Aécio e Lindberg: dois pesos diferentes de Rodrigo Janot

O Procurador Geral da República Rodrigo Janot ficou de entregar a lista dos políticos ao STF (Supremo Tribunal Federal) às 8 da manhã de quinta-feira. A lista só chegou no final da noite, entregue por um subprocurador.

O Ministro Teori Zavaski tinha certeza que, dentre os nomes, estava o do senador Aécio Neves. Espantou-se quando constatou que ficara de fora. A rádio corredor do STF sustenta que a decisão de deixar Aécio de fora foi tomada na noite anterior.

Teori deixou escapar uma opinião: “Não sei se era para Aécio estar ou não na lista. Mas entrou na lista gente com muito menos coisa que ele”.

Na nota oficial, Teori explicou que não caberia ao STF definir quem poderia ou não ser indiciado – esse papel é do PGR – mas apenas analisar os procedimentos.

Vamos a uma pequena comparação entre os elementos que havia contra Aécio e contra o senador Lindberg Faria.

Os indícios contra Aécio

O doleiro Alberto Yousseff narrou conversas que mantinha com o deputado José Janene, do PP. Segundo Yousseff, Janene teria lhe dito que em Furnas, no período de 1994 a 2001, havia influência direta do PP e do PSDB, cada qual responsável por uma diretoria.

No caso do PP, os recursos eram encaminhados pela empresa Bauruense, de propriedade de Airton Dare, que prestava serviços de locação de veículos, limpeza e segurança para Furnas. Yousseff descreve uma série de episódios que testemunhou, envolvendo discussões sobre propinas entre Janene e a Camargo Correia.

E diz ter ouvido, de Janene, mais de uma vez, que o então deputado federal Aécio Neves teria influência em uma das diretorias, através de sua irmã. Não  soube informar o nome da irmã, nem como se daria o comissionamento de Aécio, nem o nome do diretor envolvido no esquema. Mas informava que a Bauruense teria todos esses dados. Yousseff informa ter “ouvido” falar que Aécio receberia valores mensais, por intermédio de sua irmã, através da Bauruense.

Em outro trecho do depoimento, Yousseff dizia ter presenciado discussão entre Janene e Antonio Daré, da Bauruense, em que este informava não poder repassar mais para o PP porque ainda tinha a parte do PSDB.

Em outo depoimento, Janot justifica o arquivamento da denúncia contra Aécio assim:

“Outro detalhe relevante: a referência de que existia uma suposta “divisão” na diretoria de Furnas entre o PP e o PSDB – o que poderia ensejar a suposição de uma ilegítima repartição de valores entre as duas agremiações – não conta com nenhuma indicação, na presente investigação, de outro elemento que a corrobore”.

Havia uma indicação clara de Yousseff, de que o esquema para os dois partidos – PP e PSDB – passava pela Bauruense. E há um inquérito em andamento sobre a lista de Furnas.

O normal seria abrir o inquérito, ouvir a Bauruense, incorporar o que foi levantado no inquérito sobre a lista de Furnas e, de acordo com o que fosse obtido, arquivar ou fazer a denúncia.

No entanto, segundo Janot, “tal como realizado em detrimento a outros indicados nas delações que estão sob análise, não há como, neste momento, em face do que se tem concretamente nos autos, dar andamento a investigação formal em detrimento do parlamentar”.

Os indícios contra Lindberg

Contra o senador Lindberg Farias o quadro foi outro.

No seu depoimento, Paulo Roberto Costa conta que foi procurador por Lindberg, acompanhado de um assessor, José Antonio da Silva Parente., pedindo colaboração para a campanha. O pedido teria sido da ordem de R$ 2 milhões. Segundo Costa, ele teria contatado Yousseff para providenciar o repasse.

A única certeza de Costa sobre o depósito era a de que, caso não tivesse sido feito, “haveria reclamação”. Em novo depoimento, Costa disse que Lindbergh agradeceu a providência.

No entanto, o doleiro Yousseff negou taxativamente ter feito a operação. Afirmou não conhecer Lindberg nem seu assessor, que não se recordava de ter feito o pagamento, que Costa pode ter se confundido.

Os procuradores levantaram as doações oficiais a Lindberg e localizaram uma de R$ 1 milhão da Camargo Correia, além de 20 transferências do diretório nacional do Partido. Naquele dia, segundo os procuradores, a Andrade Gutierrez havia feito transferência de R$ 1 milhão ao Diretório Nacional do PT. No mesmo dia, o diretório transfere R$ 950 mil a Lindberg.

Os procuradores identificaram o mesmo esquema em várias outras doações de empresas ligadas ao cartel. Mas nenhum indício de que as contribuições seriam provenientes de caixa 2 ou do esquema da Petrobras.

Todos esses fatos aconteceram após Paulo Roberto Costa ter deixado a Petrobras. E, em sua delação, ele garantiu ter pedidos apenas contribuições oficiais às empresas. Mais: os contatos nem chegaram a ser feitos, porque Paulo Roberto foi preso em seguida.

O argumento para abrir o inquérito é o seguinte:

“No caso, além de diversos outros elementos, verifica-se que o Senador LINDBERGH FARIAS tinha conhecimento do caráter ilícito dos valores recebidos, pois não haveria qualquer justificativa lícita razoável para o recebimento de valores por intermédio do então Diretor da PETROBRAS”.

Como não? Até então não havia nenhuma denúncia contra Paulo Roberto Costa. Era especialista em petróleo e fora convidado para ser um futuro Secretário do governo Lindberg, caso fosse eleito. Ele era suficientemente bem relacionado, inclusive para atuar como intermediário da venda de imóveis da própria família Marinho, da Globo. E todos os contatos com as empresas – que financiam todos os governos e todos os candidatos – segundo o próprio depoimento de Costa, seria para contribuições oficiais.

Ou seja, as únicas evidências contra Lindberg eram contribuições oficiais de empreiteiras – que são as maiores financiadoras de candidatos de todos os partidos. Onde, então, o “caráter ilícito” das contribuições?

