A ex-alta representante da União Europeia para Assuntos Externos, Federica Mogherini, foi detida pela polícia belga nesta terça-feira (2) durante uma operação antifraude que mobilizou autoridades em Bruxelas e Bruges.
A ação, solicitada pela Procuradoria Europeia (EPPO), investiga possíveis irregularidades em um projeto financiado pela UE. As incursões ocorreram nos escritórios do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE), no Colégio da Europa e em residências particulares.
Mogherini esteve à frente do SEAE entre 2014 e 2019 e, desde 2020, ocupa o cargo de reitora do Colégio da Europa, instituição que recebe recursos da União Europeia.
Outro detido é Stefano Sannino, alto funcionário da UE e ex-secretário-geral do SEAE (2021–2024). Em 2025, ele assumiu a direção da recém-criada Direção-Geral para Oriente Médio, Norte da África e Golfo (DG MENA). Um terceiro suspeito, identificado pela imprensa belga como gerente do Colégio da Europa, também foi levado para interrogatório.
A EPPO afirma haver “fortes suspeitas” de quebra das regras de concorrência, envolvendo o projeto da Academia Diplomática da União Europeia, concedido ao Colégio da Europa entre 2021 e 2022.
Segundo informações da Euronews, a investigação apura se informações sigilosas foram repassadas ao Colégio antes da conclusão do processo de licitação — o que pode configurar fraude em compras públicas, corrupção, conflito de interesses e violação de sigilo profissional.
O SEAE confirmou as buscas policiais, destacando que o caso se refere a atividades do “mandato anterior”. A polícia belga e a EPPO não divulgaram mais detalhes, afirmando que a investigação permanece em curso.
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