Morte e sarcasmo no Sudeste Asiático, por Gustavo Gollo

Por Gustavo Gollo

O secretário de estado americano encontra-se no Leste da Ásia, para onde foi com o intuito de expressar mais enfaticamente as ameaças à Coreia do Norte e afirmar que uma ação militar contra o país é uma opção sobre a mesa.

Há pouco mais de um mês, a Coreia do Norte testou um míssil lançando-o em direção ao Japão. Coincidência, ou não, no dia seguinte, um irmão do ditador norte-coreano foi assassinado na Malásia. Desde então, a Coreia do Norte vem esperneando ainda mais, tendo lançado outros 4 mísseis na mesma direção. Os norte-coreanos escolheram má hora – ou talvez tenham sido levados a isso –, para fazer bravatas, justo quando os americanos desistiam provisoriamente de provocar os chineses e precisavam de uma justificativa para a permanência de seu porta-aviões em torno ao Mar da China.

A versão sul-coreana desse assassinato, inventada imediatamente após sua constatação, corresponde a uma absurda tragicomédia bufa na qual uma prostituta sarcástica usando uma camiseta LOL* teria sido enviada pelo líder norte-coreano para assassinar seu meio irmão, esfregando-lhe um lenço com veneno no rosto. (*LOL – laughing out loud, ou, morrendo de rir).

O homem assassinado havia caído em desgraça em seu próprio país por ter tentado entrar secretamente na disneylândia do Japão, décadas atrás. A assassina imaginava ter sido contratada para participar de uma comédia e teria embolsado uns 100 dólares pelo serviço.

Apesar de fortes indicações do desinteresse do morto pela política, alega-se, também, como justificativa para o assassinato, o fato de ele ter feito, anos atrás, revelações a uma jornalista japonesa que conhecera em um aeroporto.

Em decorrência do assassinato, a Coreia do Sul pediu à ONU “medidas coletivas” de punição à Coreia do Norte por ter usado armas químicas para a execução do crime, no qual foi usada uma substância proscrita inventada no Reino Unido nos anos 50.

Os norte-coreanos negam taxativamente qualquer participação no caso, que, aliás, parece completamente inconveniente para eles. Seuembaixador na Malásia acusou a investigação de ter sido politicamente motivada e pediu uma investigação conjunta do assassinato.

O lançamento dos mísseis teria feito os EUA “perderem a paciência estratégica” com a Coreia do Norte. Personalidades como as dos líderes da Coreia do Norte e dos EUA podem acabar se metendo em uma guerra que nenhum deles deseja, precisarão da ajuda de mediação habilidosa. A China deverá assumir o papel de mediador entre eles.

Simultaneamente à presença do secretário americano na Ásia, os franceses anunciaram o envio para o Mar da China de um porta-helicóteros que se juntará a outro desses enviado pelo Japão, e ao porta-aviões americano que já ameaça aquelas águas há dias.

Como se a escarnecer das ameaças americanas, o líder coreano anunciou, hoje, ter conseguido novos e significativos avanços na propulsão de foguetes.

A expectativa relativa ao encontro marcado para o início de abril entre os presidentes da China e dos EUA tende a amenizar eventuais atritos entre esses 2 países, correspondendo a uma espécie de armistício até lá.

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