No primeiro caso, o delator informa a existência de sistema irregular de caixa 2 em Furnas; no segundo caso, o delator diz que iria atrás de contribuições oficiais de campanha.

Isenta-se o primeiro acusado, sob o argumento de que os dados são insuficientes; e abre-se o inquérito sobre o segundo.

Os dois pesos e duas medidas utilizados por Janot não ajudam na imagem de isenção da Lava Jato.

188 comentários

  1. Estou incomodado com uma

    Estou incomodado com uma coisa desde que essa novela das delações começaram: se as empreitareiras envolvidas no famigerado esquema, tem contratos pelo Brasil afora, São Paulo incluso, não falaram nada dos políticos paulistas. Anastasia – Aécio por tabela – para mim foram para o sacrifício, para livrar o caminho de outros caciques tucanos. Ou alguem acredita na santidade de Serra, Alckmin, FHC e outros?

     

     

  2. Comentário meu na página de Lindberg Farias no Facebook

    O senador do PT-RJ, Lindberg Farias, o Lindinho, publicou nota oficial em sua página no Facebook negando a origem ilícita das doações feitas para as suas campanhas ao senado, em 2010, e ao governo do RJ, em 2014. Em nenhum momento da nota oficial ele nega os encontros com Paulo Roberto Costa em 2010 e em 2014, limitando-se a afirmar que as doações de campanha que ele recebeu foram doações oficiais, legais, tudo dentro da legislação eleitoral.

    Link para o post com a nota oficial do senador: https://www.facebook.com/lindbergnarede/posts/958699550808007

    Aproveitei a oprtunidade e, democraticamente, escrevi o seguinte comentário:

    “Nobre senador, eu venho questionar democraticamente o senhor sobre o teor da acusação que lhe foi feita por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras.

    Em sua delação premiada, Costa afirma que o senhor esteve na sala dele na Petrobras, na companhia de um assessor que ele reconheceu ser um cidadão alcunhado “Totó”, na época da campanha para o Senado em 2010, e pediu dinheiro para a sua campanha, dinheiro este que o senhor, segundo conclusão do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, sabia ser de origem ilícita, uma vez que não fazia sentido procurar Costa para obter as doações (enquanto diretor da Petrobras, Costa não tinha a função de intermediar doações para campanhas eleitorais).

    Além desse primeiro encontro, outros encontros teriam acontecido também na Petrobras, isso em 2010. Em 2014, com Costa já fora da diretoria de abastecimento da Petrobras, o senhor teria encontrado com ele e teria também pedido mais recursos para a nova campanha eleitoral, dessa vez ao governo do Rio de Janeiro (RJ), tendo inclusive supostamente oferecido a ele o cargo de secretário de desenvolvimento, caso fosse eleito governador do RJ.

    Como provas das visitas à Petrobras em 2010 que o senhor teria feito, Costa cita a sua agenda pessoal e o PGR Rodrigo Janot, depois de solicitar que os registros de entradas (portaria) no edifício sede da PETROBRAS no Rio de Janeiro, incluindo o denominado “Acesso VIP”sejam anexados aos autos, período 2009-2011, requereu que essas provas façam parte do inquérito.

    Eu pergunto ao senador: (i) São verdadeiros esses encontros descritos por Paulo Roberto Costa? (ii) O senhor esteve com ele na sede da Petrobras, nas ocasiões indicadas, para tratar de dinheiro para as suas campanhas? (iii) O senhor sabia que Costa praticava corrupção na Petrobras? (iv) Caso as visitas sejam confirmadas ou restem comprovadas, mas o senhor negue o teor da reunião indicado por Costa (obtenção de dinheiro para as campanhas eleitorais do senhor), quais seriam então os assuntos tratados em tais reuniões, considerando que Costa disse não conhecer o senhor antes dos primeiros encontros?

    Esses fatos são importantes para a defesa do senador, pois, se ficar comprovado que o senhor visitou Paulo Roberto Costa em sua sala na Petrobras nas ocasiões por ele indicadas, ficará difícil escapar de ser denunciado pelos crimes lhe imputados pelo PGR Rodrigo Janot (corrupção passiva e lavagem de dinheiro), ainda mais quando as doações de campanha dirigidas à candidatura do senhor, via diretório nacional do PT, segundo o pedido de abertura de inquérito, vinham descontadas de percentuais que seriam as comissões dos operadores do esquema (fato que deverá ser objeto de prova, obviamente, sob pena da acusação ficar fragilizada, isto é, deverá ficar comprovado o pagamento das comissões aos operadores, de alguma forma).”

    Até o presente momento, nem o senador nem a sua assessoria responderam a este meu comentário. É comum eles responderem a alguns comentários e acredito que o meu comentário se enquadre perfeitamente dentro das regras da moderação do espaço. Vamos ver o que ele irá fazer.

    • Êióó mãããnhêêê, óói eu brincano de promotô no fêicebuque!

      O despir, digo desenfreado comentarista de Marte, sentindo-se um de seus “heróis” confessos (Barbosa, Gilmar, o conterrâneo Renan, o “confiável lider” Costa, dentre outros similares) faz quatro perguntas, como se promotor fosse num inquérito fêicebuqueano, todas respondíveis por uma simples leitura do noticiário em entrevistas do próprio L.Farias.

      Sem senso de ridículo, supõe que vai prestar um definitivo “serviço” à nação, desmascarando o petista num só golpe, por um processo que nem Lewis Caroll faria melhor com Alice.

      O promotô feicebuqueano, cuja lógica intestinal lhe faz acreditar em P.R.Costa porque L.Farias não é “digno de confiança” (como é Costa, “evidentemente”), acha que a “chave” da condenação de Farias é ele ter ido à sala dele na Petrobrás “pedir dinheiro” (nunca seria “pedir ajuda para conseguir doação legal em dinheiro de empresas de suas relações”, pois o “outro jeito” gasta apenas 2 palavras, o que lhe torna mais fácil processar em 2 neurônios.

