5 de junho de 2026

Aos países do Sul, Lula critica “falência” do Conselho de Segurança da ONU no conflito

"Nossos países já foram chamados de terceiro mundo e de países em desenvolvimento", diz Lula sobre Sul Global
Foto: Frame vídeo divulgação

Durante discurso na cúpula virtual Vozes do Sul Global, organizada pela Índia, o presidente Lula apontou falências das instituições internacionais, como a ONU, e valorizou a união dos países em desenvolvimento.

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“Há quem questione o conceito de Sul Global, dizendo que somos diversos demais para caber nele. Mas existem muito mais interesses que nos unem do que diferenças que nos separam”, disse. “Nossos países já foram chamados de terceiro mundo e de países em desenvolvimento. Fomos divididos em países emergentes e países menos desenvolvidos, e em países de renda média e países de renda baixa.”

Conflito Israel e Hamas

O presidente enfatizou a união dos 125 países do mundo sobre os desafios mundiais, incluindo os esforços contra a guerra entre Israel e Hamas.

“As tragédias humanitárias a que estamos assistindo evidenciam a falência das instituições internacionais. Por não refletirem a realidade atual, elas perderam efetividade e credibilidade. Em seu mandato no Conselho de Segurança da ONU, o Brasil tem trabalhado incansavelmente pela paz. Mas as soluções são reiteradamente frustradas pelo direito de veto”, lamentou.

A referência foi ao veto dos 5 membros permanentes do Conselho – Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido, que impediu a aprovação de uma resolução para o conflito negociada pelo Brasil.

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O presidente usou suas palavras também para cobrar uma postura ativa dos demais países:

“Precisamos resgatar a confiança no multilateralismo. Precisamos recuperar nossas melhores tradições humanistas. Nada justifica que as principais vítimas dos conflitos sejam mulheres e crianças. É preciso restituir a primazia do direito internacional, inclusive o humanitário, que valha igualmente para todos, sem padrões duplos ou medidas unilaterais.”

Sul não antagoniza o Norte

Ao reconhecer a importância dos países ao sul dos continentes, no passado menosprezados pelos países desenvolvidos, também deixou claro que o objetivo não é “antagonizar o chamado Norte”, “mas uma ordem internacional justa exige que todos tenhamos voz. E falaremos mais alto se falarmos juntos”.

A fala de Lula ocorreu no encerramento da Cúpula, a convite do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que foi anfitrião do evento.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. marcio gaúcho

    18 de novembro de 2023 12:04 pm

    Lula tem que admitir que os USA tem a América Latina como o seu quintal preservado para futuras invasões ou apropriações de riquezas como água doce, madeiras, minérios alimentos, ar puro e terras para garantir a perpétua sobrevivência e supremacia da nova raça norte-americana. Esse é o maior desafio a enfrentar. E estamos totalmente vulneráveis. Os USA jamais deixarão a América Latina se organizar e ser independente da política norte-americana.

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