10 de junho de 2026

CNMP revoga decisão e libera MPF para atuar em investigação sobre operação letal no Rio

Conselheira que havia barrado a atuação do MPF reconsidera liminar; entidades de direitos humanos haviam criticado a restrição
Chacina no Rio de Janeiro - Foto de Tomaz Silva - Agência Brasil

▸CNMP suspende liminar que impedia MPF de investigar operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio, após pressão de entidades.

▸Decisão inicial do CNMP foi criticada por restringir cooperação entre instituições; reviravolta ocorreu após recurso do MPF.

▸Conselheira destaca esforço cooperativo entre MPF e MPRJ, suspendendo liminar para garantir diálogo interinstitucional.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) voltou atrás nesta quinta-feira (6) e suspendeu a liminar que impedia o Ministério Público Federal (MPF) de acompanhar as investigações sobre a operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, ação que deixou ao menos 121 mortos, a mais letal da história do país.

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A liminar havia sido concedida pela conselheira Fabiana Costa de Oliveira Barreto, promotora do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, após pedido do Ministério Público do Rio (MP-RJ) para barrar a atuação do MPF. A decisão inicial foi criticada por entidades da sociedade civil e de direitos humanos, que acusaram o CNMP de restringir a cooperação entre instituições.

A reviravolta ocorreu após recurso apresentado pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto, Julio José de Araujo Junior, do MPF. No pedido, ele argumentou que sua atuação não configurava interferência nas atribuições do MP-RJ, mas se relacionava ao cumprimento de decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o controle da letalidade policial, em especial no caso Favela Nova Brasília e na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas.

Segundo Araujo Junior, o procedimento instaurado pelo MPF tinha caráter administrativo e visava apenas acompanhar a execução de decisões judiciais e internacionais, “inexistindo qualquer ingerência sobre o MPRJ”. Ele afirmou que o ofício enviado ao governador Cláudio Castro (PL), solicitando informações sobre a Operação Contenção, deflagrada em 28 de outubro, seguiu o mesmo padrão de comunicações anteriores.

Ao reconsiderar sua decisão, a conselheira Fabiana Barreto destacou que há “tratativas em curso entre o MPF e o MPRJ” para coordenar as ações das duas instituições, que “indicam esforço cooperativo legítimo e recomendam prudência quanto à manutenção de restrições que possam interferir na construção de uma solução institucional consensual e coordenada” e justifica a suspensão da liminar anterior.

“Essa medida preserva o espaço de cooperação e diálogo interinstitucional, assegura o exercício legítimo das funções do Sistema PFDC e evita a consolidação de interpretações restritivas que possam comprometer o funcionamento coordenado dos ramos do Ministério Público brasileiro”, afirmou Barreto na decisão.

A promotora ressaltou que a suspensão não revoga o entendimento sobre a autonomia do MP-RJ, mas busca uma solução “prudencial e deferente ao processo de convergência institucional em curso”.

A mudança de posição ocorreu em meio à pressão de organizações de direitos humanos. No sábado (1º), a Comissão Arns publicou nota classificando como “preocupante” o afastamento da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão das investigações e a restrição à atuação da Defensoria Pública nas perícias.

Na quarta-feira (5), cerca de 20 entidades participaram de uma audiência com o ministro Alexandre de Moraes, relator da ADPF das Favelas no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o veto à atuação do MPF foi amplamente criticado.

A Operação Contenção, segundo o governo do Rio, teve como alvo o Comando Vermelho. Imagens divulgadas após a ação mostraram dezenas de corpos sendo levados por moradores à praça São Lucas, na Penha, gerando repercussão internacional e comparações com um cenário de “guerra civil”.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    7 de novembro de 2025 8:06 am

    Ibaneis louva as mortes dos favelados, só lamentando a morte de 4 dos massacradores.

    O Ibaneis é contra o crime organizado pelo seguinte motivo:

    “O crime organizado está tirando a tranquilidade da população e atrapalhando o crescimento do país. Faz com que os empresários internacionais deixem de investir por causa da insegurança. Está na hora de ter um momento de união entre o Governo Federal e os governos estaduais para que o crime organizado não tome ainda mais conta do que está acontecendo no nosso país”.

    O Brasil não pode ser dominado pelo crime… organizado, só pelo crime desorganizado.

    O que abre espaço para o crime, inclusive o crime organizado, são as desigualdades sociais, que não deixam oportunidades prás pessoas trabalharem e estudarem, não lhes deixando alternativa a não ser entrar para a vida de crimes. Mas isso esses Ratos da direita não lamentam.

  2. AMBAR

    7 de novembro de 2025 12:08 pm

    Numa circunstância como essa uma simples decisão judicial contrária ao acompanhamento das investigações tem o condao de deixar perecer uma enorme quantidade de provas, se não todas, que podem comprometer toda a apuração de responsabilidades nesse massacre. Quando as entidades entrelaçadas trabalham em conluio para o mal o direito passa apertado, quando consegue passar.

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