Dino é escolha esperada e elogiada para marcar presença de Lula no STF, avaliam especialistas

O cientista político Leonardo Avritzer e o jurista Fernando Fernandes comentam a nomeação de Dino para cadeira no STF

Foto: José Cruz/Agência Brasil

A nomeação de Flávio Dino para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) seguiu as expectativas de atuação do presidente Lula, segundo especialistas consultados pelo GGN. Mesmo com um currículo elogiado pelos analistas, a escolha foi por um nome de “forte confiança” do presidente.

“O presidente tem um diagnóstico que o STF é um lugar onde ele precisa reforçar a sua presença – ainda que ele tenha, nesse momento, boas relações com o conjunto diverso de ministros – e ele escolheu um ministro do seu campo político e jurídico com forte confiança”, avaliou o cientista político Leonardo Avritzer.

Avritzer ressaltou que a escolha de Lula foi por um nome de vasto currículo jurídico, mas também do qual detém apoio: “a nomeação do ministro Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal parece seguir a mesma lógica que o presidente Lula utilizou para nomear Cristiano Zanin para o STF.”

Para jurista Fernando Fernandes, o currículo político e jurídico do atual ministro da Justiça será um ganho para a Corte. “Flávio Dino chega ao STF com um currículo inigualável. Jurista, foi juiz federal aprovado em primeiro lugar, assessorou o Ministro Nelson Jobim e galgou uma carreira pública ímpar, de deputado, governador a senador.”

Segundo Avritzer, apesar de as críticas estarem centradas, neste momento, na escolha de um homem, e não de uma mulher para a cadeira deixada por Rosa Weber, “isso não quer dizer que o presidente não esteja atento à agenda da diversidade”, mas que essa decisão “ficou subordinada à agenda da fidelidade e da afinidade com a agenda política do presidente”.

Ainda assim, o compromisso de Dino com a Justiça foi apontado por Fernandes como motivo para merecer a vaga. “Dino foi fundamental para abertura dos arquivos sonoros do regime militar de 1964, cujo voto Nelson Jobim proferiu na última sessão antes de se aposentar e hoje é objeto do projeto Voz Humana”, relembrou Fernandes. 

Certamente será um dos maiores nomes da história da Suprema Corte brasileira. Multidisciplinar, um sociólogo igual, só encontramos em Hermes Lima, Victor Nunes Leal que serão inspiração nos passos que seguirá”, concluiu.

Com supervisão de Patricia Faermann

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Carla Castanho

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