21 de maio de 2026

Lula pede soberania sobre minerais críticos e defende integração na AL

Discurso foi lido pelo chanceler Mauro Vieira na 10ª Cúpula da Celac, em Bogotá
Crédito: Ricardo Stuckert / PR

Lula defende que América Latina controle toda cadeia dos minerais críticos, da extração ao produto final, para aumentar poder econômico.
Discurso foi lido na 10ª Cúpula da Celac em Bogotá; Lula enfatizou integração regional e fortalecimento de blocos como Mercosul.
Presidente pediu cooperação contra crime organizado, incluindo combate a financiamento ilícito e fortalecimento das instituições.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, neste sábado (21), que os países da América Latina e do Caribe controlem todas as etapas da cadeia produtiva dos minerais críticos presentes na região, da extração ao produto final, em vez de apenas exportar matéria-prima para enriquecer outras nações.

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O discurso foi lido pelo chanceler Mauro Vieira durante a 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada em Bogotá, na Colômbia.

“Temos a oportunidade de reescrever a história da região, sem repetir o erro de permitir que outras partes do mundo enriqueçam às nossas custas. A adoção de um marco regional, com parâmetros comuns mínimos, aumentaria nosso poder de barganha junto a investidores”, disse o presidente.

Lula lembrou que a América Latina concentra a segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo, insumos essenciais para a fabricação de chips, baterias e painéis solares, peças centrais da transição energética e da revolução digital. Para ele, a região precisa participar não apenas da extração, mas também do beneficiamento e da reciclagem desses materiais.

Integração

O presidente também defendeu o fortalecimento da integração regional como resposta ao atual momento de instabilidade geopolítica, argumentando que países desarticulados ficam mais vulneráveis a pressões externas.

“A América Latina e o Caribe não cabem no quintal de ninguém”, afirmou. “Quando caminhamos juntos, somos capazes de sobreviver às turbulências da economia e da geopolítica mundial.”

Lula defendeu ainda a ampliação do comércio entre os países da região, a integração das cadeias produtivas e o fortalecimento de blocos como o Mercosul.

No campo da infraestrutura, chamou à construção de rotas terrestres, fluviais e aéreas entre o Atlântico e o Pacífico, além da interligação das redes elétricas regionais, o que, segundo ele, reduziria os custos de energia e tornaria a região mais resiliente a bloqueios no abastecimento global.

Paradoxo

Ao comentar o diálogo da Celac com China, União Europeia e África, Lula destacou uma contradição: potências externas enxergam na região um potencial que os próprios latino-americanos não sabem aproveitar.

“Somos potências em energia, biodiversidade e agricultura. Mas o que predomina neste quadrante do planeta são sociedades profundamente desiguais e tecnologicamente dependentes. O que nos falta para romper esse ciclo de subdesenvolvimento é liderança política”, afirmou.

Cooperação regional

Lula também abordou o avanço do crime organizado, defendendo que a desarticulação entre os países favorece as facções criminosas.

Para o presidente, o combate eficaz exige atingir toda a cadeia de comando dessas organizações, incluindo o fluxo de armas oriundas de países ricos, a lavagem de dinheiro em paraísos fiscais e o uso de criptomoedas para financiamento ilícito.

“Ações pontuais geram resultados momentâneos. Apenas o fortalecimento das nossas instituições garante soluções duradouras”, disse.

No plano interno, Lula citou o Projeto de Lei Antifacção, iniciativa do governo federal para agilizar investigações, cortar o financiamento das organizações criminosas e ampliar a cooperação entre as forças policiais, com papel central da Polícia Federal no combate a grupos com atuação interestadual e internacional.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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