21 de maio de 2026

Justiça absolve réus por incêndio no Ninho do Urubu

AFAVINU protesta contra decisão que absolveu os sete acusados pelo incêndio ocorrido no Flamengo que vitimou dez jovens atletas
Ninho do Urubu após incêndio - Reprodução Agência Brasil

Sete acusados pelo incêndio ocorrido em 8 de fevereiro de 2019, no centro de treinamento do Flamengo, o Ninho do Urubu, foram absolvidos por decisão da 36ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. A Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho dos Urubus (AFAVINU) protesta contra essa decisão e solta nota.

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A entidade afirma que tal decisão representa grave falha do sistema de justiça, pois ignora o papel pedagógico da lei na prevenção de tragédias e reforça o sentimento de impunidade. Os meninos dormiam em contêineres improvisados, sem alvará, com falhas elétricas e saídas bloqueadas, e a falta de responsabilização fragiliza a proteção à vida de menores em instituições esportivas.

A AFAVINU declara que continuará lutando por Justiça e pede que os tribunais revisem a sentença. Exige que órgãos públicos e fiscalizadores implementem auditorias e manutenções obrigatórias em alojamentos de atletas para evitar novas tragédias.

A nota também convoca a imprensa, os torcedores e a sociedade civil a se mobilizarem contra a negligência e a favor da segurança e da ética no esporte. Finaliza reafirmando que a memória dos dez jovens não será silenciada e que o verdadeiro amor ao futebol deve incluir responsabilidade, empatia e humanidade.

Leia a nota a seguir:

Nota de Protesto

Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu (AFAVINU)

A Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu (Afavinu), que congrega mães, pais, irmãos e demais familiares das dez vítimas fatais da tragédia ocorrida em 8 de fevereiro de 2019 no alojamento da base do Flamengo, manifesta seu profundo e irrevogável protesto diante da decisão proferida pela 36ª Vara Criminal da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, que absolveu em primeira instância todos os sete acusados no processo criminal resultante dessa tragédia.

Entendemos que o papel da Justiça não se limita à aplicação da lei em casos individuais, mas exerce uma função pedagógica essencial na prevenção de novos episódios semelhantes, no envio de mensagem clara à sociedade de que negligências de segurança, falhas na estrutura técnica e irresponsabilidades não serão toleradas — e não cumprir essa função configura, para nós, grave afronta à memória das vítimas e ao sentimento de toda a sociedade.

Relembremos que os jovens falecidos — adolescentes em formação, atletas da base — dormiam em contêineres improvisados, sem alvará adequado, com indícios de falha elétrica, grades de janelas que dificultavam a saída, entre outras condições de insegurança.

A absolvição dos acusados, sob o argumento de que não se conseguiu individualizar condutas técnicas ou provar nexo causal penalmente relevante, renova em nós o sentimento de impunidade e fragiliza o mecanismo de proteção à vida e à segurança dos menores em entidades esportivas, formativas ou assistenciais no país.

A AFAVINU seguirá em busca de Justiça e na esperança de que a decisão seja revista e assim reitera seu pedido de que o processo seja acompanhado com rigor pelos órgãos de recurso para que a sociedade receba a mensagem de que tais condutas não ficarão impunes.

Para que a morte destes adolescentes não seja em vão, seguiremos exigindo dos órgãos de fiscalização (municipal e estadual) e do poder público em geral — inclusive esporte, juventude e fiscalização de edificações — a implementação de medidas concretas para tornar obrigatórias auditorias frequentes e manutenção preventiva em alojamentos de atletas, jovens/menores em todos os clubes do País, de modo que tragédias irreparáveis, como a do Ninho do Urubu, não se repitam.

Reafirmamos que a memória dos jovens não será silenciada: os nomes deles, suas vidas interrompidas em circunstâncias evitáveis, exigem que continuemos vigilantes.

A decisão judicial, ao não reconhecer a responsabilização penal, representa uma falha grave do sistema de justiça em seu papel pedagógico — e como tal, reforça em nós o dever de mobilização civil para fortalecer os mecanismos de fiscalização, transparência e responsabilidade em espaços de formação de jovens.

Conclamamos a imprensa, entidades de defesa dos direitos humanos, movimentos esportivos e toda a sociedade a não permitir que essa decisão se transforme em precedente de que a segurança de crianças e adolescentes pode ser tratada com negligência criminosa. A vida dos nossos filhos tem um valor irreparável e em memória aos 10 garotos inocentes lutaremos, até o fim, por uma Justiça efetiva e capaz de inibir novos delitos com sentenças que protegem as vítimas e não os algozes.

Aos torcedores do Flamengo e a todos que amam o futebol e as crianças, a AFAVINU faz um apelo: que a paixão pelos clubes se traduza também em compromisso com a vida. Que o amor pelo esporte, que move milhões de corações, seja também amor pela segurança, pela ética e pela memória daqueles dez meninos que sonhavam em vestir, com orgulho, a camisa rubro-negra ou de outros mantos sagrados. O verdadeiro espírito esportivo exige empatia, responsabilidade e humanidade. Honrar esses valores é proteger as futuras gerações de atletas e garantir que o futebol continue sendo motivo de alegria — nunca de luto.

21 de outubro de 2025
Diretoria da Afavinu
(Associação dos Familiares de Vítimas do Incêndio do Ninho do Urubu)

Mais informações: (47) 99196-7503

Darlei Constantino Pisetta (pai do Bernardo, 14 anos, um dos garotos do Ninho)

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. AMBAR

    24 de outubro de 2025 10:20 am

    Quando a gente olha as fotos de todos os garotos mortos no incêndio compreende a importância que suas vidas de têm na sociedade. Nenhuma. As famílias não foram indenizadas, não receberam assistência ou satisfação de qualquer natureza. Se foram lesadas, que procurem seus direitos, como estão fazendo, e percebam que o clube “fez um favor” ao dar oportunidade para os garotos treinarem. Ah! e não adianta ficar indignado, onde o dinheiro manda o direito se cala.

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