O presidente da República Islâmica do Irã, Seyed Ebrahim Raisi, esteve na América Latina e Caribe durante esta semana.
A visita do mandatário estabeleceu dezenas de acordos comerciais e de cooperação em diversas áreas, superando sanções econômicas impostas aos envolvidos há décadas.
Raisi esteve na Venezuela, Nicarágua e Cuba estreitando laços estabelecidos a partir de um antagonista em comum: os Estados Unidos. A Casa Branca impõe sanções contundentes a esses países; tanto locais quanto pressionando organismos internacionais.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, recebeu na segunda-feira (12) o mandatário do Irã, na primeira parte da série de visitas oficiais, em meio a uma crise de abastecimento de combustíveis no país.
Situação mais grave que essa ocorreu em 2020. Na ocasião, o governo resolveu o problema ao importar gasolina do Irã.
O acordo desafiou as sanções impostas pelos EUA, mas o envio de carregamentos de combustível à Venezuela seguiu.
Amizade diplomática
Do marco de contorno dessa crise, parte de uma tentativa de estrangulamento dos EUA para a Venezuela reduzir o preço do barril do petróleo ao patamar desejado pela Casa Branca, surgiu a amizade diplomática entre os dois países.
Em 2022, Caracas e Teerã assinaram um convênio levando a Companhia Nacional Petroleira de Engenharia e Construção do Irã (NIORDC) a participar da restauração da refinaria El Palito, na Venezuela.
Nesta segunda, reunidos em Caracas, Maduro e Raisi assinaram 25 acordos de cooperação em diversas áreas como energia, defesa, tecnologia, saúde e economia.
“Estamos prontos para seguir avançando na construção de um mundo novo. (O Irã) está desempenhando um papel muito importante como uma das potências emergentes do mundo novo”, disse Maduro em trecho do discurso reproduzido pela TeleSUR.
Geopolítica em foco
A fala de Maduro remete ao que vem ocorrendo na geopolítica mundial. Cada vez mais países questionam o “imperialismo dos EUA”, independente do alinhamento ideológico.
“Nossa visita à América Latina e à Nicarágua demonstra a vontade política do nosso país de consolidar e aprofundar mais as nossas relações de amizade”, disse Raisi em um discurso nesta quarta (14) aos deputados da Nicarágua.
Na segunda visita oficial a essa parte do mundo, Raisi criticou os EUA, e outras “potências imperialistas”, acusando-as de atacar e desestabilizar governos independentes no mundo com tentativas de golpes de Estado e sanções.
Com o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, o presidente do Irã assinou acordos bilaterais de cooperação em ciência e tecnologia, energia, economia e comércio, cultura e política.
Última escala: Cuba
Ainda na quarta, Raisi chegou ao país na América Latina, Central e do Caribe com o qual o Irã mantém a mais longeva relação diplomática: Cuba. Desde 1979, quando Fidel Castro e o Aiatolá Khomeini estabeleceram acordos.
Acordos que vigoram até hoje nas áreas de transferência de produtos biotecnológicos, nanotecnologia, a indústria farmacêutica, segurança alimentar e outros assuntos de interesse comum.
Em Havana, o presidente do Irã acompanhou um fórum de negócios e uma homenagem no monumento dedicado a José Martí, lutador da independência, situado na Praça da Revolução da capital cubana.
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