      Está também seguríssimo de que o “inquirido” petista (e não conterrâneo, 2 graves transgressões) responderá de pronto que não só “sabia” com especificou no “pedido” que o “dinheiro deveria ser de corrupção”…

      Na hipótese de não ter suas questões respondidas pelo paraibano (?), anexará cópia das telas de tal falta como mais uma prova a ser encaminhada de pronto ao STF.

      É possível ainda que Farias venha acabar tendo de pedir uma ordem de restrição contra um marciano.

      Dizem que marcianos não existem. Pelo sim pelo não, eu vendo camisas-de-força até para marcianos!

       

       

       

      • Kkkkkkkk, os fantasiados estão cada vez mais desesperados

        O aloprado fantasiado acima está desesperado kkkkkk.

        Fiz só umas perguntas ao senador Lindinho sobre se ele esteve com Costa na Petrobras, porque isso ele não teve a cara de pau de negar na nota oficial, pois certamente já sabe que o nome dele figurará na lista dos visitantes da sede da Petrobras no RJ. Vai ter que explicar o que foi fazer lá hehehe. Pedir dinheiro a diretor da Petrobras envolvido com corrupção? Por que não procurou diretamente as construtoras, aloprado fantasiado? Explica aí.

        O que é que o então prefeito de Nova Iguaçú foi fazer visitando Paulo Roberto Costa na Petrobrás, quando ele nem conhecia Costa? Quem tem que responder isso aí é ele. Eu estou até ajudando o senador Lindinho a se preparar para o que vem pela frente, além de ajudar as pessoas que lêem a página dele a entender, de fato, do que ele está sendo acusado.

        Minha participação foi, portanto, didática, esclarecedora e dando ao senador a chance de se defender e esclarecer os fatos.

  3. Membros da Polícia Fedral sob outras ordens?

    Acho que pelo que está acontecendo, o vídeo pode esclarecer policiais da PF que não souberam da história, podem começar a ficar intrigados como podem estar ocorrendo algumas investigações ou busca de provas. E eles sendo enrolados e achando que estão sendo profissionais com missões patrióticas. A influência e pagamentos para delegados podem estar ocorrendo ainda hoje. Como da velha história, pode vender a alma ao diabo, mas o diabo é que um dia ele vem cobrar conta.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=aPV0kebN8o4%5D

  4. Lindberg já confessou que pediu a “ajuda” de Costa

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/03/1599826-lindbergh-diz-que-pode-ter-agido-de-forma-impropria-mas-nao-ilegal.shtml

    Tá ferrado. Foi procurar logo Paulo Roberto Costa e quer que as pessoas acreditem que ele não sabia que o dinheiro era de corrupção.

    Inclusive nem isso ele nega, o que seja, o caráter ilícito da origem da doação. Ele diz apenas que não sabia que era dinheiro de corrupção. Esse não sabe nem se defender. Ele pergunta, feito cretino: “os caras iam me dizer que era dinheiro de corrupção? Isso não existe!”. Claro que existe, paraibano deslumbrado. É simples: voce fazia parte do esquema.

    Por que construtoras atenderiam ao pedido de Costa, Lindinho? Quer tratar a todos como idiotas? Ou ele acha normal e não suspeito que diretores da Petrobras tenham tanto poder, que consigam doações milionárias junto a empresas que contratam com a Petrobras??

    Cada uma que dá 10 hahahaha. E tem lunático fantasiado de Internet (fakes), com vergonha de usar o perfil verdadeiro, achando que esse tipo de trambique é normal hahahaha. Piada.

    Vai ser condenado, não tenho a menor dúvida disso.

    • Marciano segue conselho e descobre noticiário na Terra!

      Quanto a porque “construtoras atenderiam ao pedido”, seus 2 neurônios (em curto) não permitem processar, mas vc pode perguntar no fêicebuque daquele seu herói (um dos) que sentou sua abundância numa “vista” de processo já definido n STF e ele poderá lhe dar uma resposta pronta.

      De resto, suas “brilhantes e peremptórias conclusências” envergonhariam profundamente qualquer dêvogado..

      Até em Marte…

      • Esse fake envergonhado não sabe nem mais o que diz

        O fantasiado acima é uma piada hehe. Gilmar Mendes e seu pedido de vista na ADIN que visa proibir doações a campanhas eleitorais de pessoas jurídicas nada tem a ver com o fato de um prefeito de um município do RJ, por acaso candidato a senador da república pelo partido do Governo Federal, ter procurado um diretor da Petrobras para intermediar doações junto a construtoras que prestam serviços para a mesma Petrobras. Ele confessou tudo isso, confessando inclusive os encontros com donos das construtoras contactadas por Costa.

        A questão não é, portanto, neste caso, empresas poderem doar dinheiro para campanhas eleitorais, sofrível fantasiado de Internet. A questão é o fato de quem almejava a doação ter ido buscar ajuda de um diretor da Petrobras que foi pedir dinheiro a empresas que contratam….com a Petrobras. Nenhuma empresa doa quantias milionárias apenas porque é legal doar, fake idiota, preste atenção e manda trocar essa cartilha aí rsrs. Atendiam ao pedido do diretor da Petrobras porque tinham um acerto com ele e Lindberg, sabendo previamente disso, ao invés dele mesmo contactar as construtoras, procurou o referido diretor da Petrobras para fazer isso, porque sabia que o que ele fazia por elas iria garantir a doação de que ele precisava.

        Detalhe “desimportante” hehe: tudo isso quando o referido diretor da Petrobras é um corrupto confesso, que disse que recebia propina para facilitar a formação de um cartel nos contratos superfaturados celebrados pelas construtoras doadoras do recurso para o candidato ao Senado do PT, Lindinho Farias.

        E mais: o delator confirmou que as doações saíam de um fundo formado pelo montante das propinas calculadas no valor de 3% dos contratos.

