Com 100% das urnas apuradas, a candidata de direita Keiko Fujimori é a virtual presidente eleita do Peru. Ela obteve 50,135% dos votos no segundo turno, realizado no dia 7 de junho, contra 49,865% do deputado de esquerda Roberto Sánchez, uma diferença de apenas 49.641 votos entre os dois.
O Jurado Nacional Eleitoral, órgão máximo da Justiça Eleitoral peruana, ainda precisa oficializar o resultado. A previsão é de que isso ocorra até a próxima sexta-feira (3).
País dividido
Na última quarta-feira, quando sua vantagem tornou-se matematicamente irreversível, Fujimori discursou como vencedora de fato, sem, no entanto, proclamar formalmente a vitória.
“Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio”, disse ela diante de jornalistas em Lima. A candidata prometeu trabalhar pela reconciliação nacional.
Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, Keiko substituirá o presidente interino José María Balcázar Zelada, de esquerda, que ocupa o cargo há apenas quatro meses.
Oito presidentes em oito anos
A chegada de Fujimori ao poder ocorre em meio a uma crise política prolongada. Zelada mesmo havia assumido de forma interina após a destituição de José Jeri, afastado pelo Congresso por má conduta, depois que veio a público sua participação em reuniões não divulgadas com empresários chineses.
Antes de Jeri, Dina Boluarte também foi removida por escândalos de corrupção. Ela havia assumido após a prisão de Pedro Castillo, que tentou dissolver o Congresso e declarar estado de exceção para escapar de um impeachment. Nos últimos oito anos, o Peru teve oito presidentes diferentes.
Resultado
O adversário de Fujimori afirmou que não reconhece o resultado e convocou protestos. Na semana passada, alegou fraude e anunciou que pedirá recontagem dos votos.
Sánchez chegou a liderar a apuração por vários dias, mas perdeu a dianteira quando foram contabilizados os votos dos peruanos residentes no exterior. Na última segunda-feira (22), ele apresentou recurso para anular esses votos, alegando irregularidades administrativas na gestão das cédulas pelo órgão eleitoral fora do país.
Especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo jornal peruano El Comercio avaliaram que o pedido não tem fundamento jurídico e serve apenas para postergar a proclamação oficial do resultado.
*Com informações do g1.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário