“É inevitável chegar ao Bolsonaro”, diz Kakay ao GGN

"Estamos vivendo um desnudamento de uma organização criminosa com uma prova material que é raríssima de ver", disse o advogado

O advogado criminalista Kakay. Foto: Reprodução/TVGGN

No bojo do processo que mira Jair Bolsonaro e aliados pela tentativa de golpe de Estado e outros crimes, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay, acredita que o cerco para o ex-presidente está se fechando e que é inevitável chegar a ele, tendo em vista o rumo de todas as frentes das investigações. Confira, abaixo, o programa completo exibido na TV GGN.

“O ministro Alexandre [de Moraes] disse que tudo vai acontecer, ‘os financiadores vão sair agora, depois nós chegaremos nos militares, depois no núcleo político e, claro, ele não falou no Bolsonaro e nem poderia falar, mas eu tenho plena convicção, pela experiência de 40 anos de advocacia, que é inevitável chegar no Bolsonaro, disse, em alusão ao documentário “A Democracia resiste”, da GloboNews. O GGN entrevistou a repórter Julia Dualibi, uma das diretoras da produção, junto com o jornalista Rafael Norton.

“Qual o próximo passo? Quase certamente será o grupo político. Eu tenho [contato com] pessoas que trabalham nos inquéritos e dizem ‘Kakay’, tem 18 nomes que aparecem, é só contar os que já tiveram contra eles algum tipo de ação, e tem outros que estão aparecendo. O General Mourão, que parecia estar de fora, parece que está querendo colocar o pé dentro dessa linha invisível, é um direito dele. Vamos fazer as investigações”, ilustra Kakay.

Para Kakay,  “estamos vivendo um desnudamento de uma organização criminosa com uma prova material que é raríssima de ver”. ”A materialidade, o número de provas, é algo incrível”, continua.

Agora resta saber se, na ação contra os políticos envolvidos na operação, estarão aqueles que incentivaram para atender aos desejos do grupo de Bolsonaro ‘stricto sensu‘ ou se o próprio ex-presidente já estará nela.

O jurista aproveita o gancho para reforçar o trabalho da Polícia Federal, que após poucas horas da apreensão da pepita de ouro na casa do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já tinha nas mãos um laudo de origem, o que contribuiu de forma eficiente para avançar nas investigações.

“Muito competente, tecnicamente é uma das melhores polícias do mundo, o que nós vamos ver agora é uma análise criteriosa. Imagina esse General Heleno, que é um arrogante, talvez o maior defensor do golpe naquela época, eles entraram [na casa de Heleno] e fizeram uma busca e apreensão. Imagina o que não vai aparecer lá”, diz.

Mesmo com a gravidade das provas da tentativa golpista, o jurista previa, no entanto, um primeiro desdobramento sobre o caso das joias e da vacina, frentes que estão em um patamar “extremamente avançado”.  

“Ou seja, a situação está se afunilando, eu acho que a de 8 de janeiro passou a ter prioridade, na minha visão de advogado, exatamente porque está dentro de um contexto que tem gente presa e sendo julgada”, avalia.

Articulação para impedir o processo

À luz das prisões preventivas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, apesar de Kakay se considerar um abolicionista e acreditar que a prisão deve vir em último caso, para ele o “grupo político pode estar se articulando para poder impedir o andamento desse processo”.

“Eu sou um abolicionista, acho que a prisão tem que se dar depois do trânsito em julgado, depois do julgamento, de averiguar todas as defesas, só que a gravidade do que foi feito, as pessoas têm que entender… Por exemplo, esse incrível vídeo que estava no computador do Mauro Cid, que foi apreendido lá atrás, é a maior prova de materialidade de diversos crimes, é algo incrível, o general [Augusto] Heleno já fez por merecer uma hipótese razoável de prisão preventiva.”

“A única coisa que ainda é questionável, eu sou advogado, tenho que ser coerente, é a questão da contemporaneidade. Foi uma tese que eu briguei muito com aquele projeto do [Sergio] Moro que felizmente nós derrotamos. Não se deve começar a investigação de fato, que ocorreu três, quatro, cinco anos atrás, só na contemporaneidade, e fazer a prisão agora. (…) Só que o contexto do que eu vi ontem, eu tenho uma preocupação enorme se esse grupo não está de alguma forma se articulando para poder impedir o andamento desse processo.”

O advogado explica a necessidade de se evitar a prisão em outros contextos, rememorando a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) de sua autoria, que culminou na liberdade de Lula. 

“Não deveríamos pensar em prisão neste momento. Lá em janeiro, quando Lula tomou posse, foi a vitória da democracia contra a barbárie. Se nós adotarmos os métodos da barbárie, eles serão vencidos, nós temos que dar a eles o devido processo legal, a presunção de inocência que veio de uma ADC que eu fui o primeiro a fazer e que redundou na liberdade do Lula. Foi o julgamento da ADC pelo Supremo que deu liberdade a Lula”, relembra.

O jurista Pedro Serrano, que também compôs o time de entrevistados pelo jornalista Luís Nassif, elencou algumas críticas nas investigações que miram Bolsonaro e aliados pela tentativa de golpe de Estado.

Segundo ele, a excessiva publicidade gerada a partir do vazamento de informações pode atrapalhar o andamento, “um vício da Lava Jato, que reproduz espetáculo”. Outro ponto negativo visto por ele foi a proibição de os advogados das partes se comunicarem, que fere os “direitos fundamentais dos investigados“.

Assista, abaixo, o programa completo exibido nesta sexta:

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Carla Castanho

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