É este homem uma besta?
por André Márcio Neves Soares
Para quem leu ou se lembrou do livro de Primo Levi, este título é, obviamente, uma paródia. Ou melhor, é uma provocação necessária nesse momento de catástrofe humanitária no Oriente Médio. De fato, quando Levi escreveu seu livro (1), ele queria denunciar os horrores que presenciou durante sua permanência no campo de concentração nazista. Lá, como poucos, compreendeu que a maldade não deve ser generalizada, mas individualizada pela ação humana. Muito antes que Hannah Arendt desenvolvesse seu conceito de “banalidade do mal”, Levi testemunhou os horrores perpetrados por soldados nazistas incompetentes, submissos e fanáticos pela crença da superioridade ariana que já se desmantelava no front da guerra, mas que naquele local, que parecia apartado do mundo, era intensificada à medida que os seus algozes perdiam a esperança de serem salvos dos seus próprios atos.
O que é uma besta? Se recorrermos ao dicionário, veremos que existem inúmeras definições para essa palavra. Receio, contudo, que a definição mais apropriada para qualificar o Primeiro-Ministro sionista de Israel, Benjamin Netanyahu, seja de teor o mais depreciativo possível. Nesse sentido, a besta Netanyahu seria um animal feroz, fora de controle, o protótipo do ser humano considerado sob o seu aspecto mais desfavorável ou brutal. Com efeito, desde o ataque inominável do Hamas em 07 de outubro de 2023 – o qual, diga-se de passagem, nunca cansamos de recriminar -, a besta Netanyahu não parou mais de matar. Aquele ataque foi a carta branca de que precisa para sair do mínimo de civilidade que o incomodava e partir para a destruição total dos Palestinos.
Netanyahu não é um caso isolado. A história do ser humano é uma história de genocídios. Lembro que no filme “Cruzada”, estrelado pelo ator Orlando Bloom, de 2005, havia um lorde cruzado que vivia para a guerra e para matar os árabes, apesar dos apelos do rei cristão moribundo para que ele se contivesse. O instinto humano pela guerra e morte está encravado na nossa história, assim como eram marcados a ferro e fogo os negros capturados na África para serem espoliados no primeiro período da grande escravidão capitalista (aqui refiro-me ao período entre o descobrimento do novo mundo e o fim oficial da escravidão no último dos principais países escravocratas, o Brasil. Obviamente, hoje experimentamos um novo tipo de escravidão hipertecnológica, mas isso é assunto para outro texto).
Pois bem, Netanyahu não para de matar há um ano. Com o beneplácito dos Estados Unidos, estendeu sua própria guerra infinita para o Líbano e Irã. Nesse período, mais de 41 mil palestinos foram mortos e mais de dois milhões de moradores da Faixa de Gaza foram expulsos das suas casas. No Líbano, nessa escalada da guerra, as forças sionistas já mataram mais de 2 mil pessoas e mais de um milhão de libaneses estão desabrigados. Se ele realmente atacar o Irã como vem prometendo, especialmente depois que Terrã lançou mísseis contra Israel, em retaliação aos assassinatos praticados pelas forças sionistas em solo iraniano, o que será do mundo?
Pode-se objetar que se trata de uma guerra local, entre inimigos históricos, uma guerra que envolve religião, petróleo, além de terras habitáveis, no caso de Israel. Com efeito, a displicência com que Israel lidou com os seguidos alertas da sua inteligência de fronteira sobre um possível ataque do Hamas beira a cumplicidade. Para além de toda e qualquer alegação política sobre o atual conflito, existe uma questão quase nunca discutida por “especialistas”, que é a falta de espaço geográfico para a expansão judaica naquela região. Não por acaso, é grande o número de acusações oriundas de mídias independentes sobre as milícias de colonos judeus/sionistas que estão aproveitando a escalada da guerra para expulsar palestinos das suas terras.
Ora, nenhuma das guerras de grandes proporções, sejam as duas grandes guerras mundiais sejam as guerras ainda mais antigas, como a Guerra dos 100 anos, entre a Inglaterra e a França, ou as chamadas Guerras Napoleônicas, entre a França e outras nações, começou em grande proporção. Lembro ao leitor que a primeira guerra mundial começou a partir das picuinhas ultranacionalistas nos balcãs, entre a Sérvia e o Império Austro-Húngaro. Apesar do mundo já estar então em uma corrida armamentista, ninguém imaginava uma guerra mundial naquele momento. Do mesmo modo, apesar do rearmamento alemão ter sido uma sinalização de possível catástrofe em um futuro breve, a segunda guerra mundial começou com a invasão alemã sobre o território da Polônia. Entretanto, o prenúncio da guerra já podia ser visto com a anexação da Áustria e da permissão da Grã-Bretanha e da França para que a Alemanha anexasse a região dos Sudetos da República da Tchecoslováquia.