        Ou seja, quando um terceiro (Lindberg Farias) confessa que procurou Costa para que ele ajudasse a arrecadar doações para as suas campanhas eleitorais, a versão do delator somente ganha veracidade, já que só pode ter sido a corrupção por ele confessada que lhe deu esse prestígio ou poder junto às construtoras. Ele já tinha confessado antes que recebia propina das construtoras e que elas pagavam inclusive parte das propinas na forma de doações para campanhas eleitorais. Tudo se encaixa.

        Ou seja, a versão do delator é factível, tem lógica, é real, pois as empresas não iriam doar atendendo a um pedido dele se não fossem beneficiadas por ele na Petrobras. Não faz nem sentido pensar o contrário, isto é, que Costa, um corrupto confesso, iria pedir ajuda justamente a empresas que contratam com a Petrobras, comprovadamente corruptoras (algumas até confesaram os pagamentos das propinas e a formação do cartel, sobram provas documentais sobre isso), e elas doariam a troco de nada, de nenhum benefício nos contratos. Quem pensa assim é imbecil e mais idiota ainda é quem acha que alguém vai acatar essa tese desmiolada e cara de pau. É o mesmo cinismo usado na defesa do mensalão hehehe. Os políticos corruptos, flagrados novamente, querem negar a corrupção grosseira que todo mundo já viu existir.

        O que não tem a menor lógica é um fake fantasiado e envergonhado como você, que deve sair de algum lixo jornalístico de quinta categoria, tentar defender a estapafúrdia tese de que o que Lindberg Farias fez não comprova que ele sabia do esquema. Concluir a culpa dele é como somar dois mais dois.

        Direito não funciona da forma que você pensa, fantasiado idiota. Aprenda, qualquer juiz que se depare com isso vislumbrará o esquema de corrupção delatado por Paulo Roberto Costa, que falou a verdade e provavelmente vem falando a verdade em todos os seus depoimentos. Os indícios são muito fortes, as provas também (fatos já estão provados: ele foi à Petrobras e pediu a ajuda de Costa, que falou com construtoras que contratavam com a Petrobras). A análise probatória atende à persuasão racional do juiz. Se o juiz se convencer, já era. É o suficiente. Os fatos até aqui já comprovados são suficientes para concluir pelo crime. E se as comissões dos operadores forem comprovadas, como vislumbrou a PGR, aí é “tampa de caixão”. Vai passar uma temporada em algum presídio brasileiro.

        Todo o conjunto probatório até aqui existente aponta para o fato de que Lindberg Farias aceitou dinheiro de corrupção do esquema na Petrobras na sua campanha eleitoral para o senado em 2010 sabendo previamente que se tratava de dinheiro de corrupção. Isso é óbvio, patente, gritante.

  5. As declarações de Lindberg à Folha são confissões do esquema

    Estou convicto que Costa falou toda a verdade em sua delação e as declarações do senador Lindberg Farias à Folha de São Paulo, publicadas na data de hoje, 08/03/2015, são verdadeiras e inequívocas confissões de que o Petrolão repassou dinheiro para políticos como parte do esquema.

    Lindberg é praticamente réu confesso e comprometeu, com suas declarações, praticamente TODOS os acusados, à exceção daqueles que neguem terem entrado em contato com Costa (Renan e outros mais experimentados já fizeram o esperado: negaram qualquer pedido de dinheiro a Costa ou encontros com outros operadores com essa finalidade, desvinculando as doações a qualquer atuação de Costa ou outro operador do esquema, o que, caso não seja desmentido por provas que indiquem o contrário, quebra pela base a acusação, pois as doações não poderão ser consideradas ilícitas).

    Lindberg é tão neófito e amador que ele confessou que pediu ajuda para que Costa intermediasse as doações. Ou seja, ele pediu a um diretor da Petrobras que conseguisse, junto a construtoras que contratam com a Petrobras, doações milionárias para a campanha dele. Ele não viu nada de anormal nesse procedimento de Costa. Inacreditável.

    Praticamente réu confesso.

    • Não só o lunático…

      Quem escreveu o post (e como só aparece o nome do Nassif julgo que foi ele) também acha natural que políticos procurem diretores de estatais para conseguir doações de campanha junto às empreiteiras que prestam serviço a esta mesma estatal! E que ainda já tivesse embutido um toma lá dá cá pela grana obtida: uma secretaria de governo! Decepcionante…

    • Não entrando no mérito

      mas o Lindinho deveria ter falado com quem? Cumé que eu peço ajuda a empreiteira pra me financiar?

    • Sim amigo… mas você leu

      Sim amigo… mas você leu direitinho? a matéria da folha?

      Sim, ele pediu dinheiro… porém ficará a cargo das investigações se ele tinha consciencia se este $$ era de propina!

      _ Na minha opinião… fica difícil provar isso! O que eu acho curioso,… é que não tenha gravações, seja de qualquer tipo, video, audio etc. nestas negociações!

    • Acho que ele não leu ;…

      Amigo , quando tú vai num banco , como tú faz pra pedir um emprestimo ? Tú entrega uma carta ao guarda e pede pra ele jogar na mesa do gerente , quando este estiver distraído ? Ou liga , se dizendo ser outra pessoa e pede a grana ?
      Só há um jeito de um políitico pedir doação a uma empresa : falando com alguém que tenha acesso aos caras da grana .
      O Lindbergh vai se ferrar por estar sendo totalmente transparente e falando a verdade e talvez outros escapem por negarem .
      Não considero isso se confessar . Ele está dizendo o que aconteceu . Não negando. Talvez isso seja uma atenuante . A história dele é plausível , só não sei se é verdadeira. Cabe aos ministgro avaliar .
      Mas , quando vejo essa tentativa de sinceridade do Lindbergh e lembro da história do Aécio , afogado em Furnas (deve ter corrupção até no ESTÔMAGO DELE ) arté o gogó… tenho muita pena do cidadão que bate ponto todo dia , pra ganhar seu suado salarinho após 30 dias.

