24 de junho de 2026

O homem que viu um novo mundo nascer, por Felipe Bueno

A história é conhecida: Magnitsky era peça importante de um mecanismo sujeito a falhas e subjetividades. A maior delas: Putin.
Sergei Magnitsky - Reprodução

O homem que viu um novo mundo nascer

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Felipe Bueno

Antes que o nome da família Magnitsky saia de moda, convém considerar, para quem não se deu conta, que a história de seu mais famoso integrante, Sergei, é um rico resumo da geopolítica da virada do século XX para o XXI, período em que o muro caiu, o socialismo real foi arquivado e o capitalismo permanece vivo com velhas e novas contradições.

A história dele também se cruza com outra, maior, com a qual estabelece conexão direta. É como se fosse uma anotação no canto da folha em que está sendo escrita, há tempos, a relação entre Estados Unidos e Rússia.

Magnitsky era russo nascido na Ucrânia, na simbólica e essencial cidade de Odessa, às margens do estratégico Mar Negro. Era o ano de 1972, ou seja, vivíamos tempos soviéticos, especificamente sob a gestão de Leonid Brejnev, homem complexo que colocou em seu currículo, entre outras façanhas, o esmagamento da Primavera de Praga, na Tchecoslováquia, em 1968.

Os tempos de juventude de Sergei Magnitsky foram distintos da infância. Chegou à idade adulta perto do falecimento da já septuagenária União Soviética. Homem feito, viveu os loucos e liberados tempos de Iéltsin. Testemunhou uma época em que o capital externo invadiu a Rússia em busca de oportunidades e oportunistas – e encontrou ambas as coisas em grande quantidade.

A história é conhecida: Magnitsky era peça importante de um mecanismo sujeito a falhas e subjetividades. A maior delas: Putin. Vladimir se sobrepôs a Sergei, que passou de advogado e consultor fiscal para preso (político), mártir e causa.

A morte de Magnitsky sob custódia correu o mundo e foi parar no Congresso dos Estados Unidos, inspirando a lei que leva seu nome, uma modernização da boa e velha doutrina que permite que a nação, por direito atribuído a si e por si mesma, perturbe a soberania de outras.

Uma lei, repitamos a expressão acima, também sujeita a falhas e subjetividades. A maior delas: Trump.

De 1972 a 2025 as setas da geopolítica trocaram de sentido (de oeste para leste e vice-versa) várias vezes, e o mundo mudou radicalmente para permanecer o mesmo, provando mais uma vez o acerto da lei enunciada por Tomasi di Lampedusa em 1958. Curioso notar e ter que admitir que nessa anedota que estamos contando, a volta ao mundo que demos começou e terminou nos Estados Unidos. Especificamente em Anchorage, no Alasca.

Num momento em que, após mais de três anos, o conflito entre Rússia e Ucrânia, que para muitos seria de curta duração, pode chegar a um desfecho, com a mão de Donald Trump como inegável protagonista, é de se perguntar quem venceu, a que preço e até quando. Também é de se perguntar sobre o que estaremos falando quando os ventos da geopolítica mudarem novamente de sentido.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Observatorio de Geopolitica

O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Nilo Filho

    19 de agosto de 2025 10:10 am

    Buongiorno professoressa !!!
    Bom de se ouvir (vídeos: 1. OS ACORDOS SECRETOS DE TRUMP E PUTIN NO ALASCA; 2. ENCONTRO ENTRE PUTIN E TRUMP FOI UM DIVISOR DE ÁGUAS) e de se ler (José Sócrates)

    Videos:
    https://www.youtube.com/watch?v=XBc5TIcLR4k

    https://www.youtube.com/watch?v=yNDhnknAh5w

    JOSÉ SÓCRATES – 18/08/2025
    https://iclnoticias.com.br/o-lamentavel-espetaculo-da-genuflexao-europeia/

Recomendados para você

Recomendados