Corregedoria do MPF arquiva apuração contra de Grandis

Da Folha

 
Pedido de cooperação jurídica da Suíça no caso Alstom ficou parado por quase 3 anos com Rodrigo de Grandis
 
Corregedor-geral deverá recomendar medidas para evitar novos atrasos em casos de pedidos estrangeiros
 
FLÁVIO FERREIRA
DE SÃO PAULO
 
A Corregedoria do Ministério Público Federal decidiu arquivar a investigação sobre o engavetamento de um pedido de cooperação jurídica da Suíça por quase três anos no gabinete do procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelo inquérito do caso Alstom.
 
O corregedor-geral da instituição, Hindemburgo Chateaubriand, afirmou que vai seguir o relatório da comissão formada para avaliar o caso e encerrará a apuração.
 
Hindemburgo disse que o relatório aponta que não houve falta funcional do procurador, e as autoridades da Suíça informaram que a demora de dois anos e oito meses para atender ao pedido não causou prejuízos à investigação conduzida naquele país.
 
A Corregedoria deverá recomendar medidas para evitar novos atrasos em requerimentos de colaboração jurídica de outros países, de acordo com Hindemburgo.
 
O caso ainda está sob apuração do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), órgão de controle externo da atividade de promotores e procuradores do país.

 
As investigações relativas ao procurador foram iniciadas após a Folha ter revelado em outubro que autoridades suíças informaram a colegas brasileiros que haviam desistido de contar com a ajuda de Grandis e arquivado apurações contra quatro suspeitos do caso Alstom.
 
Em fevereiro de 2011, o Ministério Público da Suíça pediu que a Procuradoria brasileira interrogasse suspeitos do inquérito, analisasse suas movimentações financeiras e fizesse buscas na casa de João Roberto Zaniboni, que foi diretor da estatal CPTM entre 1999 e 2003, nos governos de Mário Covas e Geraldo Alckmin, do PSDB.
 
Na ocasião, os suíços requisitaram os interrogatórios dos consultores Arthur Teixeira, Sérgio Teixeira e José Amaro Pinto Ramos.
 
Procurado pela reportagem em outubro de 2013, Grandis disse que seu gabinete cometeu uma “falha administrativa”: o pedido da Suíça havia sido arquivado numa pasta errada e por isso não teve andamento algum.
 
Depois, a Folha também informou que nos últimos anos o Ministério da Justiça havia cobrado pelo menos três vezes que Grandis respondesse à Suíça. O procurador também foi alertado verbalmente e via e-mail por promotores estaduais.
 
Após a publicação das reportagens, o Ministério Público e o CNMP abriram investigações sobre a conduta de Grandis. Em seguida, a Procuradoria-Geral da República anunciou que retomaria o pedido de diligências suíço.
 
Mantido no caso Alstom, Grandis denunciou à Justiça, em fevereiro, 12 pessoas por envolvimento no suposto esquema de pagamento de propinas pela multinacional francesa em contratos de venda de equipamentos para estatais paulistas de energia, em 1998.
 
Zaniboni e Arthur Teixeira já foram indiciados pela Polícia Federal sob a suspeita de corrupção em outro inquérito que apura a ação do cartel de trens que atuou em licitações de São Paulo entre 1998 e 2008. Eles negam a prática de crimes.
 
Grandis disse ontem que ainda não teve acesso ao relatório da Corregedoria e por isso não iria se manifestar.

26 comentários

  1. o corporativismo no Brasil e

    o corporativismo no Brasil e nauseante, medicos, policiais, deputados e membros do judiciario tem carta branca de seus pares,que preferem ter um bandido ao lado que defender a sociedade!

     

    nessas horas que dou razão a Stalin, uma depurado no sistema de tempos em tempos faz bem a sociedade!

  2. então…

    em nosso país, rico quase nunca é, sequer julgado, … quanto mais condenado. Por uma trágica coincidência, esse tipo de engano sempre acontece com os processos que julgam os poderosos,…  mas deve ser só uma coincidência…

     

    Judiciário, em todos os níveis, … o poder mais corrupto do Brasil .

