que ajuda a formar em torno do Planalto enquanto, do outro lado da Praça dos Três Poderes, a contagem regressiva dos que se engajaram na tese do impeachment começa a atrair mais adeptos”, afirma

     

    12 de Setembro de 2015 às 07:01

     

     

    247 – O rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s, tirando o grau de investimento do País, é o início dos “últimos capítulos” do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, avalia o cientista político André Singer. “Não tanto pelas consequências econômicas da nota negativa, mas pelo vácuo político que ajuda a formar em torno do Planalto enquanto, do outro lado da Praça dos Três Poderes, a contagem regressiva dos que se engajaram na tese do impeachment começa a atrair mais adeptos”, explica ele em sua coluna da Folha.

    “Em resposta à perda do selo de boa pagadora, a presidente ordena cortes urgentes e medidas administrativas de contenção. Trata-se do equivocado cálculo de que ao ceder a esmo às pressões imediatas, agora potencializadas pela agência de rating, diminuirá a adesão ao plano golpista. Não percebe que a única coisa que pode preservá-la –e junto com ela a integridade democrática e as conquistas sociais do período lulista– seria apresentar uma perspectiva coerente de médio prazo, organizando arco de forças interessadas em acordo mínimo de estabilidade e fim da recessão”, avalia Singer.

    Ele critica a escolha de Dilma em colocar Joaquim Levy no Ministério da Fazenda e chama o ajuste fiscal de “draconiano e assassino”. Para ele, “do ponto de vista de classe, um pacto de ruptura com esse círculo vicioso seria possível e permitiria diminuir as perdas de todos. Porém, o tempo político para que a presidente o encabece se esfuma dia a dia. A triste alternativa do impeachment, como arremedo antidemocrático do parlamentarismo que não temos, poderá jogar o problema no colo de um eventual ‘gabinete’ Michel Temer”.

     

     

    • Poucas vezes vi alguém tão coitado que nem tu

      Que tu é um paspalho eu já sabia de longa data. 

      Que tu, além de paspalho é também uma toupeira, incapaz de debater a respeito de um texto qualquer, também se sabe desde sempre. 

      O que eu não sabia é que além disso tudo tu é um covarde, um pusilânime, um frangote medroso que sai correndo com o primeiro estampido que escuta pela frente. 

      E sobre o texto? Sobre o texto absolutamente nada pois o paspalho em questão sequer leu o texto. Ou se leu não entendeu, como sempre, e por isso é incapaz de debater ou de contestar qualquer um dos pontos. 

      É triste ver uma toupeira como essa, cuja única atitude que é capaz de fazer é a de bloquear pessoas nas redes sociais, vir com um texto lixoso de outro frangote. E tudo isso para distrair o distinto público e para fugir do debate. 

      E la nave va. 

      O bom da crise atual é que se tornou perfeitamente possível identificar os cínicos, os picaretas, os covardes, os pusilanimes e os golpistas. E também os tapados. Todas as máscaras caíram e isto é muito bom. 

  6. Como é que é?

    Com a taxa de juros da dívida pública em 0,25 ao ano,os Estados Unidos têm uma TAXA NEGATIVA   da ordem de 6% ao ano, de vez que a desvalorização do dolar anda por esse nível nas últimas quatro décadas.  E a Europa anda fazendo a mesma coisa. Se nós utilizássemos essa política, economizaríamos mais de TREZENTOS BILHÕES  de reais por ano. Qual seria mesmo a nossa dívida, nesse caso? E que ajuste fiscal precisaríamos?

    • Perfeito

      Perfeito, RL. Seria assim se não tivéssemos por cá um governo incompetente, fraco, omisso, pusilânime, que foi capaz de, em sua enorme frouxidão, nomear um homem do mercado apenas para que não perdêssemos o grau de investimento (este grande embuste). E o que ocorreu? Desnecessário dizer.

      Um governo capaz de, em meio a uma recessão, aumentar inúmeras vezes a taxa de juros. Dizer que este governo é uma piada é um elogio.

      Hoje de manhã fui comprar um móvel. Veja bem que num dia de sábado, quando o comércio é mais cheio. A visão foi estarrecedora. Por mais que eu já soubesse, ver é outra coisa. Mais parecia que eu estava indo para um velório. As lojas estavam as moscas, um clima de fim de festa deplorável, os atendentes, quando eu entrava nas lojas, pulavam em cima de mim como se eu fosse um tesouro. Se eu tivesse uma arma e atirasse para cima, era capaz de acertar numa loja fechada com a respectiva placa de “aluga-se”… Este é o país de Dilma, Levy e do PT. (E eu ainda tenho que escutar “Lula em 2018”. Para que, mesmo? Para trocar o Levy pelo Palocci, por exemplo?)