Olhando sob essa ótica, me parece que estamos a um passo de cruzar a linha vermelha que jogaria o mundo numa terceira guerra mundial, e talvez a última. Para isso, bastaria que a Rússia ou mesmo a China impusesse limites concretos objetivando o fim do genocídio palestino praticado pela besta humana Netanyahu, que, como dito, vem sendo apoiado pelo deus da guerra estadunidense. Deveras, se alguma dessas potências, ou as duas, adotar providências concretas visando pôr fim a essa carnificina, mediante envio de forças militares para proteger algum desses países atacados por Israel, por exemplo, alguém duvida que entraremos no crepúsculo do reinado humano nesse planeta? Se nem mesmo a ONU parece ter poder suficiente para barrar este “palestinicídio”, uma vez que a sua força de paz está sendo atacada nas fronteiras do Líbano, o acontecerá se a propagação desse genocídio promovido pelas forças sionistas, com apoio do deus da guerra, alcançar o coração do histórico território persa, o Irã?
Mas todas as bestas humanas da história são assim mesmo: humanas. Criador e criatura se misturam até um não reconhecer o outro. O que falta ao lado humano, em termos de potência e ferocidade, o lado besta oferece de bom grado. Do mesmo modo, o que falta para a besta em termos de sagacidade e oportunismo, o lado humano empresta sem pestanejar. Assim, cada lado se equivale e a sociedade humana evoluiu porque conseguiu criar artifícios concretos e abstratos que mantiveram os dois lados sob regulação um do outro. Entretanto, quando o lado da besta se proclama vitorioso, vide Netanyahu, Hitler, Mussolini, Stalin, Napoleão etc, o ser humano capaz de gestos lindos, como o mero afago em crianças, se torna o executor de ações tão impensáveis, que chegamos a duvidar se “é isto um homem?”.
REFERÊNCIA
1 – LEVI, Primo. é isto um homem? Rio de Janeiro. Rocco. 1998.
André Márcio Neves Soares é doutor em Políticas Sociais e Cidadania pela Universidade Católica do Salvador – UCSAL.
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Antonio Uchoa Neto
17 de novembro de 2024 12:32 pmNo caso de Políticas de Estado (e creio que o genocídio palestino seja uma delas, em Israel, cumprida apenas com maior ou menor intensidade de acordo com o partido no governo, que reproduz o padrão americano, hawks and doves, ou seja, mais do mesmo) não creio que seja válida essa antinomia de generalizar e particularizar. Porque não se trata de Bem x Mal (que são apenas consequências da ação humana, e não entidades abstratas e conceituais, com iniciais maiúsculas), mas sim dos conflitos gerados pelos interesses perseguidos e contrariados, além da correlação de forças quase sempre assimétrica (como no caso atual de judeus e palestinos) ou equivalente, que geram ou massacres ou guerras frias. Quanto a essa estupidez de Banalidade do Mal, reproduzo trecho de um comentário anterior que fiz aqui no GGN:
“Se o desprovimento de pensamento crítico, ético ou moral, é a base sobre a qual se sustenta a banalidade do Mal, eu me pergunto: não seria essa mesma condição a base sobre a qual se assenta a banalidade do Bem? Adolf Eichmann, e mais algumas centenas de oficiais nazistas, estava apenas cumprindo ordens. Que dizer daqueles milhões de cidadãos que, diariamente, e em plena liberdade, se submetem ao consenso manufaturado da Mídia Corporativa e sua incessante propaganda subliminar, aqui no Ocidente Cristão? O simples fato de usar o conceito de “Mal” já denuncia Hannah Arendt como uma pensadora que divide – até certo ponto, pelo menos – o Mundo entre Bem e Mal. E essa é uma conclusão, ou visão de mundo, a que só chegam aqueles que julgam estar do lado do Bem. Ou que julgam ser o próprio. Ninguém deliberadamente se posiciona como o Mal. Nem o satanás. É de supor que Hannah Arendt, judia europeia exilada nos Estados Unidos, considerasse esse país como o lado justo e certo da