O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (7) que o cessar-fogo com o Irã permanece vigente, apesar da recente escalada militar no Estreito de Ormuz. A declaração ocorre após um dia de intensos confrontos envolvendo destróieres americanos e instalações militares iranianas, no episódio mais severo desde o início da trégua, há cerca de um mês.
“O cessar-fogo está em vigor. Está em vigor”, disse Trump em entrevista por telefone à ABC News. O republicano minimizou a gravidade dos ataques mútuos, descrevendo a ofensiva iraniana como “apenas um toque de leve” e um incidente “insignificante”.
Represália e versões conflitantes
O novo foco de tensão teve início quando o Comando Militar Central dos EUA (Centcom) relatou que forças iranianas lançaram mísseis, drones e pequenas embarcações contra três navios de guerra que transitavam pelo estreito. Segundo Washington, a investida foi “não provocada” e não atingiu as embarcações. Em resposta, os EUA bombardearam instalações militares em Qeshm e Bandar Abbas.
Teerã, por outro lado, apresenta uma cronologia distinta. O comando militar iraniano acusou os EUA de violarem a trégua primeiro ao alvejar um petroleiro que se dirigia ao estreito. A mídia estatal da República Islâmica afirmou que as forças americanas foram forçadas a recuar após sofrerem danos, versão contestada pelo Pentágono.
Ultimato e economia global
Apesar de manter a via diplomática aberta, Trump subiu o tom nas redes sociais. Em publicação na Truth Social, o presidente exigiu rapidez na assinatura de um pacto definitivo para encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro.
“[…] assim como os derrotamos hoje, os derrotaremos com muito mais força e violência no futuro, se não assinarem o acordo RAPIDAMENTE!”, ameaçou.
A instabilidade na região, por onde transita parcela significativa do petróleo mundial, reflete-se no mercado financeiro. O barril de Brent voltou a operar acima dos US$ 101 nesta manhã desta sexta-feira (8). Além disso, cerca de 1.500 navios permanecem bloqueados no Golfo devido às hostilidades, segundo a Organização Marítima Internacional (OMI).
Impasse nuclear
O cerne do conflito reside nas condições impostas pela Casa Branca para um acordo de paz duradouro. Trump exige que o Irã entregue todo o seu estoque de urânio enriquecido e desative instalações nucleares subterrâneas.
Embora mediadores como o Paquistão demonstrem otimismo sobre a conversão da trégua em um acordo de longo prazo, o governo iraniano classificou termos do memorando americano como “inaceitáveis“. Mohammad Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, resumiu o clima de desconfiança ao afirmar que o país segue “com o dedo no gatilho“.
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