      Mas por cá, no reino da doença infantil do governismo, tudo segue muito bem.

      Desde que o senhor Levy foi nomeado, a inflação aumentou, a dívida aumentou, os juros aumentaram, o desemprego aumentou, e perderam o tal do grau do investimento. Esperam mais o que?

      A única iniciativa positiva ao longo deste (já enorme) mandato do Levy, foi o aumento da CSLL sobre os bancos. E o que ele fez no dia do anúncio da medida? Fingiu que estava doente, fingiu que estava gripado (como terá resistido, Deus Pai?), para não ir ao anúncio. E assim, deixar claro aos seus verdadeiros patrões – o mercado financeiro – que não concordava com a medida. Imposto, para Levy, deve recair sobre quem é pobre, sobre quem é classe média, sobre quem trabalha e produz. Os banqueiros (que seguem sendo seus patrões), o mercado financeiro, os parasitas que sugam o sangue da sociedade lucrando dezenas de bilhões de reais sobre o sangue do povo brasileiro, para ele devem seguir incólumes. 

      A pergunta que não quer calar: quantos empregos Joaquim Levy ainda deverá destruir para que ele perca o dele?

      É bom que Dilma fique atenta. Destruiu sua base social e, ao preservar o emprego de Levy, arrisca a cada dia mais o dela própria. Dilma pede, implora para sofrer o impeachment.

  7. divida pública aumentou para socorrer a aristocracia financeira.

    A dívida pública aumentou nos países mais atingidos pela crise de 2008 não porque fizeram politicas anticíclicas de aumento de gastos em educação, saúde, assistência social. A divida aumentou porque os grandes bancos e instituições financeiras falidas foram socorridas pelos Estados com impostos pagos pela população. Os ‘socorros’ aos ‘muito grandes para falirem’ se deu a custa do aumento da dívida pública desses países e os próprios ‘grandes demais para falirem’ passaram a especular com esse papeis da dívida pública gerando um novo ciclo de especulação, crise para a maioria da população e mais enriquecimento do menos de 1% no topo da distribuição da renda. Não é o excesso de gastos do governo que aumentou a divida pública, é a venda do público, do orçamento do Estado, de nações inteiras a aristocracia financeira que aumentou a divida pública. O problema não é a divida pública,a divida pública é sintoma. O problema são os mecanismos de brutal concentração de renda na aristocracia financeira que detem a maior parte da riqueza no mundo todo, qualquer dado demonstra isso.

  8. Crescimento das dívidas

    Olá, Todos!

    A correlação entre a dívida pública e a taxa de juros não é precária. A dívida pública, e todas as outras dívidas, crescem seguindo uma equação matemática, da qual não há como se livrar. Esta equação é

                                                                              y (valor atual da dívida) = a**x

    O fato da taxa estar em 0,25, ou atém mesmo 0,00001 não muda a matemática. A dívida vai crescer sempre. O que muda é a velocidade deste crescimento. O fato de que países tenham mantido sua relação entre dívida bruta e PIB estáveis é uma ficção, com todo respeito ao autor e demais leitores, é um engana trouxa, ou me engana que eu gosto. Este parâmetro, assim como o tal “superávit primário”, foram criados para enganar a população, uma verdadeira cortina de fumaça, para esconder o fato de que a dívida cresce sempre. Já o PIB, este ninguém sabe como fazer crescer, se é que seja possivel ainda o fazê-lo nos dias de hoje. Em frase sensacional atribuida a Delfim Netto, o crescimento do PIB é comparado a estar apaixonado. A gente sabe quando está, porém não tem a menor ideia do que fez para chegar a estee estado!

    A dívida pública é o ponto crucial destees tempos de hoje. A irracionalidade e o desconhecimento do Banco Central sobre a matemática do crescimento exponencial irá comprometer o futuro de toda uma geração. Olhem para a Grécia! Estamos na fila para ocorrer o mesmo, e com uma senha bem baixa.

     

    Antonio Carlos

  9. Quem dera…

    Que a taxa de juros não é a única variável que influi sobre a dívida pública, isso todos sabemos ou deveríamos saber. Mas não se pode ignorar o impacto deletério de uma taxa de juros de 14% ao ano sobre as finanças públicas, sobretudo quando está encontra-se em recessão profunda como é o caso do Brasil em 2015.

    Nos últimos anos, até 2013, o governo conseguiu um superávit primário, que se transformou num déficit nominal depois de contabilizar os juros. Em 2014 o resultado primário foi negativo (-0,7% do PIB) pela primeira vez em muitos anos, e o déficit nominal foi de mais de 6% em função dos juros pagos. Ou seja, o peso dos juros sobre a evolução da dívida pública tem sido muito alto, e isso não é de hoje. 

