Justiça pede explicações de gastos eleitorais não declarados pelo PSL em Minas

Ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio foi intimado a explicar gastos não declarados com recursos públicos do fundo partidário e do fundo eleitoral.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Jornal GGN – A Justiça Eleitoral pediu ao ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio para enviar explicações sobre gastos não declarados do PSL de Minas a uma candidata laranja, o prazo, segundo informações da Folha de S.Paulo, vence nesta quinta-feira (21).

Álvaro Antônio foi presidente da legenda em Minas Gerais durante a eleição de 2018 e está sendo investigado pelo Ministério Público do Estado e a área técnica do TRE-MG (Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais) sobre o esquema de candidaturas laranjas e gastos com campanha não declarados do partido (do fundo partidário e do fundo eleitoral).

O Tribunal afirma que o documento pedindo explicação de gastos faz parte de um procedimento padrão de análise de contas.

Segundo a Folha de S.Paulo, o ministro foi procurado e negou que tenha havido irregularidades afirmando que a legenda irá prestar os “esclarecimentos solicitados” em juízo porque não exerce mais o cargo de direção. Ele ainda disse ter “convicção” de que as informações serão dadas pelo partido.

No dia 7 de março, o procurador-regional eleitoral de Minas Gerais, Angelo Giardini de Oliveira, iniciou uma investigação para apurar os indícios de caixa dois na campanha do PSL mineiro.

O esquema, divulgado pela Folha desde 4 de fevereiro, aponta que o partido usou mulheres candidatas para desviar verbas públicas de campanha para empresas ligadas a assessores do gabinete de Marcelo Álvaro Antônio na Câmara, na época em que era deputado.

A Justiça Eleitoral pede explicações sobre o dinheiro público transferido para Zuleide Oliveira que, em entrevista à Folha, afirmou que foi chamada pessoalmente pelo ministro para ser laranja. Ainda, segundo a TRE-MG, o PSL não registrou transferência de alguns recursos e deixou de declarar o repasse para três das quatro candidatas que depois devolveram recursos para as empresas de assessores do ministro.

O esquema de candidaturas laranjas do PSL mineiro foi um dos argumentos para a exoneração de Gustavo Bebianno do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência. A respeito da situação de Álvaro Antônio, Bolsonaro comentou recentemente em um café com jornalistas que a demora nas investigações desgasta o governo, mas ainda não houve nenhuma manifestação pública que aponte para o desejo de exonerar o ministro do Turismo.

No caso de Bebianno, o filho do presidente e responsável pela comunicação de suas redes sociais, Carlos Bolsonaro, iniciou publicamente o rechaço do governo contra Bebianno até culminar na sua saída.

Entenda

Desde o início de fevereiro, a Folha vem publicando uma série de matérias sobre a prática de candidaturas laranjas de ex-candidatas do PSL, levando o Ministério Público de Minas iniciar investigações no estado.

Na eleição de 2018, Álvaro Antônio era presidente do PSL em Minas e o ex-ministro Gustavo Bebianno presidente nacional do partido. O escândalo levou à queda do segundo, e criou um movimento dentro do partido para Bolsonaro demitir o ministro do Turismo. Mas, por enquanto, o governo se mantém calado sobre Álvaro Antônio.

Na primeira reportagem sobre candidaturas laranjas, a Folha mostrou o caso de quatro candidatas do partido que receberam R$ 279 mil e tiveram votação irrisória. Cerca de R$ 80 mil do valor total foram depositados em contas de empresas ligadas a pessoas próximas ao ministro.

Mais tarde, a Folha mostrou o caso de uma quinta candidata exposta ao esquema. Em depoimento ao Ministério Público de Minas, realizado em dezembro, Cleuzenir Barbosa contou ter sido pressionada por dois assessores do ministro para devolver parte dos R$ 60 mil que recebeu de verba do PSL e afirmou que o Álvaro Antônio sabia de tudo. Hoje ela mora em Portugal por medo de retaliação.

Já em Pernambuco, a Folha mostrou que uma candidata recebeu R$ 400 mil de verba pública quatro dias antes da eleição. Praticamente todo o valor foi gasto em uma gráfica com endereço de fachada.

No início de março, o jornal voltou a divulgar o esquema revelando trechos de um depoimento que uma sexta ex-candidata do PSL em Minas fez ao Ministério Público. Zuleide Oliveira contou aos investigadores que foi convidada a concorrer no pleito pelo próprio ministro.

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