História. Mas isso é só uma suposição. Diversos de seus escritos apontam para isso, e a sua caracterização do Totalitarismo é explícita, ao opor a Democracia Capitalista ocidental ao monolítico império soviético. Os soviéticos certamente não concordavam com isso, e muito menos algumas dezenas de outros povos espalhados pelo mundo. O Grande Satã dos iranianos certamente evidencia que o paraíso democrático capitalista não é, afinal, nenhuma unanimidade. Mas essa é outra história, e volto à questão inicial: quando o Ocidente cristão afirma ser o paradigma da Liberdade e das Oportunidades, e todos nós sabemos (eu, pelo menos, sei, mas boa parte de meus contemporâneos apenas desconfiam, ou supõem) que essa condição foi alcançada às custas da exploração (e espoliação, bem entendido) das riquezas e recursos naturais de outras terras, mediante o uso da invasão, da violência, do massacre, do genocídio, em resumo, do Mal, isso também não é sacrificar o pensamento crítico, ético ou moral, em nome de desfrutar – ao menos teoricamente – das benesses que essas conquistas proporcionaram? Eichmann não se sentia culpado pelas horrorosas consequências de sua cega obediência ao dever. E os que acolheram, e ainda acolhem, candidamente, as conclusões da Sra. Arendt não fazem o mesmo, ignorando o que há de sanguinário e abjeto nas fundações da prosperidade da nossa civilização cristã-ocidental? Não seriam, por acaso, os indígenas americanos, os negros africanos, os orientais (que punham pouco valor na vida, segundo o preclaro General Westmoreland), além de inúmeros outros povos e etnias, do presente e do passado, o que os judeus eram para o oficial burocrata alemão? Qual a diferença entre as montanhas de cadáveres dos desvalidos do Terceiro Mundo que tiveram o azar de estar no caminho da prosperidade do Ocidente, e as pilhas de cadáveres de judeus nos campos de concentração nazistas? Não seria essa uma espécie de Banalidade do Bem? Se as situações são, no mínimo, semelhantes (e eu acho que são uma única e mesma coisa), por que não aplicar os mesmos critérios? Será porque se, pensando dessa maneira, aboliríamos essa primitiva estupidez de Bem e Mal, e assumiríamos que o que nos move nesse mundo é o nosso interesse, e na perseguição e defesa desses interesses nós agimos, praticando indistintamente o Bem e o Mal, simultânea e concomitantemente? Olhemo-nos no espelho, amigos. Não somos bons, nem maus; somos humanos. Perseguimos nossos interesses. Se o meu Bem for causa de seu Mal, dane-se. E se você recalcitrar, jogo-lhe uma bomba de Hiroshima nas fuças. Nada melhor do que um massacre para impedir um massacre. Mais uma vez, cito: “Minha disposição é a mais pacífica. Os meus desejos são: uma humilde cabana com um teto de palha, mas boa cama, boa comida, o leite e a manteiga mais frescos, flores em minha janela e algumas belas árvores em frente à minha porta; e, se Deus quiser tornar completa a minha felicidade, me concederá a alegria de ver seis ou sete de meus inimigos enforcados nessas árvores. Antes da morte deles, eu, tocado em meu coração, lhes perdoarei todo o mal que me fizeram. Deve-se, é verdade, perdoar os inimigos – mas não antes de terem sido enforcados”. Heinrich Heine, poeta alemão (1797-1856). E mais uma vez convido algum amigo leitor a contestar a verdade dessas palavras. Se o Mal é banal, o Bem também o é. Vamos aprender a lidar e controlar nossos interesses, eu diria. Mas não tenho muita esperança que isso um dia possa acontecer.”
Netanyahu é um títere dos interesses profundos do Capital, como outros já foram, e outros serão. Mera carranca de proa. Vai ser jogado fora, em breve, por aqueles que se beneficiam de suas ações. Esqueçamos essa primitiva questão de Bem contra o Mal. Existe é o interesse humano. A ambição. A cobiça. O poder. O resto é filosofia e diversionismo – sem intenções trocadilhescas. Mas não muito.