      Esse povo merecía um país melhor.

      • Li tudo, inclusive a petição que pediu a abertura do inquérito

        Quando eu comecei a escrever aqui, não sabia que Lindberg iria confirmar boa parte da delação de Paulo Roberto Costa. Ele confirmou que procurou Costa na Petrobras para que ele ajudasse a obter doações para a campanha dele ao senado em 2010. Um dos aspectos mais graves é que ele não viu nada demais no fato de Costa ter ido pedir dinheiro justamente às empresas que contratam com a Petrobras (!). Ou seja, ele usou, se beneficiou das ações de um diretor da Petrobras para obter dinheiro junto a empresas que contratavam com a Petrobras (!).

        E o pior de tudo: o diretor em questão é um corrupto confesso, que disse que essas doações faziam parte do esquema de corrupção. As construtoras doavam aos políticos que ele indicasse como meio de retribuir o fato ilegal de serem contratadas pela Petrobras em contratos bilionários fraudulentos e superfaturados, viciados pelo acerto prévio que sabotava a concorrência. Em outras palavras, de acordo com Costa, as doações eram nada mais, nada menos do que parte do pagamento das propinas.

        Lindberg se torna suspeito quando ele age dessa forma. Ele tinha a obrigação de saber que a sua atitude poderia estar contribuindo para o fato de que o diretor em questão pudesse ter aquele prestígio todo em razão de atos ilegais que favoreciam os doadores junto à Petrobras. Ele, no mínimo, negligenciou essa possibilidade e, no mínimo, de forma imprudente, pediu mesmo assim que Costa arrumasse dinheiro junto às construtoras para as campanhas dele.

        Na verdade, a hipótese maior é que ela tenha agido com dolo, isto é, ele sabia previamente de tudo isso e agiu decisivamente para consolidar o esquema de corrupção porque era beneficiário direto dele. Não existia motivo para ele procurar Costa do jeito que fez e imaginar que ele seria prontamente atendido, sem sequer ser conhecido de Costa, se não soubesse do esquema de corrupção. Ninguém, nenhum político, sem conhecer uma pessoa como Costa, vai achar que ele o ajudará apenas porque conhece as construtoras. A certeza em ser ajudado nasce justamente do conhecimento prévio de como funcionava todo o esquema.

  6. Do Tijolaço – por Fernando Brito

    Lindbergh, Costa e a política como ela é

    8 de março de 2015 | 07:47 Autor: Fernando Brito

    lind

    Não nutro pelo Senador Lindbergh Faria grande simpatia política. Aliás, nenhuma, porque sua trajetória saltitante entre partidos denota, para mim, uma pessoa individualista, incapaz de suportar contrariedades e as divergências que marcam a vida partidária. Não recomenda a ninguém uma trajetória com tantos “pês” como a dele.

    Não lhe dei meu voto, em outubro, mas dou-lhe crédito na entrevista que concede, hoje, ao repórter Bernardo de Melo Franco, na Folha, admitindo que pediu a Paulo Roberto Costa que o apresentasse a executivos de empreiteiras para obter recursos de campanha. E que, contato obtido, foi pedir contribuições eleitoral a eles.

    É assim que é feita a política no Brasil e nenhum candidato a senador com alguma chance de vitória deixa de pedir, pessoalmente ou por emissário “qualificado”, dinheiro a grandes empresas. Isso quando o grande empresário não “compra” pessoalmente a vaga de suplente, em troca de pagar os gastos milionários da candidatura.

    Procure saber quem é o empresário Joel Malucelli, primeiro suplente do “Catão dos Pinhais” Álvaro Dias e você verá como isso é assim.

    Essa é a “vida real” da política que se faz com as regras da “livre iniciativa” e cada vez mais, porque os partidos foram minguando frente ao poder econômico e a força promocional da mídia.

    Quem quiser raciocinar, se é que isto é possível, com o simplismo da hipocrisia, que o faça.

    Aqui se prefere a verdade.

    Fica evidente, pela leitura dos documentos que vieram à tona com a divulgação da chamada “lista de Janot” que Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef operavam dois tipos de fornecimento  de recursos a políticos, embora, claro, nem todas as menções que fazem devam ser vistas com as reservas que merecem o que falam criminosos.

    Os que recebiam propina vinculadas a negócios comandados por Paulo Roberto Costa na Petrobras e, neste caso, participavam do esquema de desvio de dinheiro de contratos e aqueles que, nos contatos com ele pediam que viabilizasse doações para suas campanhas eleitorais.

    Este segundo grupo, salvo para qualquer um que não seja descaradamente hipócrita, inclui – em relação não apenas a Paulo Roberto, mas a todos os que conseguem doações de campanha -, é obvio, quase todos os políticos do Brasil.

    Se eu, o meu ilustre leitor e a minha cara leitora fossemos candidatos a qualquer coisa, nos moldes em que são as campanhas com financiamento privado no Brasil, teríamos de pedir dinheiro a empresários – e a empresários com fôlego para doar.

    E, como não andamos com essa turma, vamos pedir a quem tem contato com eles e Paulo Roberto tinha.

    E Paulo Roberto – por si só, uma vez que ele não aponta estar sob o comando direto de ninguém, desde a queda e, depois, a morte de seu grande padrinho, José Janene – avaliava se o “gajo” lhe valeria a pena, pela importância, e providenciava para que empresas lhe fizessem doações legais de campanha.

    Não havia, portanto, vinculação direta entre o beneficiado e o esquema de negócios, senão a da falta de prudência em pedir a alguém na posição de Costa, embora eles, ou eu ou você não pudéssemos pedir à minha faxineira, ou ao simpático português da padaria ou àquele mecânico “gente boa” que dá jeito nas encrencas do meu carro.