     

    Coitado do nosso povo,…

  3. Nesse pais tucano tem imunidade para roubar

    Tucanos roubam no atacado e não acontece nada, as falcatruas são sempre na casa dos bilhões de reais(o escândalo da privataria ultrapassa 1 trilhão de reais) e não dá em nada, já os petistas estão na Papuda respondendo por crimes que não cometeram, João Paulo Cunha fez um empréstimo de 50 mil reais e gastou a grana em sua campanha mas tá no xilindró, que beleza ser tucano nesse pais, criei até um link para colecionar os tramquiques do MP e Judiciário nessa coisa de proteger tucanos, imagina se esses ratos “invisíveis” ganharem um dia a presidência desse pais, deve ser esse o segredo: Roubar no atacado e repartir a “res furtiva” entre os amigos do peito na mídia, judiiciário, MP…

    http://lexometro.blogspot.com.br/2014/04/coletanea-fiscalizacao.html

  4. O poder mais corrupto!

    O judiciário é o poder mais corrupto da república, e o menos vigiado… É o que possui menos camadas de proteção da sociedade… Enquanto isso acontecer, nunca seremos um país de primeira grandeza.

    Um abraço.

    • Pela Ordem!

      Antes dos atacadíssimos Legislativo e Executivo, concordo que os maiores desafios que o Brasil precisa equacionar hoje são a míRdia e o Justiciário.

      Ambos sem voto e sem controle.

      Pela ordem, dotô, pela ordem…

    • fico imaginando o que poderiam fazer contra todos…

      contra o poder dos nossos votos, caso tivessem alguma influência sobre os mandamentos do TSE

      tivessem? parece que sempre tiveram, hoje mais que nunca

  5. Já sabíamos o final!

    “….Hindemburgo disse que o relatório aponta que não houve falta funcional do procurador..”

    Concordo com o Zepellin flamegante. Realmente não houve “falta funcional”, a falta é de caráter mesmo.

  6. Não causou prejuizo?

    A demora de dois anos e oito meses não causou prejuizo ao andamento do processo…

    Que dizer de uma afirmação tão destituida de sentido. É assim como: dois e dois são cinco

    O judiciário, um poder tão bem instrumentado, podia no mínimo nos dar 10 vezes mais do que dá. É incrível.

  7. ah se fosse petista…alias,

    ah se fosse petista…alias, todo mundo sabe que no MP não entra pobre, nem preto e nem petista

  8. Engavetadores & Censores

    Nassif,

    não conseguir compartilhar sua matéria no Facebbok.

    Aparece esta mensagem:

    Esta mensagem contém conteúdo que foi bloqueado pelos nossos sistemas de segurança.

    Se você acha que está vendo isso por engano, avise-nos.

  9. Todo poder ao MP.

    Bem, eu tenho que reconhecer: Nunca uma entidade se aproveitou tanto da idiotia de uma parcela considerável da população.

    Temos agora um monstro que tem o PODER de investigar, mas não tem o DEVER de investigar, logo, escolhe a quem e o quê investigar.

    Se esta investigação estivesse atrasada em uma Delegacia qualquer, com certeza os responsáveis estariam cumprindo punição e respondendo criminalmente.

    E depois vêm alguns dizendo que Gurgel é um “ponto fora da curva”, ou que há jovens procuradores pelos direitos humanos, e bla, bla, bla…

    Bem, compra esta imagem quem quer, ou quem lucra com ela…

  10. Sempre o mesmo câncer das

    Sempre o mesmo câncer das CORREGEDORIAS : procurador investiga procurador , juiz investiga juiz , policial investiga policial , fiscal investiga fiscal  , etc , etc .

    Ou se criam instâncias independentes , sem vínculos corporativos com o investigado ,  para se investigar e aplicar as medidas correcionais a esses funcionarios públicos , ou , se for para continuar como está , onde o funcionário público é investigado por outros colegas de corporação , então é melhor que se acabe com essas porcarias de CORREGEDORIAS de mentirinha , porque o resultado é sempre esse dái que vocês acabaram de ver .

  11. O corregedor tem razão: não

    O corregedor tem razão: não houve falta funcional do procurador, ele cometer foi o crime de PREVARICAÇÃO.

    justiça e mp (tudo com letras minúsculas,  mesmo) são VERGONHA NACIONAL.

  12. Lógico que não “houve nada!”

    Nos queríamos é que tivesse havido!

    Se não de cara, pelo menos depois de 3 cobranças explícitas e formais da Justiça Suiça!

    Ou pelo menos uma punição administrativa, por displicência ou incompetência, se não por prevaricação ou má fé criminosa. E suas decorrentes punições. Pelo menos uma anotaçaozinha na pequenis carreira .

    Sem dúvida, a culpa é dos suiços que não interpelaram mais vezes!

    Ou da gaveta! Quiçá da pasta, com mania de se esconder!

    Ora!

     

  13. + comentários

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