Os próximos passos de Macron pós-reeleição

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Emmanuel Macron, presidente da França. Foto: Reprodução/Wikipedia

A vitória do presidente francês Emmanuel Macron contra a candidata de extrema-direita Marine Le Pen foi comemorada interna e externamente, mas as expectativas alimentadas no primeiro mandato não foram atendidas e a agenda do segundo mandato precisará ser mais realista.

Diretor do Instituto Francês de Assuntos Internacionais e Estratégicos (IRIS), Pascal Boniface lembra em artigo no site Project Syndicate lembra algumas dificuldades do primeiro mandato, como os protestos dos “coletes amarelos” e a percepção de ele atuava a favor dos ricos.

A guerra entre Rússia e Ucrânia também afetou as questões internacionais, por tornar inviável qualquer tipo de parceria franco-russa “pelo menos enquanto Putin estiver no comando”, segundo Boniface.

“Aliados, mas nem sempre alinhados com os EUA, sucessivos presidentes franceses viram o envolvimento com a União Soviética, e depois com a Rússia, como uma forma de preservar o espaço de manobra da França”, diz o articulista.

A invasão russa acabou por fortalecer a OTAN e, na visão de Boniface, os Estados Unidos tiveram sua credibilidade estratégica restaurada e são vistos como “a única força capaz de deter uma agressão russa mais ampla”.

E por conta desse fortalecimento, o apelo anterior de Macron por mais autonomia deixou de fazer tanto sentido entre outros líderes europeus. “Restaurar as relações normais com o Kremlin levaria anos. Se Macron persistir em pressionar por autonomia, a Europa continuará dividida”.

Outras questões externas também devem chamar a atenção de Macron em seu novo mandato, como a sucessiva piora de seu papel diplomático na África (tanto que o interesse por manter relações com países autoritários de idioma francês tem perdido força), e a escalada dos problemas no Oriente Médio.

Então, o que Macron deveria priorizar? Na visão de Boniface, o presidente francês pode contribuir de forma mais efetiva no combate contra as mudanças climáticas, na defesa do multilateralismo e no trabalho com outros países para conter a escalada do confronto na Ucrânia.

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Tatiane Correia

Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.

2 Comentários

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  1. Boniface tá falando como um cobrador de escanteio: chuta na área para a cabeçada mortal de Macron.
    Dá nítida impressão de também ser um agente da banca, de dentes afiados para passar o rodo no BC russo. E na sua montanha de ativos reais russos em forme de minérios.

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