    Porque é esta a realidade de um sistema eleitoral montado à base de doações privadas, que sobrevive graças ao beneplácito do Ministro Gilmar Mendes, procrastinador de sua proibição, e à defesa feroz que lhe faz a mídia, que não aceita o financiamento público – e, portanto, transparente – das campanhas.

    Agora, há o primeiro grupo, o dos achacadores

    Este, participando ou não, tinha conhecimento da origem irregular de recursos.

    E este grupo se caracteriza por extrair, de forma direta, dinheiro dos negócios firmados pela diretoria que Paulo Roberto Costa ocupava.

    É isso o que explica o magote de deputados do PP envolvidos na “lista”.

    Costa foi guindado à diretoria pelo partido e ao partido devolveu em negócios a indicação.

    Embora se diga “enojado”, embolsava pessoalmente parte deste dinheiro.

    Com o enfraquecimento do PP, Costa passou a depender do PMDB para manter-se no cargo e aí entram em campo Renan Calheiros e Eduardo Cunha, cujo faro para oportunidades é uma unanimidade.

    Tanto quanto é a sua ousadia, o que fica comprovado na riqueza de detalhes – talvez os mais explícitos de todos – sobre a forma, os meios e os negócios geradores de dinheiro.

    Mas estes são apenas os fatos reais e os fatos reais têm importância apenas relativa nas disputas político-midiáticas no Brasil.

    • A cara de pau dos “jornalistas” sem credibilidade

      “Se eu, o meu ilustre leitor e a minha cara leitora fossemos candidatos a qualquer coisa, nos moldes em que são as campanhas com financiamento privado no Brasil, teríamos de pedir dinheiro a empresários – e a empresários com fôlego para doar.

      E, como não andamos com essa turma, vamos pedir a quem tem contato com eles e Paulo Roberto tinha [NOTA MINHA: PELO VISTO, ERA O ÚNICO QUE TINHA HEHE].

      E Paulo Roberto – por si só [NOTA MINHA: O ESQUEMA DEIXA DE EXISTIR NESTE MOMENTO, PARA O JORNALISTA, POIS COSTA AGIA SOZINHO, NÃO HAVIA CARTEL NEM ACERTOS PRÉVIOS], uma vez que ele não aponta estar sob o comando direto de ninguém, desde a queda e, depois, a morte de seu grande padrinho, José Janene – avaliava se o “gajo” lhe valeria a pena, pela importância, e providenciava para que empresas [NOTA MINHA: QUE PAGAVAM PROPINA A PAULO ROBERTO COSTA] lhe fizessem doações legais de campanha.”

      Isso é uma jornalista sem credibildade e incompetente. Paulo Roberto Costa, em sua delação, não fala nada de político propineiro que lhe fosse pessoalmente importante (“gajo que lhe valeria a pena”) e sim que era orientado a pagar as propinas do fundo de corrupção, tendo uma certa autonomia para isso, mas sempre dentro do que fosse politicamente importante para a posição dele no esquema de corrupção (de acordo com ele, sofria muitas vezes pressão para fazer isso). Ele não usaria dinheiro da corrupção para financiar a oposição, por exemplo: os recursos eram limitados – 3% dos contratos, com 1% onde ele podia distribuir com autonomia –  e um político da base aliada participante do esquema poderia ficar sem dinheiro se ele usasse parte das propinas para ajudar os adversários políticos ou políticos fora do esquema.

      Tanto isso é verdade que Lindberg recebeu dinheiro e Costa nunca exigiu nada dele, não se sabendo dizer porque o “gajo” lhe valeria a pena a não ser pelo fato de ser do PT, o partido do Governo Federal, e ser interessante para ele obter a doação ilegal e, assim, fortalecer a sua posição de diretor da Petrobras, ganhando muito dinheiro com o esquema de corrupção.

      Não faz sentido nenhum que Costa pessoalmente se preocupasse em arrumar “doações legais” de campanha para Lindberg e o jornalista incompetente não diz ou não sabe dizer, em sua tese inventada,  por que o “gajo” em questão (Lindberg) “lhe valeria a pena”.

      Do jeito que o jornalista fala, Costa poderia arrumar doações legais milionárias de campanha provenientes de empresas que contratam com a Petrobras a qualquer momento e para qualquer político. Basta que ele avaliasse que o “gajo lhe valeria a pena”. E, claro, as construtoras não exigiriam nada em troca das doações milionárias, supostamente “legais”. Fariam tudo de bom grado e a fundo perdido, atendendo apenas e tão-somente ao pedido de Costa. Se, por algum “acidente de percurso”, Costa se comprometesse a favorecer as construtoras doadoras, isso, claro, não teria nada a ver com o político beneficiado pela “doação legal” rsrs. Costa se comprometeria, por sua conta e risco, talvez, quem sabe, sem ganhar nada (afinal, a construtora já desembolsou dinheiro quando doou), a arrumar contratos fraudulentos na Petrobras porque um dia fez o mero favor de obter uma “doação legal” para um candidato a senador. Se ele não agisse assim, a torneirinha das doações estaria fechada para ele.

      Tirando o fato de nada disso corresponder à delação de Costa (em nenhum momento ele fala que arrumou doações legais na época em que estava na diretoria de abstacimento), que disse que Lindberg recebeu dinheiro de corrupção em sua campanha, a tese do jornalista não goza da menor credibilidade.

      Ele simplesmente desconsidera que Costa foi pedir dinheiro para a campanha de Lindberg ao senado justamente às construtoras que comprovadamente pagavam propina a ele em troca de ganhar contratos viciados e superfaturados na Petrobras. Ou seja, a doação era justamente parte das vantagens indevidas que os participantes do esquema de corrupção auferiam para que as construtoras figurassem como contratadas pela Petrobras.