Cartago
21 de novembro de 2024 11:04 am“Se hoje admiro ou justifico un ato de brutalidade perpetrado dois mil anos atrás, renuncio, hoje, no meu espirito, à virtude de humanidade. O ser humano não é feito de compartimentos estanques e é impossivel admirar certos metodos empregados no passado sem fazer nascer dentro de si mesmo a inclinação de imitá-los na primeira ocasião possível” – SE, Simone Weil, 1939.
Cartago
21 de novembro de 2024 11:06 amNo processo evolutivo humano a natureza seleciona e refina os instintos sociais que aprimoram comportamentos com atuações éticas, institucionais, legais, que por sua vez privilegia comportamentos com fins de moralidade, altruismo, valor social, todos dependentes de inteligência e educação. Com base nessa consideração é evidente que nethanyahu é escória no processo evolutivo. Ele faz o que faz porque parte expressiva de gente da sua laia permite que o faça. Não será suficiente processar, condenar e encarcerar esses terroristas assassinos covardes (o esplosivo no beeper dos libaneses é o enésimo exemplo de Israel como Estado terrorista). É preciso fazer valer o direito internacional. O mundo deve por a questão do atual Estado de Israel como vergonha universalmente reconhecida e precisa instituir o Dia da Memoria plus [ liberação de Auschwitz-liberação de Gaza ]. /// A comunidade humana é indefensa. De um lado bombardeio, disseminação de virus e insetos contagiosos, calamidade “natural” provocada (Environmental Modification Techniques -ENMOD), grupos rapinadores de governo, etc., do outro lado a midia enganadora, cínica, traidora, que influencia e confunde. O arma principal do terrorismo mediatico esconde-se na linguistica: não está no conteúdo, está na forma. O fraudólogo sabe disso. Faz uso da ambiguidade que se aninha na mente humana e sustenta o oposto de qualquer argumento, usa a dialetica sobre os impulsos psicológicos, pratica ilusionismo verbal como no jôgo das três cartas. /// Não é retórica mas quando falamos do “hoje” falamos ao mesmo tempo do mundo grego-romano antigo. Poucas épocas do passado apresentam-se diante de nós com tanta maturidade filosófica, ética, jurídica, política. —- A República —- debate sobre a justiça, Livro I, Platão, Grecia, IV sec. a.C.; com a palavra Trasimaco de Calcedonia, embrulhão de profissão, sofista escroto que tenta converter jovens com a tese – Justiça é o direito do mais forte, o resto é conversa pra boi dormir: “Somente por temor reciproco é que os homens estabelecem pactos de não agressão, concordando de não cometer injustiça para não sofrer as consequências. MAS quem tem condições e fôrça para transgredir esse pacto e não o faz é otário porque não sabe aproveitar a vantagem da propria superioridade. Resumindo, o homem justo é o fraco, ninguém é justo de sua propria vontade”. Sócrates rebate com os agrupamentos humanos reunidos por necessidades primárias da existência. A tese do sofista é antietica e imoral. Sócrates expõe o sistema de virtues do Estado e do individuo: justiça é força de coesão que assegura ordem, ponderação, sem a qual tanto no âmbito individual como no corpo social, reina o caos, o vale-tudo. Examinando a justiça e o seu contrário o filósofo conclue pelo triunfo da ética na formação de um Estado onde seja corrente a essência da justiça, paradigma que interessa ao filósofo na medida que espelhe o paradigma da alma individual. Para tanto é preciso educar: Ética – Pedagogia – Politica, essa é a sequência correta no pensamento do filosofo. /// ROMA. O conflito mais longo e dificil que Roma enfrentou para elevar-se à condição de potência imperial foi contra Cartago, que derrotou com extrema dificuldade no espaço de sessenta anos. A decisão romana de aniquilar de vez aquela cidade foi tomada cinquenta anos depois da capitulação, no exato momento em que Cartago, já militarmente inofensiva, extremada pelo pagamento dos tributos, honrava a última das cinquenta pesadissimas anuidades a que fora submetida com a derrota em 201 a.C., anuidades estipuladas para o enriquecimento pessoal dos potentes de turno. Os Romanos esperavam esse momento. Cartago, a gloriosa metrópole norteafricana, foi transformada no plano ideológico propagandistico e historiográfico, no inimigo perfeito: terrorista, portador de ferocidade, perfidia, deslealdade, de inferioridade racial e cultural; a