4 de junho de 2026

As asneiras sobre o decreto das armas do governo federal, por Luís Nassif

O analfabetismo funcional para analisar a legislação não tem paralelo na mídia
Foto: Jay Rembert via Unsplash

É inacreditável a quantidade de asneiras ditas a respeito do decreto do governo Lula definindo novas regras para armas de fogo em ação policial. Um comentarista retórico da UOL taxou-o de iniciativa “trágica, cômica e inútil novidade, que não serve para nada”. O analfabetismo funcional para analisar a legislação não tem paralelo na mídia.

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Os motivos da crítica: 

  • É trágico, porque estamos discutindo procedimentos que já deveriam estar incorporados à prática policial. 
  • É cômico, porque estipula regras que são comezinhas, que não deveriam necessitar de um decreto. 
  • E é inútil, porque o decreto não se sobrepõe às leis, que hoje alguns estados, no Brasil, não estão impondo as suas polícias nem mesmo o cumprimento das leis. 

Com essa aula de retórica vazia, deixou-se de lado a lógica óbvia do decreto e os avanços que representa.

  • O decreto não pode se sobrepor às legislações estaduais. Mas pode definir regras para o repasse de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional.
  • Além de exigências de aprimoramento das informações sobre violência policial, o decreto define a criação de um Comitê Nacional de Monitoramento do Uso da Força, com a participação de representantes da sociedade civil e com a função de monitorar e centralizar os dados sobre números de mortes durante ações policiais.

Diz o gênio da obviedade:

“Parece meio óbvio que o policial não deve sacar uma arma para alguém que esteja fugindo dele. Não se deve deixar de reportar havendo ferimento, numa ação policial, ou até morte. Parece meio óbvio também, não é? Que não se pode utilizar inadequadamente algemas, não se deve agredir ninguém”.

Se o decreto visa regulamentar a destinação dos recursos federais, e utilizá-los como instrumento de redução da violência policial, parece meio óbvio que precisa definir no decreto o que considera como boas práticas policiais.

Se dependesse do notável comentarista, o decreto ficaria assim:

  1. Os recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional obedecerão a regras de conduta dos policiais militares dos estados.
  2. Como essas regras são óbvias, evitaremos repeti-las no decreto.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

14 Comentários
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  1. Douglas da Mata

    25 de dezembro de 2024 1:45 pm

    O decreto é sim uma cretinice do governo, mas também é verdade que a mídia o crítica por motivos próprios (e errados), mas como seria diferente?

    O fato é: os governadores que tiverem folga de caixa seguirão na matança.

    Esse é o principal problema.

    Mais ou menos como a lógica do trânsito, quem tem dinheiro, infringe a lei e paga por isso.

    Uma boa parte dos dispositivos trazidos no decreto já constam no ordenamento jurídico.

    E aqueles que não constam, não serão considerados, dado o conflito federativo.

    O que o governo Lula, já na terceira edição, a pior de todas, talvez apenas melhor que uma quarta versão (se houver, mas torço para que não), deveria fazer é um esforço para mudança de toda estrutura normativa do artigo 144, das atribuições das polícias e suas carreiras, do código de processo penal, e da hierarquia de leis penais, alterando drasticamente a nossa valoração aleijada de condutas.

    Um crime de tráfico sem violência tem pena superior ao crime de lavagem, de boa parte dos crimes contra administração pública, por exemplo.

    O crime tributário sequer é processado se o sonegador recolher o tributo, antes da denúncia.

    Ou seja, certos crimes compensam sim, senhor.

    Mas é mais fácil baixar decretos do tipo, e esperar o aplauso fanático.

    1. angela neves

      26 de dezembro de 2024 12:13 pm

      Esse tal de Douglas,parece saber mais que vc Nassif…. ele só fica aqui questionando as atitudes do Governo..

      1. Douglas da Mata

        26 de dezembro de 2024 7:14 pm

        Não Ângela, não sei mais, nem menos, sei diferente.

        E creia, não pareço da auto censura, que é uma forma de “humildade arrogante”…

        Quem quer aprender, crítica, se expõe, não fica babando ovo e puxando saco…

        Quando quiser debater qualquer coisa, mas principalmente, na área de segurança, onde construí meu conhecimento empírico em 23 anos de carreira, sendo de esquerda, me avise, estou a disposição…

        Um pouquinho de Marx também, tenho algum para o gasto…

        Avise…

        Ah, e não tenha medo… até Nassif sabe que não sabe tudo…

      2. Douglas da Mata

        26 de dezembro de 2024 7:15 pm

        Padeço onde está pareço…

  2. Jicxjo

    25 de dezembro de 2024 1:53 pm

    E o decreto também se aplica à esfera federal, não?

    Ontem mesmo a PRF, numa abordagem no Rio, em recaída aos tempos bolsonaristas, atirou com fuzil contra pai e filha que estavam indo para a festa de Natal da família, acertando a jovem na cabeça…

    Enquanto isso, a fascistada tem trombone na mídia para dizer que o decreto é um presente de Natal para a bandidagem. Imagina se não fosse óbvio…

    1. AMBAR

      25 de dezembro de 2024 5:23 pm

      Rapaz, a PRF está tomada de bolsonarentos. Diferentemente da PF, que não é militar mas judicial, a PRF é militar, armada, influenciada e perigosa. Ainda não houve oportunidade ou, quem sabe, necessidade de se higienizar a mente dos policiais militares estaduais e federais. Eles ainda estão fechados com o golpe. Não guardemos ilusões, eles estão cheios de ódio.

  3. JOEL PALMA

    25 de dezembro de 2024 4:39 pm

    Parece óbvio que Josias é um comentarista a soldo.

    1. AMBAR

      25 de dezembro de 2024 5:24 pm

      Como dizia-se nos programas humorísticos: “Tú não conheces o Josias”
      Aquilo não vale um feijão azedo.

      1. Cristiano Torres

        26 de dezembro de 2024 1:50 am

        O pior do Josias são aqueles textos cheios de barroquismo “prenhes” de arcaísmos, para sempre falar o óbvio ululante, sem nenhuma profundidade.

  4. MonsterjotajotajotaBÚÚÚ

    25 de dezembro de 2024 7:04 pm

    Não escreve isso Nassif pois eu fico muito ASSUSTADO COM O OLHO MUITO ESBUGALHADO E TODO CAGADO !!!

  5. Cassio

    25 de dezembro de 2024 9:55 pm

    Ah, mas o Xôzias é de uma boçalidade assombrosa… E pior: há quem o leve a sério.

  6. Jotainvestigation.marcelo

    26 de dezembro de 2024 9:01 am

    Eu fico muito assustado e todo cagado com a trairagem dos euaaa traíra!!! Obs.:A mídia não pode pautar o governo A MÍDIA É UM NADA,só ubercervar no q está se transformando a paita deles no momento(policia)nossos velhinhos assustados precisam ter ritmo próprio !!!

  7. Rui Ribeiro

    26 de dezembro de 2024 9:06 am

    O Brasil é um país cristão. Mas o Cristianismo brasileiro é de araque, pois quase todo mundo defende a violência policial contra os pobres. Nada obstante, consta do Novo Testamento que:

    “Do mesmo modo, os soldados lhe perguntavam: E nós, que devemos fazer? Respondeu-lhes Jesus: Não pratiqueis violência nem defraudeis a ninguém, e contentai-vos com o vosso soldo”. – Lucas 3:14

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