Ex-candidata do PSL desmente versão de ministro sobre candidaturas “laranjas”

Cleuzenir Barbosa, que se mudou para Portugal com medo de retaliação, entregou ao Ministério Público de Minas trocas de mensagens com assessor de Marcelo Álvaro Antonio

Reprodução: Folha de S.Paulo

Jornal GGN – Conversas trocadas entre Haissander de Paula, então assessor parlamentar do atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio (PSL), e a ex-candidata a deputada estadual pelo PSL em Minas, Cleuzenir Barbosa, compõem peças de investigações realizadas pela Polícia Federal e Ministério Público sobre um esquema de candidaturas laranjas realizado nas últimas eleições pelo partido que elegeu Jair Bolsonaro.

O tema veio à tona há duas semanas, a partir de uma série de reportagens publicadas pela Folha de S.Paulo. O ministro do Turismo nega irregularidades e diz que a distribuição do fundo partidário do PSL seguiu a lei. 

Nesta quarta-feira (20), o jornal publicou um dos trechos das conversas entre Cleuzenir e Haissander, que trabalhava na época como assessor do gabinete de Álvaro Antônio na Câmara dos Deputados.

“Preciso que você transfira 30 mil reais pra conta da Gráfica. O resto eu vou pagar do meu bolso. Nosso Deus sabe de todas as coisas, preciso que vc transfira a metade do valor pra conta da gráfica”, disse o assessor.

Cleuzenir, que se mudou para Portugal segundo ela, exclusivamente, por medo de retaliações, disse em depoimento ao Ministério Público de Minas Gerais que Haissander estava pressionando ela a transferir parte dos R$ 60 mil que havia recebido de verba pública do partido na campanha eleitoral. O valor deveria ser enviado para uma gráfica de um dos irmãos de outro assessor parlamentar do hoje ministro do Turismo, chamado Roberto Soares.

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Antes de ganhar o cargo para liderar a pasta do Turismo, Álvaro Antônio coordenou a campanha do PSL na região do Vale do Aço de Minas Gerais. O então deputado federal transferiu um total de R$ 279 mil para as contas de cinco candidatas no estado. Cleuzenir Barbosa recebeu R$ 60 mil; Lilian Bernardino R$ 65 mil, Milla Fernandes e Debora Gomes R$ 72 mil cada, e Naftali Tamar R$ 70 mil.

Com isso, as cinco mulheres entraram para a lista dos 20 candidatos a deputado estadual e federal que mais receberam recursos do PSL em todo o Brasil. Entretanto, todas receberam votações irrisórias e não foram eleitas. A mais bem votada foi Cleuzenir, com 2.097 votos, e a menos votada foi Lilian Bernardino, com 196.

Na época da campanha eleitoral, Gustavo Bebianno era o presidente da sigla e foi apontado pelo jornal como responsável por liberar os repasses. O caso aumentou a crise institucional dentro do governo, contribuindo para a sua demissão do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

Nos áudios vazados de conversas suas com o presidente, Bebianno se defendeu: “A prestação de contas que me competia foi aprovada com louvor. Agora, cada estado fez a sua chapa. Em nenhum partido, capitão, a nacional é responsável pelas chapas estaduais. O senhor sabe disso melhor do que eu”, disse. Leia também: Bebianno pretende juntar documentos sobre campanha de Bolsonaro

Pressão para governo demitir ministro

Apesar do ministro do Turismo ser apontado como responsável direto pela repartição das verbas de campanha do partido, o governo não fez nenhuma manifestação sobre possível afastamento dele do cargo.

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Pessoas próximas ao governo e que foram contra a demissão de Bebianno devem cobrar o mesmo tratamento para Álvaro Antonio. Mas, como também revelaram os áudios vazados, o verdadeiro motivo para a exoneração de Bebianno pode ter sido porque o ex-ministro agendou um encontro com o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet, desagradando Bolsonaro.

Voltando ao papel de Álvaro Antônio no controle do dinheiro da campanha eleitoral, as investigações do Ministério Público indicam que a candidatura de mulheres do PSL mineiro pode ter acontecido apenas para preencher a conta feminina de 30% das candidaturas e de verba eleitoral.

Após receber o dinheiro, as cinco candidatas eram chamadas a depositar o recurso em empresas de sócios, assessores ou parentes de ex-assessores do atual ministro do Turismo. Um dos que receberam depósitos das candidatas foi Mateus Von Rondon, ex-consultor do gabinete do deputado e agora assessor especial do ministro do Turismo, dono da Gráfica Mateus Von Rondon Martins Editora Grafica LTDA.

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11 comentários

  1. Farra com o dinheiro público. O Brasil é o maior produtor de laranjas do mundo. República Laranjeira ou Bananeira?

  2. Gente querendo ganhar na moleza, desviando dinheiro público, impressionante.
    Atos desse tipo, espalhados por todos os partidos e por todo o Brasil, corroem a base da política.
    Não entro na histeria bolsonarista e morista que faz da corrupção pretexto para regime fascista, mas a cultura miúda do desvio de dinheiro público é de amargar.
    A grande corrupção e o grande assalto, já sabemos, é institucionalizado, legalizado, e é dos bancos.

  3. Que historia eh essa mesmo de “eu pago a outra metade”???????
    Suponho, no meu pequeno entender, que ela incriminou ambos 1-ele e ela, e 2-o resto do laranjal inteiro!
    Uau!
    So no Brasil mesmo…

  4. Quem foi que aprovou as contas do Bebianno, COM LOUVOR? Isso merece uma investigação, pois deve ter TRETA atrás disso.

  5. Se levantar todas as campanhas tem laranjas.
    Os outros partidos estão bem quietinhos porque se alguém abrir a boca vai achar um pomar inteiro de laranjas.
    Sempre houve laranjas em todos os partidos.
    Que atire a primeira pedra quem não tem…

    • Então um laranjal justifica outro, né, Marcos Rotto?

      Que paisinho de gente ordinária. Porque eu não nasci na Lua, Minha Mãe?

  6. Bom dia a todos, infelizmente nosso País é caracterizado pela ganância dos políticos podres e descompromissados com o bem estar do povo,e o mais estarrecedor é que nem mesmo aqueles que lutam por uma política limpa e honesta,sofrem o revés,pois na maioria das vezes seus próprios partido está num mar de lama e acaba respingando naqueles que lutam por um Brasil melhor

    • Zé Carlos, infelizmente, um dos motivos de termos chegado a esse mar de lama em que estamos metido até ao nível do pescoço, é tomarmos a parte pelo todo, isto é, acharmos que o problema é apenas político, e não econômico. Ora, com tanta miséria, apesar da imensa quantidade de recursos naturais existentes, só pode resultar numa política permeada pela corrupção. Mas essa corrupção é consequencia da miséria, não a sua causa. Enquanto formos a oitava economia do mundo e pagarmos um dos mais baixos salários da história, a nossa Nação será uma pigméia moral.
      Sacou ou quer que eu desenhe?
      Prá não ficar só nessa empulhação, leia, por favor, o texto acessável no link abaixo disponibilizado:

      https://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/04/corrupcao-politica-e-bandeira-da.html

  7. Eu creio que existem 2 possibilidades para o desfecho de tudo isso: ou vai terminar tudo em pizza ou vai terminar tudo em laranjada. Concordam comigo?

  8. este é o resultado do fundo partidário com dinheiro do povo. Quer ser político, dá teu jeito, mas no brasil, tem que ter financiamento público! SOLUÇÃO? ACABAR COM FUNDO PARTIDÁRIO!

  9. + comentários

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