4 de junho de 2026

Exército impediu ações contra bolsonaristas, diz relatório

Militares barraram ações que buscaram desmontar acampamento localizado no Quartel General do Exército, no Setor Militar Urbano
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A invasão de bolsonaristas a Brasília em 08 de janeiro contou com uma participação importante do próprio Exército, que evitou a realização de operações de segurança para desmobilizar os acampamentos que reuniam militantes pró-Bolsonaro.

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Tal informação fica clara na leitura do relatório elaborado por Ricardo Cappelli, interventor federal responsável pela segurança pública do Distrito Federal após a invasão.

Segundo o interventor, ocorreram ações para desmobilizar o acampamento existente na frente do QG do Exército em Brasília desde o final de 2022, mas que foram canceladas “por fatores alheios às forças de segurança do Distrito Federal”.

De acordo com Cappelli, algumas operações foram interrompidas em pleno andamento e com tropas de segurança pública no terreno “por orientação do Exército Brasileiro”.

Exército barrou ações contra acampamentos

O interventor inclusive listou uma série de iniciativas que foram tomadas pelo poder público contra o acampamento bolsonarista mantido à frente do Quartel General do Exército, mas que foram barradas pelos próprios militares:

 – Foi aberto um processo com ações integradas para coibir o comércio irregular no acampamento, mas a ação foi interrompida durante à tarde “devido às hostilidades de algumas representações do acampamento contra os fiscais”.

 – Uma reunião foi agendada para ocorrer no Comando Militar do Planalto em 07 de dezembro de 2022, para discutir como barrar o comércio irregular no local, e retirar as barracas que estivem desocupadas ou com materiais, para posteriormente retirar toda a infraestrutura.

“No dia 06/12/2022, no período da noite, o Comando Militar do Planalto informou à SSP que a operação estava cancelada. Nesse evento não foi produzido protocolo”, diz o documento.

 – Novamente, foi elaborado um protocolo de ações integradas para a realização de uma operação para inibir o comércio irregular no acampamento. A operação foi cancelada pelo Exército Brasileiro, alegando falta de segurança.

 – Em 08 de janeiro de 2023, por conta dos atos de vandalismo, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) tentou desmontar o acampamento no Setor Militar Urbano, mas a ação foi realizada no dia seguinte “a partir de uma ponderação do Exército Brasileiro”.

 A retirada compulsória do acampamento bolsonarista só ocorreu em 09 de janeiro de 2023, devido a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). “Os manifestantes que estavam no local foram presos e conduzidos à Polícia Federal para os procedimentos formais”, lembra o documento.

Setor Militar como abrigo bolsonarista

O interventor lembra que o acampamento mantido pelos bolsonaristas no Setor Militar Urbano “permitiu apoio logístico e local de concentração” aos golpistas vindos de outras partes do país.

O relatório final destaca que a estrutura montada no acampamento golpista – que incluía carro de som e refeições – desde o começo “foi elemento crucial para o desenvolvimento das ações de perturbação da ordem pública que culminaram nos atos do dia 08 de janeiro de 2023”.

Mesmo com todas as informações existentes em torno da movimentação bolsonarista, “o quantitativo de militares dispostos no terreno foi insuficiente para conter o acesso dos manifestantes”,

Sobre a ação para desocupar a Esplanada dos Ministérios, Cappelli ressalta a dificuldade para que a ordem fosse cumprida, “dando tempo necessário para que parte dos vândalos deixasse o ambiente e outros voltassem para o acampamento dentro do Setor Militar Urbano”.

“A linha seguiu avançando até chegar na entrada do Setor Militar Urbano, onde o Interventor Federal determinou que o comandante-geral da PMDF mobilizasse a tropa para efetuar as prisões no acampamento em frente ao QG do Exército, movimento que foi abortado pela intervenção do General Dutra, comandante militar do Planalto, que ponderou para que a ação acontecesse somente no dia seguinte pela manhã”, finaliza Cappelli.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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  1. ed.

    30 de janeiro de 2023 10:43 am

    Nunca é demais lembrar que as FFAA, que NÃO são um “poder”, são uma instituição de terceiro nível, abaixo dos 3 poderes constitucionais, todos civis e sob eles, de um ministério. Assim como qualquer força de segurança (ex.polícias) as FFAA, em QUALQUER situação, não são instituições de controle político ou estratégico, mas auxiliares tático-operacionais, sob o comando dos 3 poderes constitucionais. Seja na defesa da soberania nacional, onde quem DECIDE o que elas vão fazer são a Presidência e o Congresso (sempres cotejadas pelo Judiciário), seja na ordem interna (GLO, Defesa, Sítio, etc.), da mesmíssima forma. Neste caso (interno), servem como forças complementares às forças de segurança regulares (polícias, etc.). JAMAIS podem confundir atuar tática-operacionalmente na segurança (interna ou externa) com CONTROLE autônomo e/ou político em qualquer situação. Isto precisa estar IMPREGNADO na CONSCIÊNCIA MILITAR deste país: Assim como quando se chama a polícia para ações de segurança elas se mantém subordinadas, AS FFAA NÃO PODEM SE IMISCUIR EM POLÍTICA, prerrogativa CIVIL, MAS A ELA SERVIREM E OBEDECEREM, sob pena de infração DISCIPLINAR. É assim em qualquer país desenvolvido.

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