do Brasil de Fato
por Paulo Victor Ribeiro, de São Paulo (SP)
Na última quinta-feira (24), um grupo de 11 senadores dos Estados Unidos enviou ao presidente Donald Trump uma carta na última apontando “preocupações com o claro abuso de poder” das ameaças feitas pelo governo estadunidense ao Brasil. O grupo aponta a incoerência do argumento comercial utilizado por Trump e escancara a impopularidade da medida no país.
Os parlamentares apontam os reflexos da medida de Trump na economia dos Estados Unidos. “Interferir no sistema legal de outra nação soberana estabelece um precedente perigoso, provoca uma guerra comercial desnecessária e coloca cidadãos e empresas americanas em risco de retaliação”, dizem. Eles apontam que o comércio com o Brasil sustenta 130 mil empregos nos Estados Unidos e que ações do governo “aumentariam os custos para as famílias e empresas americanas”.
“Usar todo o peso da economia americana para interferir nesses processos em nome de um amigo é um grave abuso de poder” e demonstra “a disposição de sua administração em priorizar sua agenda pessoal em detrimento dos interesses do povo americano”, o grupo diz ao presidente.

Os parlamentares assumem uma nova ofensiva de um movimento que vêm sendo observado nas últimas semanas. Organizações e parlamentares estadunidenses têm se posicionado contra a gestão Trump e apontado o risco das ações diplomáticas e comerciais tomadas por seu governo. Em 15 de julho, a US Chamber, maior entidade de representação empresarial dos Estados Unidos, defendeu uma negociação entre os países e apontou que a medida de Trump “impactaria produtos essenciais para as cadeias de suprimentos e os consumidores dos Estados Unidos, aumentando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade das principais indústrias americanas”.



Para Michael Galant, pesquisador do Centro para Pesquisa Econômica e Política (CEPR, na sigla em inglês) e membro da Internacional Progressista, a carta é “um claro indicativo da impopularidade das tarifas de Trump contra o Brasil”.
“É possível perceber que o tom está focado em como as tarifas vão encarecer o custo de vida dos estadunidenses”, aponta o pesquisador.
Apesar de estarem no partido oposto ao de Trump, Galant aponta que não é como se os parlamentares fossem de esquerda. “Todos os signatários da carta são do centro do Partido Democrata, eles não podem ser acusados de serem de esquerda. Eu acredito que os democratas veem isso como uma vantagem, poder dizer: ‘Trump quer tornar o café e o suco de laranja mais caro para você só para defender uma tentativa de golpe’”.
Para Galant, movimentação dos parlamentares contra a medida é facilitada por duas razões. Primeiro, o reconhecimento da vitória de Lula por Joe Biden, ex-presidente dos Estados Unidos, “fez com que o Partido Democrata entendesse claramente que Bolsonaro não é um ator democrático legítimo e, portanto, encarasse essas tarifas como uma tentativa injusta de interferência”. Os senadores que subscrevem a carta a Trump corroboram a visão, acusando o governo de “forçar o sistema judiciário independente do Brasil a interromper o processo contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro”.
Dois anos antes do 8 de janeiro brasileiro, a sede do parlamento dos Estados Unidos também foi invadida por apoiadores de Donald Trump, então derrotado nas urnas, em uma tentativa de golpe de Estado – o que faz a investigação brasileira ser de fácil associação para membros do Capitólio.
A segunda razão é a confusão de justificativas de Trump sobre as medidas. “Está claro que Trump está usando as tarifas como sanções. Ou seja, ele apagou a linha que separa uma medida da outra e, de fato, acionou mecanismos legais dos EUA que são usados para impor sanções ou medidas de emergência”, explica o pesquisador. “No caso brasileiro, a justificativa que ele utiliza, da balança comercial, é totalmente falsa. Essas tarifas são claramente motivadas por um desejo de coagir o governo brasileiro a seguir uma linha determinada pelo governo Trump”.
A falta de critério -— ou ainda o uso de critérios mentirosos, como um déficit comercial que não existe — é apontada pelos senadores estadunidenses como um motivo para que o país perca influência na América Latina. “Estamos preocupados que suas ações para minar um sistema judiciário independente apenas aumentarão o ceticismo em relação à influência americana em toda a região”, declararam.
Editado por: Maria Teresa Cruz
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Rui Ribeiro
26 de julho de 2025 11:52 amCom o aumento das tarifas sobre os produtos e serviços brasileiros, o custo de tais produtos serviços aumentarão nos EUA. Nenhum país moderno pode produzir tudo o que necessita. Assim, pelo menos uma parte dos produtos e serviços brasileiros importados pelos EUA serão importados de outros países com pior relação custo/benefício, pois certamente o que os EUA importam do Brasil deve ser porque é a melhor relação custo/benefício. Ou seja, não há como as tarifas do Trump não reduzirem a qualidade de vida dos estadunidenses.
Carlos
26 de julho de 2025 3:56 pmAmericanos elegeram um débil mental perigoso que se julga o Hitler do século 21.
Vai perder Trump, até sua pedofilia já está ficando pública.
Mas por enquanto, infelizmente, precisamos aturar os acessos de loucura deste sujeito pois todo mundo sabe dos objetivos dele e nós. Brasil, somos o grande laboratório dele e simplesmente gritar para o mundo não leva a lugar nenhum. É esperar que ele sufoque na própria baba.
Aliás, esta situação me lembra uma velha piada contada pelo Juca Chaves que, durante um momento intimo com sua esposa esta, a todo momento, pedia que o marido gritasse alto chamando-a de prostituta, de mulher da vida, etc, ao que o marido respondeu: ‘pra que amor? Não muda nada, pois isso a vizinhança toda já sabe.
Fábio de Oliveira Ribeiro
26 de julho de 2025 4:02 pmEssa carta é um documento mais importante do que parece. Ela fornece prova indiscutível de que Donald Trump cometeu um abuso nos EUA para tentar interferir no Brasil favorecendo Jair Bolsonaro mediante uma conduta que aqui é criminosa. Em razão dela, fiz duas coisas.
Representei Donald Trump ao PGR requerendo que ele seja incluido no processo que investiga pessoas e autoridades que ameaçam o STF e seus Ministros. Também fiz uma representação na OEA, porque ao causar prejuízo aos exportadores brasileiros para interferir politicamente no Brasil o presidente dos EUA desestabiliza nosso país. Trump cria um cenário favorável a Jair Bolsonaro e à facção de civis e militares autoritários que podem aproveitar a tensão das relações EUA/Brasil para dar um golpe de estado, caso em que ocorreriam violações de dirietos humanos em massa no Brasil. A OEA pode e deve apreciar essa questão, suponho.
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Anônimo
15 de agosto de 2025 5:36 pmIsso dito é uma verdade cristalina. O tema só não é manchete na mídia mundial porque a figura de presidente dos EUA impõe uma elevada importância, claro que não se aplica a ao trump com seu comportamento aloprado, nada diferente do nosso bolsonaro.