1 de julho de 2026

Trump é a continuidade do declínio norte-americano, diz Costa Junior

Pesquisador afirma que atual presidente dos EUA é um desdobramento de um declínio iniciado há muito mais tempo
Pedro Costa Junior, pesquisador. Foto: Reprodução YouTube TV GGN

As análises políticas sobre os Estados Unidos têm sido contaminadas pelo reducionismo em torno da figura do presidente Donald Trump, mas uma avaliação mais detalhada revela um quadro bem diferente daquele proposto pela mídia mainstream.

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“O que me incomoda muito nas análises sobre a questão do trumpismo é o reducionismo, é reduzir a hecatombe que os EUA estão vivendo à figura do Trump, ao individualismo do Trump (…)”, pontua o cientista político e pesquisador Pedro Costa Junior em entrevista à TV GGN.

Na visão do analista, essa é uma saída muito fácil e que tem sido adotada inclusive pelos democratas – “se você pegar o que os analistas democratas fazem, eles estão fazendo isso. E os analistas aqui no Brasil, que são influenciados pelos democratas (que são a esmagadora maioria, sobretudo no mainstream), eles vão repetir isso”.

Pedro Costa Junior lembra que Trump é um sintoma, um “desdobramento do declínio”.

“O declínio não começou no governo Trump. O (governo) Biden já era o declínio. O que o Biden vinha fazendo no mundo já era o declínio. Ele já era o declínio. A mesma coisa o Obama, a mesma coisa o (George W.) Bush – a doutrina Bush, o declínio vem de lá”, afirma Pedro Costa Junior ao ressaltar que Trump é um “desdobramento do declínio”.

“Quem desrespeitou a ONU, quem desrespeitou e humilhou o Conselho de Segurança da ONU foi George W. Bush em 2003. Já faz mais de duas décadas. Foi ele quem desrespeitou (…)”.

Os EUA e a sabotagem contra OMC

Costa Junior lembra que foi no governo do então presidente Barack Obama que os EUA começaram a sabotar o andamento dos trabalhos da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Quem sabotou a Organização Mundial do Comércio, quando nós tínhamos um secretário-geral brasileiro, o diplomata Roberto Azevedo (…) Quem começou a sabotar a OMC foi o Obama, foi um dos democratas”, afirma.

Pedro Costa explica que os norte-americanos enviavam representantes não para fazer negociações, mas para travar as conversas. “Eles começaram a ver que o grande erro foi ter aceitado a China entrar em 2001, e que depois que a China entra na OMC em 2001, explode a questão. O comércio chinês se torna incontrolável, então eles precisam parar a China – então, eles começam a parar a própria organização, e depois o Trump dá um passo mais além, o Biden continua (…)”.

Na visão do cientista político, o declínio dos Estados Unidos vem de longe. “O Trump não é o declínio em si, ele é uma resposta da sociedade americana. A questão é muito mais profunda (…)”

Veja mais a respeito do tema na íntegra do programa TV GGN 20 horas, que pode ser acompanhado no link abaixo.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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3 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    13 de setembro de 2025 12:07 pm

    Minha visão particular, sem estudo acadêmico, é que o Sistema de dois partidos e o Colêgio Eleitoral fazem água.

    Em um mundo mais complexo o bipartidarismo oferece poucas soluções e o Colégio Eleitoral afasta o eleitor pois seu voto minitário não vale nada o majoritário também pois a coisa está qyase sempre decidida nis estados.

    Creio que o Sistema Distrital também afasta o eleitor pois is disttitis também já estão na conta.

    Se Musk compr… oos fundar seu partido creio que muda pouca coisa.

  2. ERNESTO

    13 de setembro de 2025 4:18 pm

    Madeleine Albright do Clinton também já dizia que nas Américas fora os EUA, só quem valia a pena ter em conta era o Canadá, o resto não era digno de confiança. Não resta dúvida que isso vai ainda mais longe no passado. Um enredo que se revelou farsesco lá nos anos 50, ainda na maturidade e exuberância do modelo econômico, distante ainda da decadência, mas já embuído da paranóia macartista, bem viva até os dias de hoje. Ao ponto de se cogitar se não foi o espírito de Goebbels o vencedor da 2ª guerra.

  3. Milton

    14 de setembro de 2025 8:58 am

    Vou na base de tudo que conhecemos. Os impérios nascem e morrem. Os textos diversos de uma forma ou de outra consignaram esta verdade básica. A trajetória da história humana é farta em exemplos. Todos sabemos dos impérios que existiram. O penúltimo, inglês – onde o sol nunca se punha – foi derrubado pela tentativa alemã de se contrapor. Foram vencidos pelo nascimento de uma nova potência: a pax norte-americana. Os presidentes citados apenas cumpriram sua parte na verdade maior: o declínio. Trump e sua atuação caótica é o último exemplo da disfunção, agora exposta diariamente nas redes. O título do artigo é chavão claro da realidade atual. Os impérios são conformados pela verdade maior: nascimento – crescimento – maturidade – declínio – morte. Em ciclos cada vez mais curtos.

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