guerra contra um inimigo como este tornou-se o protótipo da “guerra justa” dos tempos atuais. O acontecimento abominável foi a trama romana de permitir um incidente que justificasse a eliminação total dos cartagineses. Roma apresentava-se como imbuída na marcha triunfal do “Bem” sobre o “Mal”, da civilização contra a barbárie, etc.. E como neste caso o inimigo era “semitico” e “africano”, o mecanismo demolidor vingou com muita facilidade. A grande vergonha nos dias atuais é constatar que canalhas em Bruxelas, em Washington e historiadores europeus, condividem a mesma a visão de Tito Livio ou Silio Italico, esse ultimo um rico parasita do Sec. I d.C. No último volume da sua Storia dei Romani publicada em 1964, um escritor católico italiano reconheceu a destruição de Cartago como necessaria eliminação de um “peso morto” na história da Humanidade. E remarcou: “uma vez liberada daquele peso morto” a Africa entrara no desenvolvimento civil da antiguidade. Para ele “o desaparecimento de Cartago foi profunda exigência histórica” !! Nesse ponto vale citar um trecho do ensaio de Simone Weil, “Hitler e a política externa da antiga Roma”, Paris, 1940 : “Conhecemos a história da antiga Roma somente através dos próprios Romanos e dos seus súditos bajuladores gregos. Não conhecemos as versões Cartaginesa, Espanhola, Gaulesa, Germânica, Bretã. Os Romanos conquistaram o mundo com seriedade, disciplina, organização, continuidade das ideias e de método; com a convicção de serem uma raça superior nascida para comandar com uso meditado, calculado, metódico da mais desapiedada crueldade, da fria perfídia, da propaganda mais hipocrita. As civilizações que existiam no Ocidente precedentemente, nas áreas conquistadas por Roma, foram exterminadas. Um exemplo: antes da invasão romana a Galia era criativa no plano espiritual. Para ser druida estudava-se vinte anos, aprendia-se e memorizava-se inteiros poemas sobre alma, divindade, universo”. /// O conflito entre Roma e Cartago até então visto em termos militares, passou a fator de herança racial para os nazista com o escroto Alfred Rosenberg. No Congresso do Partido Nazista em setembro de 1937, ele reconheceu: “Foi merito de Roma ter desfechado o golpe mortal ao Estado semita de Cartago”. /// E para concluir, um “overlook” nas Cinco Leis Fundamentais da Escrotidão Humana. – Nota 1). Os autores do antigo Testamento eram conscientes da Primeira Lei Fundamental quando afirmaram que “scrotum infinitus est numerus” mas escorregaram na exageração poetica. O número de seres humanos escrotos não pode ser infinito porque o números de humanos viventes é finito. Nota 2). A Primeira Lei Fundamental impede de atribuir um valor numérico ao percentual de escrotas respeito ao total da população. — PRIMEIRA LEI FUNDAMENTAL: Sempre e inevitavelmente cada um de nós subestima o número de escrotos em circulação. SEGUNDA LEI FUNDAMENTAL: A probabilidade que uma pessoa em particular seja escrota independe de qualquer outra característica dessa pessoa (a Segunda Lei Fundamental agrade ou não agrade há implicações diabolicamente inelutáveis: não importa que se trate de um círculo exclusivo, da alta burguesia, ou de um refúgio de cortadores de cabeças da Polinesia, não importa que se decida pelo retiro num monastério ou de transcorrer o resto da vida entre mulheres extraordinariamente belas e homens luxuriosos, permanece inalterado o fato que se deve enfrentar o mesmo percentual de gente escrota – percentual que segundo a Primeira Lei supera sempre as mais pessimistas previsões. TERÇA LEI FUNDAMENTAL (Áurea): Uma pessoa escrota é aquela que causa um dano ao próximo ou mesmo a grupos de pessoas sem ao mesmo tempo realizar alguma vantagem para si ou até mesmo sofrendo perda. QUARTA LEI FUNDAMENTAL: Os não escrotos subestimam sempre o potencial nocivo dos escrotos. Em particular os não escrotos esquecem que em qualquer momento e lugar, e em qualquer circunstância, tratar e/ou associar-se com gente escrota se demonstra irremediável e custosissimo erro (nos séculos dos séculos, na vida pública e privada, inumeráveis pessoas não levaram em conta a Quarta Lei Fundamental acarretando perdas incalculáveis à humanidade). QUINTA LEI FUNDAMENTAL: A pessoa escrota é o tipo de pessoa mais perigosa que existe. O corolário da lei é: O escroto é mais perigoso do ladrão.