4 de junho de 2026

85 mais ricos têm o mesmo patrimônio de metade da população

Enviado por Demarchi

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Da BBC

Os 85 mais ricos do mundo têm o mesmo patrimônio de metade da população

Um relatório da ONG britânica Oxfam divulgado nesta segunda-feira mostra que o patrimônio das 85 pessoas mais ricas do mundo equivale às posses de metade da população mundial.
 
Segundo o documento chamado Working for the Few (“Trabalhando Para Poucos”, em tradução livre), as 85 pessoas mais ricas do mundo têm um patrimônio de US$ 1,7 trilhão, o que equivale ao patrimônio de 3,5 bilhões de pessoas, as mais pobres do mundo.

O relatório ainda afirma que a riqueza do 1% das pessoas mais ricas do mundo equivale a um total de US$ 110 trilhões, 65 vezes a riqueza total da metade mais pobre da população mundial.

A Oxfam observou em seu relatório que, nos últimos 25 anos, a riqueza ficou cada vez mais concentrada nas mãos de poucos.

“Este fenômeno global levou a uma situação na qual 1% das famílias do mundo são donas de quase metade (46%) da riqueza do mundo”, afirmou o documento.

“No último ano, 210 pessoas se tornaram bilionárias, juntando-se a um seleto grupo de 1.426 indivíduos com um valor líquido combinado de US$ 5,4 trilhões”, destaca o relatório.

“É chocante que no século 21 metade da população do mundo – 3,5 bilhões de pessoas – não tenham mais do que a minúscula elite cujos números podem caber confortavelmente em um ônibus de dois andares”, afirmou Winnie Byanyima, diretora-executiva da Oxfam.

Para Byanyima, “em países desenvolvidos e em desenvolvimento estão cada vez mais vivendo em um mundo em que as taxas de juros mais baixas, a melhor saúde e educação e a oportunidade de influenciar estão sendo dadas não apenas para os ricos mas para os filhos deles também”.

“Sem um esforço concentrado para enfrentar a desigualdade, a cascata de privilégios e de desvantagens vai continuar pelas gerações. Em breve vamos viver em um mundo onde a igualdade de oportunidades é apenas um sonho”, acrescentou.

Publicado dias antes do Fórum Econômico Mundial em Davos, o relatório detalha o impacto da crescente desigualdade em países desenvolvidos e outros em desenvolvimento.

América Latina e Brasil

O relatório da Oxfam apontou que alguns países, especialmente na América Latina, estão conseguindo ir contra esta tendência, diminuindo a desigualdade na última década.

“Entre os países do G20, as economias emergentes geralmente eram aquelas com maiores níveis de desigualdade (incluindo África do Sul, Brasil, México, Rússia, Argentina, China e Turquia) enquanto que os países desenvolvidos tendiam a ter níveis menores de desigualdade (França, Alemanha, Canadá, Itália e Austrália)”, afirmou o documento.

“Mas até isto está mudando, e agora todos os países de alta renda do G20 (exceto a Coreia do Sul) estão vivendo o crescimento da desigualdade, enquanto o Brasil, México e Argentina estão vendo um declínio nos níveis de desigualdade.”

A Oxfam destaca o caso brasileiro, apontando que o país teve “sucesso significativo na redução da desigualdade desde o início do novo século”.

“Em parte devido ao crescente gasto público social, uma ênfase no gasto com saúde pública e educação, um programa de transferência de renda de larga escala que impõe condições para o recebimento (Bolsa Família) e um aumento no salário mínimo que subiu mais de 50% em termos reais desde 2003”, afirmou o relatório.

A Oxfam alerta que a “democracia ainda é frágil e a desigualdade ainda é muito alta na região, mas a tendência mostra que problemas que eram insolúveis, as enormes disparidades de renda, podem na verdade ser enfrentados com intervenções políticas”.

Leis e paraísos fiscais

A Oxfam também fez uma pesquisa em seis países (Brasil, Espanha, Índia, África do Sul, Grã-Bretanha e Estados Unidos) e mostrou que a maioria dos entrevistados acredita que as leis são distorcidas para favorecer os ricos.

Entre os países pesquisados, a Oxfam destaca a Espanha, onde oito em cada dez pessoas concorda com essa afirmação sobre as leis.

A ONG também destaca outro grande problema relacionado ao dinheiro que não paga impostos, ficando em paraísos fiscais.

“Globalmente, os indivíduos e companhias mais ricos escondem trilhões de dólares dos impostos em uma rede de paraísos fiscais no mundo todo – estima-se que US$ 21 trilhões estão escondidos sem registros”, informou a ONG em seu relatório.

Segundo a ONG, que vai enviar representantes a Davos, os participantes do Fórum Econômico Mundial têm o poder de reverter o aumento da desigualdade.

A Oxfam pede que os participantes do fórum se comprometam a não sonegar impostos em seus países ou em países onde têm investimento, não usar a riqueza econômica para conseguir favores políticos que prejudiquem a democracia, apoiar os impostos progressivos sobre patrimônio e renda, enfrentar o sigilo financeiro e sonegação de impostos entre outras recomendações.

Além disso, a ONG também recomenda o estabelecimento de uma meta global para acabar com a desigualdade econômica extrema em todos os países, uma regulamentação maior dos mercados para promover crescimento sustentável e igualitário e a diminuição dos poderes dos ricos de influenciar os processos políticos.

