TVGGN: Netanyahu tenta reconquistar a orla marítima para apagar o horror cometido em Gaza

Para professora da USP, primeiro-ministro de Israel sabe que será preso, mas insiste em entrar na história

Crédito: Reprodução/ Youtube TVGGN

O mundo vive a expectativa de um cessar-fogo definitivo na guerra em Gaza, uma vez que o genocídio promovido por Israel desde a ofensiva do Hamas em 7 de outubro já vitimou mais de 37 mil palestinos, 70% deles crianças e mulheres.

No último sábado (15), a tropa israelense anunciou pausas diárias para a entrega de ajuda humanitária, mas ressaltou que a iniciativa não deve ser vista como o fim das hostilidades no sul da Faixa de Gaza, onde o exército acredita que os líderes do Hamas estão concentrados. 

Mas, para Arlene Clemesha, professora de História Árabe da Faculdade de Letras da USP e convidada do programa TVGGN 20H da última sexta-feira (14), a situação pode estar longe de ter uma solução definitiva, tendo em vista que, historicamente, o apartheid africano só teve fim com as sanções internacionais, mas as pressões sobre Israel ainda são fracas, especialmente vindas dos Estados Unidos. 

“Netanyahu sabe que, quando ele descer do poder, será preso, seja em Israel, seja pelo Tribunal Penal. Ele sabe que não tem saída, pois está afundado em tal quantidade de crimes que provavelmente ele esteja tentando dizer o seguinte: ‘Vou tentar entrar na história de Israel como aquele que eliminou os palestinos da Faixa de Gaza e reconquistou toda a orla marítima’. Ele tenta seu marco na história de Israel esperando que o horror seja esquecido”, analisa a docente da USP.

Arlene ressaltou ainda a passagem do Jamal Juma, ativista palestino do Comitê Nacional Palestino de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) pelo Brasil na última semana. “Juma é uma liderança de base comunitária do movimento social na Palestina, muito respeitado e querido, que está junto com o movimento de boicotes como forma de pressionar o fim do apartheid israelense.”

Esclarecimentos

A convidada aponta que a islamofobia e o antissemitismo são sentimentos terríveis e irmãos, ambos são formas de racismo, estigmatização, segregação, fomento do odio, culpabilização sem qualquer fundamento. 

Enquanto docente, Arlene ressalta que cabe a ela o esclarecimento de o fundamentalismo – tendência mundial em ascensão em todas as religiões – é uma doença social precisa ser combatida.

“A forma como israel foi criada, dentro de uma ideia de reparação pelo holocausto e se colocando como defensora dos judeus no mundo inteiro, cria uma ligação entre o judeu de que ele precisa de israel para se defender do antisemitismo”, emenda. 

Assim, é preciso esclarecer que, para construir um resultado mais promissor para todos, é preciso atuar contra o genocídio em Gaza, assim como contra o crescimento do antissemitismo em todo o mundo. 

“A comunidade judaico-brasileira tem de entender que se tiver uma agressão contra eles, estaremos contra essa agressão, a sociedade brasileira estará contra a agressão”, finaliza. 

Assista a entrevista completa na TVGGN:

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