Coaf aponta movimentações bancárias suspeitas do ministro do Turismo

Relatório de Inteligência Financeira mostra giro de R$ 1,96 milhão em menos de um ano, incompatível com as atividades de Marcelo Álvaro Antônio

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Jornal GGN – O Banco do Brasil, onde o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, possui duas contas, registrou movimentações atípicas do cliente, totalizando R$ 1,96 milhão, entre fevereiro de 2018 e janeiro de 2019. Como manda a lei, a entidade bancária comunicou o fato suspeito para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão responsável por auxiliar o Estado no combate à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.

As informações são da Folha de S.Paulo, que teve acesso ao Relatório de Inteligência Financeira, com as análises do Coaf sobre as movimentações. O órgão identificou operações de saques e depósitos em dinheiro vivo que apresentaram “atipicidade em relação à atividade econômica do cliente ou incompatibilidade com a sua capacidade econômica-financeira”. As movimentações de recursos também foram consideradas “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou a ocupação profissional” de Marcelo Álvaro Antônio.

O Coaf encaminhou em abril o relatório à Procuradoria-Geral da República para auxiliar nas investigações. Pouco antes, em fevereiro, o Supremo Tribunal Federal decidiu que as investigações envolvendo o Ministro do Turismo devem ficar na primeira instância, pois se tratam de fatos que ocorreram antes de assumir a atual ocupação.

Ainda segundo a Folha, o documento sobre as investigações deve ser encaminhado nas próximas semanas para Minas Gerais, onde já existem inquéritos abertos no Ministério Público Federal e Estadual e na Polícia Federal sobre o esquema de candidaturas laranjas, movimentados pelo PSL mineiro quando Álvaro Antônio era presidente da sigla estadual.

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Em fevereiro, a Folha iniciou uma série de matérias revelando que o ministro organizou um esquema de candidatas laranjas em Minas Gerais durante as eleições passadas.

Entre os alvos de investigação da Polícia Federal está a casa e empresa de Reginaldo Donizete, irmão do ex-assessor de gabinete e coordenador de campanha de Marcelo Álvaro Antônio para reeleção a deputado estadual.

No dia 29 de abril, a PF cumpriu busca e aprensão na sede do PSL em Minas Gerais e em outros seis endereços no estado, no âmbito da operação Sufrágio Ostentação, com o objetivo de recolher materiais sobre o esquema do PSL mineiro. Entre os endereços atingidos estava a casa e empresa de Reginaldo Donizete.

No esquema relatado pela Folha, parte do dinheiro público liberado para os partidos investirem em campanhas foi direcionado por Álvaro Antônio para quatro candidatas do Vale do Aço e Curvelo. Uma parte considerável do que elas receberam foi encaminhada para empresas ligadas a assessores e ex-assessores do seu gabinete.

Outro ponto que chamou atenção, foi que essas candidatas receberam mais recursos para a campanha do que boa parte dos candidatos do PSL, mesmo assim tiveram votação irrisória e não foram eleitas.

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