      No mínimo, Lindberg contribuía com isso quando pedia que Paulo Roberto Costa intermediasse as doações, isto é, ele cooperava com o esquema, por imprudência (culpa). Mas, na verdade, a conduta é dolosa, pois não existe justificativa para o pedido ter sido atendido de pronto se ele não fizesse parte do esquema, até porque, como o próprio jornalista fala acima, Lindberg era um desconhecido entre os empresários, não tinha nada que justificasse o investimento milionário que foi feito supostamente em troca de nada, apenas a boa vontade das construtoras com Lindinho hehe. Essa é a tese ridícula que eles querem fazer passar. Construtoras que contratavam com a Petrobras atenderam a um pedido de um diretor da Petrobras para investir na campanha ao senado de Lindberg sem que nada por trás disso tivesse sido acordado.

    • A PGR acha que os indícios são insuficientes

      A PGR peticionou ao ministro Teori Zavascki (petição 5258/2015) a instauração de inquérito que tem por alvo o Senador Lindbergh Farias. Deduz-se imediatamente dos termos do pedido que a PGR considerou que os indícios contra o Senador são insuficientes para a construção de libelo acusatório, pois pediu que o alvo seja investigado.

      A PGR, na petição, refere-se a um suposto cartel “formado, dentre outras,” por 16 (!) empresas, “as maiores construtoras brasileiras” (!), isto é, um cartel com mais de 16 empresas! Além destas, participariam “eventualmente” “das fraudes”, ou seja, do cartel, outras 6 empresas. No total, mais de 22 empresas, dentre elas, as principais empresas de construção do Brasil comporiam o cartel!

      Os números citados na petição relativos ao “cartel” depõem contra a tese de cartel da procuradoria. Não há cartel com 22 empresas, é empresa demais. Tal “cartel” envolveria praticamente todas as empresas do segmento de construção brasileiro. Qual seria, então, a vantagem de fazer parte desse cartel? Além disso, os preços contratados respeitam limites estabelecidos nacional e internacionalmente.

      Cartel visa a aumentar preço e eliminar concorrência, e os números da petição mostram que não havia eliminação de concorrência, pois praticamente todas as empresas de construção do país fariam parte dele. Além disto, a petição não apresenta indícios de que os preços praticados exorbitavam critérios de preço e nem diz onde tais indícios podem ser encontrados. Resumo da ópera: essa invencionice de “cartel” está muito mal invencionada.

      Suposição muito melhor é a de que altos executivos da Petrobras extorquiam empresas para que estas tivessem o direito de trabalhar para a companhia. Não se espante, muitas vezes, têm-se de pagar para poder trabalhar. A melhor suposição é que altos executivos da Petrobras cobravam propinas para que as empresas construtoras pudessem participar de licitações e concorrências. É possível mesmo que, mediante altíssimos valores, empresas vencessem certames fraudulentamente.

      Supor por supor, faz mais sentido acreditar que havia um esquema de extorsão nos altos postos da Petrobras do que nessa história fantasiosa, inverossímil e midiática de que todas as muitas empresas de um segmento da economia comporiam um cartel. A existência de esquema extorsão é suposição melhor também porque ocorre frequentemente. Há esquemas de extorsão semelhantes ao da Petrobras em empresas estatais, governo e empresas privadas (pergunte a um empresário da área de alimentos, por exemplo, se ele paga propina ao gerente do supermercado para ter seu produto em gôndola com mais visibilidade).

      A questão da existência, ou não, de cartel é importante, pois, a PGR sustenta suas demais ilações acusatórias partindo do pressuposto fantasioso de que haveria um cartel com todas as empresas do segmento de construção do Brasil.

      Descartando-se o pressuposto da existência de cartel, fica claro, diferentemente do que supõe a PGR e mais assente no bom senso, que as empresas, elas sim, eram cooptadas pelos empregados da Petrobras (e não agentes públicos como erroneamente afirma a PGR na petição – TST, Pleno, Proc E-RR 5564/82, Rel. Min. Marco Aurélio, DJU 22.08.86), ao invés das empresas os cooptarem. Havia um esquema de extorsão na Petrobras semelhante ao que costumava haver (ou ainda há?) nos diversos Detran pelo país afora. A PGR erra ao supor que as empresas cooptavam empregados da Petrobras como decorrência do erro anterior que ela cometeu de supor a existência de “cartel” adredemente formado envolvendo um segmento inteiro da economia.

      Outra curiosidade da petição é a condenação implícita da PGR ao provimento dos cargos de diretoria da Petrobras por pessoas indicadas por partido político. A PGR toma implicitamente esta prática como uma das causas antecedentes dos roubos. Ora, o governo é acionista controlador da companhia e tem o direito-dever de prover os cargos de direção da empresa. Ademais disto, o governo é de coalizão. Nada mais natural, portanto, que o provimento dos cargos seja feito pelo governo e de acordo com a composição das forças políticas que o sustentam. Ou a PGR acha que o governo deveria indicar pessoas à revelia dos partidos, à revelia dos que comandam o Executivo em nome do Povo? Não há indício algum de crime ou má-fé nessas indicações, como parece pensar a PGR. É incrível que em documento de tanta importância e repercussão se evidencie tamanha ignorância das práticas comezinhas da administração pública.

      Quanto ao senador Lindbergh Farias, fico com a interpretação das notícias dos fatos feita pelo jornalista Fernando Brito, merecedor de toda a credibilidade. Lindbergh deve ter sabido por outros políticos que Paulo Roberto Costa tinha acesso a empresas financiadoras de campanhas políticas e foi pedir a intermediação dele para conseguir financiamento para sua campanha, é óbvio. Além disto, os aportes à campanha foram declarados à Justiça Eleitoral satisfazendo os requisitos legais, tanto que a PGR os relaciona em detalhe a partir de documento da Justiça Eleitoral. De se mencionar que o financiamento privado de campanha é legal e que o governo do PT tomou a iniciativa de torná-lo exclusivamente público (e Lindbergh é senador pelo PT), iniciativa frustrada por Gilmar Mendes, que, numa ação ilegítima, impediu seguimento da iniciativa no Supremo, mesmo depois de ter sido aprovada pelo Pleno.