 

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8 Comentários
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  1. MThereza

    21 de janeiro de 2014 10:53 am

    Se você não é um desses 85,

    Se você não é um desses 85, por que vota como eles, quer se vestir como eles, se divertir como eles? Junte-se aos outros bilhões e, quem sabe, esses 85 possam se tornar 800 milhões e, assim,  diminuir a desigualdade?

  2. RVeiga

    21 de janeiro de 2014 11:33 am

    > (…) as 85 pessoas mais

    > (…) as 85 pessoas mais ricas do mundo têm um patrimônio de US$ 1,7 trilhão (…)

    No que consiste esse patrimônio? Temos oitenta e cinco caixas fortes mundo afora, como aquela do Tio Patinhas, onde esses “sortudos” nadam em meio a moedinhas de ouro?

    1. Ed Döer

      21 de janeiro de 2014 12:32 pm

      Antes de mais nada, a lista

      Antes de mais nada, a lista não é criação minha, encontrei numa discussão lá fora sobre o tema.

      Do top 30, 14 (praticamente metade) são herdeiros:

      6 – Charles Koch – inherited Koch Industries from Dad

      7 – David Koch – inherited Koch Industries from Dad

      9 – Liliane Bettencour – inherited L’Oreal from Dad

      10 – Bernard Arnault – inherited company from Dad

      11 – Christy Walton – inherited Walmart fortune from father-in-law

      12 – Stefan Persson – inherited H&M from Dad

      14 – Jim Walton – inherited Walmart fortune from Dad

      16 – Alice Walton – inherited Walmart fortune from Dad

      17 – S. Robson Walton – inherited Walmart fortune from Dad

      22 – Mukesh Ambani – Dad was richest man in India

      24 – David Thomson – Dad was richest man in Canada

      26 – Prince Al-waleed – grandson of King Abdulazziz of the Saudi royal family

      26 – Thomas and Raymond Kwok – inherited company from Dad

      29 – Dieter Schwarz – inherited Lidl from Dad

      1. Barrado de Baile

        21 de janeiro de 2014 2:21 pm

        E dá-lhe “meritocracia” …

        O título ficaria mais esclarecedor (e estarrecedor), se terminasse por “população mundial” (talvez um “amaciamento” da BBC para, quem sabe, pensarmos que possa ser a população de Quixeramobim).

        85 / 3.500.000.000 é uma fração, digamos, pornográfica.

        Conforme a preferência, podemos falar em 0,0000000243%. Ou 2,43E-10

        O interessante é a meritocracia de boa parte destas pessoas e, inevitavelmente, da grande maioria delas, conforme vão ficando “comerdeiros” destas “fortunicas”.

        Como a bilionária viúva de Amador Aguiar (Bradesco), “colega acionista” de Verônica Dantas na Vale. Ou o Chiquinho Scarpa e seu falecido e ressuscitado Bentley nos jardins de sua mansão nos Jardins.

        E assim os conservadores justificam e vendem suas posições…

        Enquanto bilhões ficam em “posições”, digamos, um tanto mais degradantes

         

         

         

  3. janes salete

    21 de janeiro de 2014 2:46 pm

    É que a classe-média, a que

    É que a classe-média, a que paga tudo, não se importa de pagar 20 reais por tarde para ficar num shopping, mas odeia pagar 1,00 por dia para o bolsa família. Essa classe-média, é uma otária!!!!!! Odeia esse negócio de distribuição de renda, dinheiro público para saúde pública, escolas públicas. Mas, se o beneficiado de seus impostos são os ricaços, pra classe-média, tudo bem. Enquanto essa classe não se libertar de seu total recalque, o mundo dos concentradores de renda, riqueza, não mudará, continuará concentrando riqueza cada vez mais.

  4. RONALD

    21 de janeiro de 2014 4:07 pm

    Com o advento da INTERNET

    Com o advento da INTERNET tornando a conciencia mais globalizada, será que algum dia esse planeta não vai ver uma queda da bastilha mundial?????

    Afinal o OCCUPPY qualquer coisa não ocorreu em muitas partes desse nosso planetinha??????

  5. Gavião

    21 de janeiro de 2014 4:11 pm

    Vocês não entendem.  Nós

    Vocês não entendem.  Nós estamos vivendo num mundo democrático de livre-mercado.  Existe uma coisa chamada meritocracia, okay?

    Olha só esta lista das 85 pessoas: todos estão ali por causa de muito suor e sangue derramado, mas tiveram uma recompensa justa no final.  Qualquer um que tiver capacidade e se esforçar para tanto também pode ficar tão rico quanto eles.  Tudo bem que eles têm R$ 1 bilhão, e eu mesmo seja 100.000 vezes menos rico do que eles.  Mas é justo.  Afinal, eles são 100.000 vezes mais capazes do que eu, e trabalham 100.000 vezes mais.  Eu só trabalho 8 horas por dia, enquanto eles trabalham – pasme – 800.000 horas por dia.  Tem gente que não gosta, mas este mundo é assim: para você se dar bem, tem que se esforçar.  Não adianta querer viver de bolsa do governo.

  6. Lucinei

    21 de janeiro de 2014 8:16 pm

    E não investem! Ficam

    E não investem! Ficam querendo FAVOR dos governos. É esse o cerne da IDELOGIA do capitalismo MIMADO: tudo é “culpa do governo”.

    Não passam de uns rebeldezinhos sem causa nenhuma; querem só quebrar o brinquedo.

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