No G7, Lula defende imposto sobre grandes fortunas e cobra soluções para Gaza e Ucrânia

Patricia Faermann
Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.
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"As instituições de governança estão inoperantes diante da realidade geopolítica atual e perpetuam privilégios", disse Lula, sobre os conflitos internacionais

Lula em reunião do G7, na Itália – Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula levou a sua bandeira internacional ao G7 e defendeu o imposto global sobre grandes fortunas, e usou o espaço também para condenar o genocídio contra o povo palestino em Gaza, cobrando uma articulação internacional para o cessar-fogo na região.

Imposto sobre grandes fortunas

Sobre o imposto global, o presidente levou a mesma pauta do G20, no qual o Brasil preside: “Já passou da hora dos super-ricos pagarem sua justa contribuição em impostos”, afirmou. “É nesse contexto de combate às desigualdades que se insere a proposta de tributação internacional justa e progressiva que o Brasil defende no G20.”

Segundo Lula, a taxação deve ser parte das políticas dos países entre as estratégias para erradicar a fome e a pobreza no mundo. “O apoio de todos os presentes nesta reunião à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que lançaremos na Cúpula do G20 no Rio de Janeiro, será fundamental para dar fim a essa chaga que ainda assombra a humanidade”, acrescentou.

Gaza é “vingança”

Além dessa proposta, o presidente brasileiro não só pressionou pelo cessar-fogo em Gaza, como sugeriu a criação de uma conferência de paz para dar fim ao conflito da Rússia e Ucrânia, que já dura mais de 2 anos.

“Em Gaza, vemos o legítimo direito de defesa se transformar em direito de vingança. Estamos diante da violação cotidiana do direito humanitário, que tem vitimado milhares de civis inocentes, sobretudo mulheres e crianças”, disse Lula.

Voltando a criticar as instituições internacionais, pela falta de ações frente a matanças como esta, o presidente disse que “as instituições de governança estão inoperantes diante da realidade geopolítica atual e perpetuam privilégios”.

Cúpula de paz para Ucrânia e Rússia

Sobre a invasão da Ucrânia, o líder brasileiro lembrou que o país “condenou de maneira firme” e que, após 2 anos, “já está claro que nenhuma das partes conseguirá atingir todos os seus objetivos pela via militar”.

Tanto o Brasil, quanto a China se dispuseram a liderar essa conferência para traçar um plano de paz, que seria negociado entre as delegações do Kremlin e de Kiev. “Somente uma conferência internacional que seja reconhecida pelas partes, nos moldes da proposta de Brasil e China, viabilizará a paz”, afirmou.

As falas de Lula ocorrem após o representante brasileiro negar o convite da Suíça para uma reunião com mais de 90 países para debater a saída para a crise ucraniana. A Rússia não foi convidada ao evento, o que foi visto pelo presidente brasileiro como um erro quando se trata de negociação.

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2 Comentários

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  1. A política externa de Lula é perfeita. Mas ela sozinha não vai garantir a governabilidade ou impedir o crescimento eleitoral da direita brasileira. O povo não come PIB, dizia Maria da Conceição de Almeida Tavares. A credibilidade internacional de Lula também não é garantia de emprego e renda para a população brasileira.

  2. Ninguém na História abriu mão de poder. Por mais ladrão, por mais de forma criminosa que o tenha obtido. Só um “freio de arrumação” para trazer as coisas a um patamar, digamos, mais humano. Enquanto isso não ocorrer, vamos continuar a ver “esses comandantes loucos”, do alto de suas vergonhosas fortunas pessoais desenvolverem e colocarem suas taras em prática, pouco importando os esfolados e os números de miseráveis criados com essas mesmas taras. O Estado falhou no seu principal objetivo quando deixou que indivíduos se tornassem Estados, numa espécie de monarquia maluca e ultra egoísta. Agora é tarde. Só depois do grande desastre.

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