21 de maio de 2026

Acusado de absolver réu por estupro, desembargador agora é alvo de investigação interna

Relator que validou "vínculo afetivo" entre homem de 35 anos e menina de 12 enfrenta suspeitas de pedofilia e pedidos de afastamento
Tribunal de Justiça de Minas Gerais. | Foto: TJMG

▸ Desembargador Magid Nauef Láuar, do TJMG, é alvo de apuração após absolver homem por estupro de vulnerável contra menina de 12 anos.

▸ Deputada Duda Salabert acionou o CNJ para investigar decisão que anulou condenação de 9 anos, citando “vínculo afetivo”.

▸ Corregedor do CNJ exigiu explicações do TJMG; voto vencido defende vulnerabilidade de menores e subsidia recurso do MP.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) vive uma crise institucional sem precedentes. O desembargador Magid Nauef Láuar, relator da polêmica decisão que absolveu um homem de 35 anos do crime de estupro de vulnerável contra uma menina de 12, tornou-se alvo de um procedimento interno de apuração. A medida, anunciada após reunião com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa (ALMG), surge em meio a relatos gravíssimos que ligam o passado do magistrado a crimes de abuso sexual.

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A ofensiva contra a decisão ganhou força também na esfera federal. Conforme noticiado pelo GGN, a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) acionou formalmente, nesta segunda-feira (23), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que investigue a conduta do magistrado. A parlamentar contesta o acórdão que, sob a justificativa de “vínculo afetivo”, anulou uma condenação de nove anos de prisão. Em paralelo, a deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL) revelou que vítimas vieram a público relatar abusos sofridos ainda na adolescência, supostamente cometidos pelo magistrado.

O “Distinguishing” da Impunidade

A investigação administrativa corre em paralelo ao estrago jurídico provocado pelo voto de Láuar na 9ª Câmara Criminal. Ao utilizar a técnica do distinguishing, recurso para afastar regras gerais em casos “peculiares”, o desembargador ignorou a Súmula 593 do STJ para chancelar o que críticos chamam de “judicialização da pedofilia“. No entendimento da maioria do colegiado mineiro, o fato de a criança estar fora da escola e vivendo com um homem adulto sob anuência da mãe configuraria um “vínculo afetivo consensual“.

Intervenção do CNJ e Voto Vencido

O impacto da decisão ultrapassou as fronteiras de Minas Gerais. O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, instaurou um Pedido de Providências e exigiu explicações imediatas do tribunal e do relator. O foco é entender como um colegiado de maioria masculina pôde atropelar a jurisprudência consolidada do país para soltar um réu com antecedentes por homicídio e tráfico de drogas.

Dentro do próprio tribunal, a resistência veio da desembargadora Kárin Emmerich. Única voz dissonante no julgamento, ela reforçou que a condição de menores de 14 anos como pessoas vulneráveis não pode ser relativizada, independentemente das circunstâncias. Seu voto vencido agora serve de base para o recurso que o Ministério Público tenta emplacar para reverter a absolvição.

Risco de Suspeição e Afastamento

A pressão social e política agora exige o afastamento cautelar de Magid Nauef Láuar. O argumento jurídico baseia-se no artigo 254 do Código de Processo Penal: se o magistrado responde por fatos análogos aos que julga, sua imparcialidade está comprometida.

O TJMG informou que procedimentos dessa natureza tramitam sob sigilo, mas a articulação de parlamentares como Duda Salabert e Bella Gonçalves assegura que o caso não será silenciado.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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