Jornal GGN – O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, atendeu a um pedido do PDT que entrou com uma liminar na Corte para que as mensagens apreendidas com os supostos hackers na Operação Spoofing não sejam destruídas.
Há uma semana, logo após a captura do grupo que teria invadido celulares de autoridades, o ministro da Justiça, Sérgio Moro disse que o material seria destruído. Segundo informações da Folha de S.Paulo, Moro comentou a decisão ao presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro João Otávio de Noronha, que também teve o celular invadido.
A fala de Moro causou preocupação em vários meios, e manifestações de juristas indicando que o ministro não tem poder de decidir sobre o descarte do material, mas sim a Justiça.
“É inacreditável! Em que Estado de Direito uma pessoa que está envolvida diretamente com os fatos investigados – sob suspeita de ter cometido crimes no exercício de suas funções como juiz – pode determinar a destruição de provas que podem comprovar os seus atos ilegais?!”, questionou o deputado federal Paulo Pimenta (PT).
Além de proibir o descarte das mensagens, Fux pede que o material seja repassado para o STF de forma sigilosa. A decisão do ministro é liminar (temporária) e ainda precisa ser referendada no plenário do Supremo.
“Há fundado receio de que a dissipação de provas possa frustrar a efetividade da prestação jurisdicional, em contrariedade a preceitos fundamentais da Constituição, como o Estado de Direito e a segurança jurídica. Em acréscimo, a formação do convencimento do Plenário desta Corte quanto à licitude dos meios para a obtenção desses elementos de prova exige a adequada valoração de todo o seu conjunto”, escreveu Fux.
“Somente após o exercício aprofundado da cognição pelo colegiado será eventualmente possível a inutilização da prova por decisão judicial”, prosseguiu.
No texto, Fux ordena “a preservação do material probatório já colhido no bojo da Operação Spoofing e eventuais procedimentos correlatos” enquanto o pedido do PDT não for julgado no Plenário da Corte, exigindo ainda “cópia do inteiro teor do inquérito relativo à referida operação, incluindo-se as provas acostadas, as já produzidas e todos os atos subsequentes que venham a ser praticados”.
In Fux we trust
O ministro Luiz Fux é citado em uma das mensagens divulgadas pela série de reportagens produzidas pelo The Intercept Brasil, algumas em parceria com outros jornais. O site de notícias coordenado por Glenn Greenwald, recebeu de uma fonte anônima mais de 3.000 páginas de conversas entre os procuradores da Lava Jato e o então juiz Sergio Moro, trocadas pelo aplicativo Telegram
Uma das reportagens mostra que Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, disse em um grupo no Telegram, para outros procuradores, que havia conversado com Fux.
“Fux disse para contarmos com ele para o que precisarmos, mais uma vez, só faltou como bom carioca chamar-me para ir a casa dele. Rss. Mas os sinais foram ótimos, falei da importância de nos protegermos como instituições, em especial no novo governo”. Em seguida, Deltan enviou a conversa que teve com o grupo de procuradores para Sérgio Moro, obtendo como resposta do então juiz: “Excelente, in Fux we trust”.
José Eberval Lima
1 de agosto de 2019 7:12 pmO supremo sabe que o teor das conversas hackeadas a fatos comprometedores e destrui-las não pegaria bem.
Ubiratan Rosa Passos
1 de agosto de 2019 8:12 pmMAS TENHO QUASE CERTEZA DE QUE ISSO É UM JOGO DE CENA. AS PROVAS, QUASE COM CERTEZA, SERÃO DESTRUÍDAS.
Anônimo
1 de agosto de 2019 9:50 pmPode ser que não haja absolutamente nada, nem de mais, nem de menos, nestas mensagens. Só que, com Sérgio Moro dizendo que as “destruiu”, ele passa a ter um campo formidável para praticar chantagem em quem praticamente ele quiser dos três Poderes.
Com a liminar, que não acredito que seja revogada no plenário do STF, o Ministro da Repressão perde essa arma.
Lúcio Vieira
1 de agosto de 2019 7:13 pmÉ triste quando gente que depende da mentira para permanecer vivo, cai no desespero.
Tem gente entrando na rede social da MÃE do Glenn Greenwald para proferir ofensa e perguntar se ela está mesmo com uma doença terminal.
Glenn tuitou: “Vou dedicar tudo o que tenho para garantir que esse sociopata que causou essa dor à minha mãe no último estágio de sua vida, pague o máximo possível nos tribunais. Eu nunca experimentei nada tão monstruoso em 15 anos de jornalismo do que esses cretinos que apoiam Bolsonaro.”
https://twitter.com/ggreenwald/status/1157026679275044865
Ivan de Union
1 de agosto de 2019 9:38 pmIsso te faz um MEIO-virgem, Fuxinho amor! Congrats…
Hélio
1 de agosto de 2019 9:42 pmEsse Fux in Trust é um cretino.
Agora ele vêm com esse migué.
Quer enganar quem peruquento?
jcordeiro
1 de agosto de 2019 11:25 pmNassif: não saquei essa do Cabelera. Será isso uma precaução? De quê, se o “In Fux we trust” remete a ele? Será que estão botando a raposa pra vigiar o galinheiro? Se assim for, a tacada é de primeiríssima — como a decisão de “destruição” partiria do Çupremu, não tem mais arrego… Os caras são tinhosos!
Rui Ribeiro
2 de agosto de 2019 8:51 amOs jatoeiros querem destruir as provas dos seus crimes bem como as provas dos crimes dos supostos Hackers.
Ora, crimes não podem ser destruídos, mas podem ser punidos.
Rui Ribeiro
2 de agosto de 2019 10:56 amFonte de dentro do sistema acabou de dizer que o objetivo do Fux é detonar o the Intercept.