13 de junho de 2026

EUA aceleram ofensiva contra a Venezuela; Argentina e Bolívia sob tensão regional

Anúncio explícito da CIA sobre uma possível ação para derrubar Maduro marca uma mudança de patamar na política externa norte-americana na AL
Crédito: Reprodução/ TVGGN

Em uma semana marcada por fortes movimentações políticas na América Latina, a escalada da atuação dos Estados Unidos na Venezuela se junta à incerteza sobre o resultado do segundo turno nas eleições da Bolívia e aos desafios enfrentados pelo governo de Javier Milei na Argentina.

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Durante o programa América Latina em Perspectiva, do Observatório de Geopolítica na TVGGN, especialistas debateram como essas dinâmicas interligadas ameaçam a estabilidade regional, ampliam crises humanitárias e testam a coordenação entre países vizinhos.

Segundo o pesquisador João Vitor  Motta, doutor em Relações Internacionais, o anúncio explícito da CIA sobre uma possível ação para derrubar o governo de Nicolás Maduro marca uma mudança de patamar na política externa norte-americana na América Latina. “Normalmente as operações no nosso continente costumavam acontecer de forma sigilosa, nós descobríamos ao longo da história, anos depois, a partir de relatórios, da abertura de documentos. Mas quando Trump anuncia essa vontade explícita de derrubada de Nicolás Maduro, nos preocupa, primeiro, porque a situação da Venezuela já é uma situação complexa para o nosso continente, em especial nos últimos anos com a intensificação da crise migratória”, declarou Mota.

Ele citou ainda proliferadas operações marítimas dos EUA no Caribe sobre supostos fluxos de drogas vindos da Venezuela — ações que elevam o risco de conflito armado próximo à fronteira brasileira.

Coordenação insuficiente

Motta ressaltou que, enquanto o Brasil defende a soberania venezuelana e evita ações belicosas, o nível de coordenação entre os países vizinhos permanece reduzido. Ele lembra que, no início do século XXI, a própria Venezuela foi objeto de mediações de organizações como o Grupo de Amigos da Venezuela — que envolvia Brasil e Espanha — para estabilizar sua política interna. Hoje, porém, não há certeza se haverá resposta regional à ofensiva dos EUA.

“É muito importante que a gente fique atentos porque isso pode gerar uma série de preocupações, a mais no nosso continente, que historicamente é uma região de paz e não está acostumado a ter conflitos externos para além de poucos conflitos de fronteira ou questões muito internas da nossa situação de violência no nosso território”, observou.

Rota Panamá-Colômbia-Venezuela

Para o especialista em direito internacional e relações latino-americanas Renan Melo, a nova conjuntura coloca pressão sobre fluxos migratórios que atravessam a América Central até chegar aos Estados Unidos. Ele destacou que, em anos recentes, meio milhão de pessoas tentaram cruzar rotas entre Venezuela, Colômbia e Panamá.

“A polêmica e instalação de algumas cercas, de controle biométrico, até de cercas com ofendículos, com arame fapado, enfim. Isso acabou, de certa forma, refreando um pouco o fluxo de pessoas”, afirmou. Ele também mencionou o relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sobre a vulnerabilidade de comunidades indígenas e crianças que transitam por essas rotas perigosas.

O Brasil, segundo Meloo, “ainda está no estágio mais incipiente” quando se trata de coordenação para receber, proteger e integrar migrantes venezuelanos, apesar de sua extensa fronteira com o país vizinho.

Argentina

No debate sobre a Argentina, a professora Flávia Loss apontou que o governo de Javier Milei inicia com elevado índice de aprovação, mas já registra até 50 % de rejeição — cenário que pode levar a derrotas nas eleições legislativas de 26 de outubro.

“Uma situação muito estranha foi ele colocar a própria irmã como seu braço direito dentro do governo. Isso por si só já é motivo para crítica numa democracia. Mas além disso ela foi envolvida aí, aliás, ela se envolveu em um escândalo de corrupção, de pagamento de propina com empresas farmacêuticas, e isso é um assunto muito sensível para qualquer latino-americano e está impactando muito nessas eleições legislativas. Aparentemente o Milei realmente não vai levar a melhor, não vai conseguir aumentar a sua margem na Câmara.”

Ela explicou que os cortes de gastos sociais, aplicação de políticas austeras e busca por suporte financeiro dos EUA (como o empréstimo anunciado por Donald Trump) expõem a Argentina a risco de nova crise externa. “Não é que Milei resolveu magicamente os problemas da Argentina. Ele fez uma pausa nesses problemas, continua com alto índice de desemprego, não tem perspectiva de crescimento econômico, de reformas básicas que o país precisa, não tem nada disso, o que fez foi parar um pouquinho aquele avanço gigantesco da inflação.”

Ainda no programa, foi destacada a relevância do segundo turno na Bolívia. Segundo os debatedores, após cerca de 20 anos sob o domínio do Movimiento al Socialismo (MAS), liderado por Evo Morales e pelo atual presidente Luis Arce, a provável vitória de uma chapa de centro-direita ou direita implicará mudanças tanto domésticas quanto regionais. A instabilidade política no Peru, assim como os embates migratórios na América Central, reforçam o quadro de tensão.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Carlos da Costa

    19 de outubro de 2025 4:28 pm

    Olá pessoal, no caso da Argentina a culpa é exclusivamente do povo, que o elegeu. Na Venezuela é o petróleo, na Bolívia é a divergência que Luiz Arce provocou e abriu o caminho para a direita e ex-direita.

  2. Rui Ribeiro

    19 de outubro de 2025 8:24 pm

    O mercado de trabalho dos EUA está desacelerando à medida que a Inteligência Artificial avança. Nesse sentido, a pilutica de juros pode ser inócua para manter o nível de emprego

  3. Rui Ribeiro

    20 de outubro de 2025 6:12 am

    Ele amarelo mais uma vez. Deu copos burros n’água em relação às tarifas sobre a China. Além de outsider, ele é chickenouter

  4. Josias Nazareno Bispo

    20 de outubro de 2025 11:39 am

    Historicamente, os países do caribe e América Latina nunca conseguiram uma autonomia plena e da fato. Sempre chancelados por Metrópolis euro-americano-ocidental amargam interferências aguadas na: economia; na política, e a mais profunda, na Cultura cinematográfica, literária e na educação. Se historicamente essas ações já foram indenticadas, não se pode desconsiderar suas ações hoje como só do nosso tempo. As investidas contra os povos historicamente colonizados, levanta, novamente, o debate da independência e autonomia, do desenvolvimento e crescimento -na era do movimento ‘presentista’- e das expansões, hora em curso, projetadas para arrecadar o que suas metrópoles não conseguem produzir. Esse debate fica cada vez mais inócuo – porque não se tem mais a mesa das ideias e propostas como pressuposto para resoluções de paz ou conflitos- cada vez mais distantes diante das tomadas decisões unilaterais. Nunca foi diferente, nunca foi pela paz, mas sempre pelas vantagens atribuídas a uns ou a outros.

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