    Agora imagina o impacto de uma política monetária altamente recessiva, com juros de 14% ao ano, sobre a dívida pública numa situação de contração econômica como a que estamos enfrentando. Previsão de déficit primário para 2015 muito maior do que no ano passado em função da queda brutal da arrecadação, contração do PIB de 3% ou mais, e uma conta de juros que vai passar alegremente dos 8 a 9%. O resultado é um déficit nominal de mais de 10% em 2015, e uma dívida que aumentará em dez pontos percentuais sobre o ano passado.

    Política monetária restritiva em conjuntura recessiva é igual sangrar um paciente com anemia : só piora a situação.

  10. Algumas considerações:
    1)    

    Algumas considerações:

    1)     O indicado  no item 10 – DIV.PUBLICA/PIB – relativo ao Brasil  é a constatação empírica já apontada em muitos estudos acadêmicos de uma RELAÇÃO NÃO-LINEAR entre taxas de juros real  e dívida pública, ou seja, uma  taxa de juros reage de forma mais significativa a um aumento da dívida pública quando esta ultrapassa um patamar crítico.  Claro que em termos absolutos,a  depender da parcela da dívida remunerada pela SELIC, haverá impactos  que serão compensados, como foi exemplo brasileiro nos períodos citados, por: a) criação de superávits primários expressivos;  e b) as taxas de crescimento do PIB. O que não ocorreu nesses últimos 2 anos. 

    2)     A  dívida pública pode ser financiada ou monetizada.  O aumento exponencial da dívida púbica nos ditos países centrais, especialmente os EUA, decorreram não de financiamento, mas da monetização. Hoje o maior credor deles não é a China, mas o Federal Reserve.

    3)    A crítica à política monetária atual é a sua centralidade na variável juros num cenário de retração econômica crescente e inflação em declínio. Uma inflação, ressalte-se ainda, gerada menos por demanda e mais pelo aumento dos preços administrados. Ou seja, uma política econômica esquizofrênica: cria, numa certa dimensão, inflação,  para depois combatê-la. 

     

     

     

     

     

  11. PELOS NÚMEROS AQUI

    PELOS NÚMEROS AQUI APRESENTADOS,ENTÃO

    PELO Q ENTENDÍ O BRASIL ESTÁ BEM MELHOR

    QUE ESTES PAÍSES E O QUE ESTÃO FALANDO

    POR AÍ É PURO PESSISMISMO,NEGATIVISMO SÓ

    P ACABAR C A AUTOESTIMA DO POVO BRASILEIRO!

  12. Constatação

    Qual é a constatação óbvia, absoluta e cristalinamente óbvia deste panorama agora apresentado?

    A constatação é que o autor do post defende Dilma de suas asneiras, haja o que houver.

     

    Distorceu alguns fatos, caríssimo Diogo. Nem só de juros aumenta uma dívida pública, mas no Brasil, é o principal gasto do governo.

    Nos EUA, que gastaram 3 trilhões de dolares na guerra do Iraque, os juros não só são insignificantes, como nem dá para comparar com o Brasil. Comparação esdruxula. Além do mais, o Brasil não tem o parque industrial nem o volume de comercio exterior dos EUA, nem filiais de multinacionais pelo mundo afora lhe mandando remessas de lucros.

    Injustificável mesmo, é alguém querer fazer a apologia dos juros, enquanto o governo fecha orçamento deficitário, e por conseguinte cai na nota da Standard and Poors, levando a subida descomunal do dolar e por conseguinte da inflação, o que com certeza fará o presidente do Banco Central subir mais ainda os juros, num circulo vicioso onde a meta é o fundo do poço.

    Francamente

    • Fica ainda pior a tua conclusão.

      Se os USA gastam uma parcela significativa de seu PIB em armas de guerra (que deve estar em torno de 10% a 20% do PIB) é um exemplo de dinheiro mau aplicado que não rende o que eles desejam, mas além disto não se pode dizer mais nada, colocar números dispersos e sem correlação não serve para nada, ainda fico com a conclusão do autor.

      “Qualquer discussão econômica que se fixe numa única variável, por exemplo, na questão da taxa de juros, sem analisar as outras múltiplas variáveis e o atual contexto nacional e internacional duríssimo em que vivemos, é apenas uma conversa de boteco.”

      Chamo a atenção que não comparas as despesas militares de cada país,simplesmente lança um número (3 trilhões) sem indicar duração época e comparação com dados anteriores, parece-me uma mera manobra diversionista.

      • Mesmo assim

        Mesmo assim, caro rdmaestri, mesmo que eu não cite a duração, época e comparação, 3 trilhões é um número gigantesco, até para os EUA.

        Mas tudo bem, vamos lá, os 3 trilhões, que explodiram o orçamento americano, são muito para quem tem um PIB de 16,7 trilhões. Na época era menor o PIB, mas mesmo hoje seria assustador gastar este valor em creca de uma década eum uma única guerra, contra um único país tecnologicamente inferior.

        Gastaram um pouco menos de um quinto do PIB do país mais rico do planeta em uma unica guerra. Isto porque qum manda nos EUA são os militares, indiretamente. Os Presidentes, são só executores dos planos destes. Os militares, e a indústria militar lá, sempre tendem a criar guerras, para transferir dinheiro do Tesouro dos EUA para suas contas particulares.

        Aqui no Brasil, quem manda mesmo são os bancos, portanto nada mais lógico que estes queiram enriquecer a custa de juros pagos com o tesouro nacional. Aqui, eles tendem a criar inflação onde não existe, para justificar a subida da Selic, e até uma safra sazonal de tomates fraca serve de desculpa.

        A moral da história é o seguinte, não justificar os nossos juros astronomicos nossos pelos resultados dos juros de países alheios. Aqui os juros de centenas de bilhões, aumentam a nossa dívida publica. Portanto, deveria ser o primeiro lugar onde deveria ser cortado no ajuste fiscal, e doa ao banqueiro que doer.

        “Melhor ter uma presidente deposta por sua coragem, do que por sua incompetência”.

  13. A divida publica no Brasil é

    A divida publica no Brasil é medida de forma diferente do que no resto do mundo.

    Não que isso invalidade seu texto, e não entrando no mérito dele , mas se deseja ser honesto deve levar em conta o total da divida piblica da mesma forma que em outros países é feito.

    Outra variável que você deve levar em conta para falar em juros, é o nivel da poupança interna, o Japão tem a maior divida interna mas a maior poupança interna per capita dos que você colocou. Dos países citados o Brasil é que tem o menor nivel de poupança interna.

    Em julho de 2015, a divida pública era de 3.715 bilhões de reais.

    Em julho de 2014, a divida pública era de 3.144 bilhões de reais.

     

    • Caro aliancaliberal

      Desconheço o fato de que a dívida pública do Brasil seja calculada de modo diverso do que é feito em outros países. Até porque se trata de dívida bruta, não líquida. 

      Eu nem quis colocar os dados sobre a DLSP (Dívida Líquida do Setor Público) do Brasil porque não consegui encontrar valores similares em estatísticas de outros países. 

      De qualquer sorte, a minha intenção com este texto foi a de mostrar que o aumento exponencial das dívidas públicas dos países centrais ocorreu em função do Crash de 15 de setembro de 2008.

      O expansionismo fiscal e monetário que estes países fizeram para impedir o colapso de suas respectivas economias gerou o aumento enorme nas dívidas públicas. 

      Não digo que tenha sido equivocado adotar políticas econômicas anticíclicas agressivas, talvez este tenha sido o único caminho possível na época. O fato é que não há país da face da Terra que possa manter indefinidamente estas políticas. 

      Uma hora ou outra é preciso reverte-las e esse é um processo complexo e penoso. 

      Abraço.

    • Estás confirmando a conclusão do autor.

      A conclusão final do autor é:

      “Qualquer discussão econômica que se fixe numa única variável, por exemplo, na questão da taxa de juros, sem analisar as outras múltiplas variáveis e o atual contexto nacional e internacional duríssimo em que vivemos, é apenas uma conversa de boteco.”

      Logo quando escreves nível de poupança interna, o que estás dizendo é que este fator é importante entretando como não colocas este parâmetro estás somente comparando nada com nada, mais irrelevante do que o autor falou.

      • Eu estou adicinando dados

        Eu estou adicinando dados colaborando com o autor do texto, não entrei no mérito do texto em si, mesmo porque concordo com ele, a discussão sobre economia não é feita de forma séria.

         

        • Adicionar dados é dar uma série histórica!

          Caro Aliança, não estamos discutindo juros como é feito em comentários do YouTube, aqui é um portal que as pessoas procuram, na medida do possível, agregar informações, logo se tens mais informações a serem agregadas na discussão, perfeito, que o faça.

          A minha crítica não foi a ausência dos outros fatores, mas sim a colocação de um dado pontual que sozinho não diz nada, se não queres ser chamado simplesmente de um Troll ou de um Robô, concorde simplesmente com as afirmações do autor ou agregue informações conclusivas contra ela, dá trabalho, eu sei, mas só desta forma que a discussão evolui.

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