      Os ledores de pensamento alheio (as inferências infundadas que estes adivinhadores fazem  dizem mais deles do que dos caluniados), porém, acham que Lindbergh foi pessoalmente ao gabinete do ladrão confesso Paulo Roberto Costa sabendo que o dinheiro do financiamento era proveniente de roubo contra a Petrobras. Você acha que Lindbergh seria tão tolo? Um sujeito que milita na política há anos e que é senador da república? Você acha que Lindbergh cometeria um ilícito desse porte à luz do dia e sob as câmeras de vigilância da Petrobras? Quem defende essa tese como indício contra Lindbergh conta com a burrice de Lindbergh e daqueles que se inteiram da tese. Tal “indício” não passa de mais uma invencionice.

      Quero ver provar que Lindbergh sabia, quando visitou o ladrão confesso Paulo Roberto Costa, que os recursos que pediu ao ladrão para intermediar junto a empresas financiadores de campanha eram fruto de roubo. Quem acusa criminalmente tem de provar, indo além de pretensa leitura do pensamento alheio.

      A PGR, repetindo, não viu indícios suficientes para acusar o senador, por isto pediu ao STF que o senador seja investigado.  E olha que a PGR fez suposições acusatórias que vão na contramão dos fatos, práticas administrativas e do bom senso.  Mas há os que, indo além da PGR, PF e STF, já condenaram Lindbergh. Pois é, e o Direito, como é que fica?

  7. Criminalização de doações oficiais de campanha

    Janot transforma em crime o que Gilmar defende

     

    :

     

    Ao listar o modus operandi da suposta quadrilha descoberta na Operação Lava Jato, o procurador-geral da República criminalizou as doações legais de campanha; uma das formas de desvio de recursos, disse ele, “era a realização de doações ‘oficiais’, devidamente declaradas, pelas construtoras ou empresas coligadas, diretamente para os políticos ou para o diretório nacional ou estadual do partido respectivo, as quais, em verdade, consistiam em propinas pagas e disfarçadas do seu real propósito”, afirmou; ora, se doações legais agora são ilegais, não faz mais sentido que o ministro Gilmar Mendes mantenha engavetado o projeto, já aprovado pela maioria do STF, que elimina o financiamento privado à política; a menos que o Brasil queira acreditar na tese de que as doações legais ao PT e aliados são propina, enquanto a outros grupos de poder são apenas a expressão da cidadania corporativa

    9 de Março de 2015 às 06:37

    Brasília 247 – Nas petições relacionadas à Operação Lava Jato que apresentou ao Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral Rodrigo Janot listou quatro formas de desvios de recursos:

    a) A primeira forma – uma das mais comuns entre os políticos – consistia na entrega de valores em espécie, que era feita por meio de funcionários dos operadores, os quais faziam viagens em voos comerciais, com valores ocultos no corpo, ou em voos fretados.

    b) A segunda forma era a realização de transferências eletrônicas para empresas ou pessoas indicadas pelos destinatários ou, ainda, o pagamento de bens ou contas em nome dos beneficiários.

    c) A terceira forma ocorria por meio de transferências e depósitos em contas no exterior, em nome de empresas offshores de responsabilidade dos funcionários públicos ou de seus familiares.

    d) A quarta forma, adotada sobretudo em épocas de campanhas eleitorais, era a realização de doações “oficiais”, devidamente declaradas, pelas construtoras ou empresas coligadas, diretamente para os políticos ou para o diretório nacional ou estadual do partido respectivo, as quais, em verdade, consistiam em propinas pagas e disfarçadas do seu real propósito.

    No quarto ponto, portanto, ele criminalizou as doações legais de campanha. Assim, igualou personagens como o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que recebeu doações declaradas, com outros investigados, como os deputados do PP, acusados de receber pagamentos mensais do esquema comandado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, na Petrobras.

    Ao criminalizar as doações declaradas de campanha, Janot fez uma aposta de risco. Terá que convencer os ministros do STF que o que é legal, a partir de agora, passa a ser ilegal.

    Além disso, será preciso convencer também a sociedade de que apenas as doações ao PT e aliados são propina. As doações de empresas privadas, como fornecedores de Furnas, Cemig, Alstom e Siemens a candidatos do PSDB, por exemplo, apenas expressam a cidadania corporativa.

    Será que cola? Pode até ser, diante da pressão que será exercida por meios de comunicação engajados na derrubada do chamado ‘lulopetismo’.

    No entanto, se as doações privadas de campanha são crime, será forçoso cobrar do ministro Gilmar Mendes, do STF, a devolução do processo, aprovado por maioria do colegiado há quase um ano, que veda o financiamento privado à política.

    Gilmar, que defende as doações privadas, pediu vistas e, desde então, o caso não avança.

    Para criminalizar as doações legais ao PT e aliados e, ao mesmo tempo, manter a porteira aberta para o financiamento privado a outros partidos, será preciso fazer um grande exercício retórico, vendendo a tese de que empreiteiras doam ao PT como propina e ao PSDB (são sempre os mesmos doadores) por amor à causa.

     

  8. Mais didático e claro, impossivel

    Esse rapaz, Alessandre Argolo, resolveu morar nesse post? E entende de tudo, de A a Z.  Será que ele sabe explicar o que é “entropia”? Talvez lance um livrinho na coleção Primeiros Passos …  O Nassif matou a cobra, mostrou a cobra morta,  mas o comentarista enciclopedista, aprendiz de promotor coxinha, insiste na sua tese de acusação alucinada contra o Lindberg. Nassif, desenhe por favor.

    • Nassif, desenhe por

      Nassif, desenhe por favor.

       

      Maria Silva, impossível. Quer você queira ou não, o Argolo detonou cada um dos argumentos do Nassif.

  9. Quando o Oto(Lara Resende)

    Quando o Oto(Lara Resende) disse :” Mineiro só é solidário no câncer” não havia ainda a Lava a jato.

+ comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome