17 de junho de 2026

Crise no Estreito de Ormuz divide potências: Europa se mobiliza, EUA se afastam e China e Rússia atacam Washington

Para secretária britânica, o Irã sequestrou uma rota internacional de navegação e mantém a economia mundial como refém
Figura 1 - Canal de Ormuz é estratégico para a passagem de petróleo e seu fechamento eleva as tensões pelo mundo - Fonte da Imagem: Reuters

Guerra EUA-Israel contra Irã entra no 2º mês; Reino Unido reúne 40 países sem participação americana para discutir Estreito de Ormuz.
Trump desafia aliados a proteger o Estreito de Ormuz e critica Europa por falta de apoio, ameaçando retirar EUA da Otan.
China e Rússia criticam EUA e oferecem mediação; Irã mantém postura intransigente e ameaça prolongar conflito.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou em seu segundo mês com uma fratura cada vez mais visível entre as potências ocidentais, e com rivais de Washington aproveitando a abertura para marcar posição.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Nesta quinta-feira (2), enquanto o Reino Unido reunia diplomatas de mais de 40 países para discutir a reabertura do Estreito de Ormuz, os EUA ficaram deliberadamente de fora. Do outro lado, China e Rússia responderam com críticas diretas a Washington e ofertas de mediação.

Na véspera, em pronunciamento televisionado, Trump havia deixado clara sua posição: garantir a segurança do estreito não é problema americano. “Os países do mundo que recebem riqueza pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem”, disse ele, lembrando que os EUA praticamente não importam petróleo pela rota e não pretendem fazê-lo no futuro.

O presidente foi além e desafiou aliados a agir. “Criem um pouco de coragem, ainda que tardia. Vão até o estreito e simplesmente tomem conta dele.” Trump também voltou a criticar os europeus por não apoiarem a guerra e renovou ameaças de retirar os EUA da Otan.

No mesmo discurso, afirmou que os objetivos militares da operação estão perto de ser concluídos. Segundo ele, a missão era destruir a capacidade iraniana de atacar os EUA e impedir que o regime exercesse seu poderio militar além de suas fronteiras.

Trump declarou que a troca de regime não era o objetivo, mas reconheceu que ela ocorreu com a morte dos antigos líderes, classificando a nova liderança como “menos radical e muito mais razoável”.

Mesmo assim, ameaçou atacar a infraestrutura de energia iraniana caso não haja acordo nas próximas semanas: “Vamos trazê-los de volta à Idade da Pedra.”

Europa

Sem os americanos, a secretária de Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, reuniu virtualmente diplomatas de mais de 40 países em Londres para debater saídas diplomáticas para a crise. Ela usou linguagem dura: o Irã “sequestrou uma rota internacional de navegação” e está “mantendo a economia mundial como refém”. A alta “insustentável” nos preços do petróleo e dos alimentos já afeta famílias e empresas em todo o mundo, disse ela.

Mais de 30 países, entre eles França, Alemanha, Itália, Canadá, Japão e Emirados Árabes Unidos, assinaram uma declaração conjunta exigindo que o Irã encerre o bloqueio e se comprometendo a contribuir para garantir a passagem segura quando as condições permitirem, incluindo operações de desminagem. Cerca de 20 mil marinheiros em 2 mil navios estão atualmente afetados pelo conflito.

Por ora, porém, nenhum país demonstrou disposição de agir militarmente. O Irã dispõe de mísseis antinavio, drones, embarcações de ataque e minas marítimas, tornando qualquer operação de escolta extremamente arriscada enquanto os combates continuam.

Custo humano

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, foram registrados 23 ataques diretos a embarcações comerciais no estreito, com 11 tripulantes mortos, segundo a Lloyd’s List Intelligence.

O fluxo de navios despencou: os poucos petroleiros que ainda cruzam a área são majoritariamente embarcações que tentam contornar sanções para transportar petróleo iraniano, sob controle rigoroso de Teerã.

China e Rússia

Pequim e Moscou não deixaram o discurso de Trump sem resposta. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, foi direta ao apontar responsabilidades. “A raiz do problema das interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz são as operações militares ilegais dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.” Ela voltou a exigir cessar-fogo imediato e repudiou as ameaças de escalada de Trump, afirmando que “meios militares não podem resolver fundamentalmente o problema”.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, sinalizou disposição de interferir no conflito. “Se nossos serviços forem de alguma forma necessários, estamos prontos para dar nossa contribuição para que a situação transite para um caminho pacífico o mais rápido possível.”

O próprio Irã respondeu em tom intransigente, declarando que a guerra continuará “até a rendição e o arrependimento permanente do inimigo”, referindo-se a EUA e Israel.

Recado

A mobilização europeia lembra a “coalizão dos dispostos” articulada por Reino Unido e França em torno da segurança da Ucrânia, e tem um objetivo paralelo claro: mostrar ao governo Trump que a Europa está assumindo mais responsabilidades em sua própria defesa, argumento que o presidente americano cobra insistentemente de seus aliados.

A mensagem implícita é que, se Washington se afasta, o continente está disposto a ocupar o espaço, ainda que, por ora, sem saber exatamente como.

LEIA TAMBÉM:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados