21 de maio de 2026

Irmãos Brazão, Rivaldo Barbosa e mais dois se tornam réus pelo assassinato de Marielle, decide STF

Denúncia da PGR, delação de Ronnie Lessa, documentos e testemunhos serviram de prova para a denúncia contra os acusados
Crédito: Reprodução

A 1ª Turma do STF aceitou, por unanimidade, a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra os irmãos Brazão e o delegado Rivaldo Barbosa, que agora respondem pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Major Ronald e Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão mais conhecido como Peixe, também foram indiciados.

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A denúncia foi baseada na delação de Ronnie Lessa, ex-policial militar que confessou ser o autor dos assassinatos. Mas o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, afirmou ainda que, além da delação, há documentos e testemunhos que sustentam as acusações. 

“Não se permite a condenação com base só na colaboração premiada. Mas foi mais além a jurisprudência e a legislação, não permitindo o recebimento de denúncia só com base em colaboração premiada. A colaboração não é prova, é meio de obtenção de prova”, garantiu Moraes.

Além do relator, os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia, Flavio Dino e Cristiano Zanin acompanharam Moraes. 

Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCRE-RJ) e Chiquinho Brazão (sem partido), deputado federal foram denunciados pelos crimes de homicídio, já que teriam sido os mandantes da execução de Marielle, e organização criminosa. 

O ex-delegado da Polícia Civil Rivaldo Barbosa também responderá por homicídio, tendo em vista que auxiliou o planejamento do crime, além de atrapalhar as investigações.

Ronald Pereira, conhecido como “Major Ronald”, também foi denunciado por homicídio, enquanto Robson Calixto Fonseca, o Peixe, responderá por organização criminosa.

“O discurso acusatório permite de forma lógica a todos os denunciados a total compreensão das imputações contra eles formulados”, votou Alexandre de Moraes.

Denúncia

O subprocurador-geral da República, Luiz Augusto Santos Lima, apontou a relação entre milícias e políticos do município do Rio de Janeiro. 

“O peculiar modo de atuação das milícias fluminenses, com ocupação territorial permanente, favorece o modelo de negócios imobiliários dos irmãos Brazão […] Nos territórios controlados por milicianos, apenas candidatos apoiados por eles estão autorizados a exercer atos de campanha eleitoral. A contrapartida exigida pelos grupos criminosos é de que, uma vez eleitos, esses aliados defendam seus ilícitos interesses junto às instituições de Estado”, apontou.

Neste sentido, de acordo com as conclusões da PGR, Marielle se tornou a principal opositora dos interesses econômicos dos irmãos Brazão, assim como um símbolo de resistência aos negócios imobiliários controlados pela milícia.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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