MPF do Rio chama de “organização criminosa” esquema envolvendo Flávio Bolsonaro e Queiroz

Segundo promotores, organização funcionava desde 2007 envolvendo dezenas de integrantes do gabinete do filho mais velho do presidente Bolsonaro

Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro. Imagem: reprodução

Jornal GGN – “Pelos elementos de provas colhidos já é possível vislumbrar indícios da existência de uma organização criminosa com alto grau de permanência e estabilidade, formada desde o ano de 2007 por dezenas de integrantes do gabinete do ex-deputado Flávio Bolsonaro com clara divisão de tarefas entre núcleos hierarquicamente compartimentados”, destaca documento do Ministério Público Federal do Rio, no pedido de quebra de sigilos bancário e fiscal de 86 pessoas e nove empresas, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e cinco ex-assessoras dele e do pai, o presidente Jair Bolsonaro. As informações são da Folha de S.Paulo, que teve acesso ao material do MPF.

O pedido da quebra de sigilo foi aceito pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. Os procuradores dizem que identificaram três núcleos que atuavam na organização criminosa: o primeiro trabalhava nomeando os assessores de gabinete, o segundo distribuía parte dos salários dos servidores e o último era formado por pessoas que aceitavam ser contratadas para trabalhar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), com o compromisso de entregar parte de suas remunerações.

As investigações partiram de relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O órgão que examina atividades suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de bens identificou movimentações atípicas na conta do ex-assessor e policial aposentado Fabrício Queiroz, quando trabalhava como chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em suas contas. Mais adiante, o órgão apontou que entre 2014 e 2017 o PM movimentou R$ 7 milhões.

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Outro fator que causou estranhamento foi o fato de o primogênito do presidente ter recebido 48 depósitos fracionados no valor de R$ 2 mil totalizando R$ 96 mil em um mês. Além disso, Fabrício Queiroz realizou um depósito de R$ 24 mil na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Em abril, Fabrício admitiu à Justiça que servidores fizeram transferências sistemáticas de parte dos salários para sua conta. O objetivo era usar esses recursos para contratar informalmente outros assessores, aumentando assim o número de pessoas trabalhando no gabinete de Flávio. Ainda, segundo Fabrício, como ele tinha autonomia nas contratações, o então deputado federal não tinha conhecimento da prática.

No documento mais recente, usado para pedir as quebras de sigilos bancários, os promotores acreditam que esse argumento é usado por Fabrício Queiroz para “desviar o foco da investigação que também recai sobre o ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro”.

“A materialidade dos crimes de peculato restou parcialmente incontroversa no presente feito diante da concordância da defesa técnica com o fato de os relatórios do Coaf demonstrarem que o investigado Fabrício Queiroz exigia de assessores do então deputado estadual Flávio Bolsonaro repasses de parte dos salários”, completam.

Em nota para a Folha de S.Paulo, a assessoria de Flávio Bolsonaro voltou a afirmar que o senador sofreu uma quebra irregular de seu sigilo bancário. Já o advogado de Queiroz, Paulo Klein rebateu a crítica do Ministério Público de que a defesa não conseguiu provar que o dinheiro recolhido pelo policial aposentado tinha como destino a contratação de assessores informais.

“O MP afirma que a defesa é frágil pois depois três meses não conseguiu comprovar suas alegações. O que dizer então do MP que depois de um ano e cinco meses não tem indícios mínimos de prática criminosa, tanto é assim que não existe denúncia até agora. Quem tem que provar que houve crime é a acusação e não a defesa fazer prova negativa”, destacou.

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O MPF chama atenção para o fato de Queiroz não ter apresentando uma lista com os nomes das pessoas que teriam sido contratadas como assessoras informais para trabalhar com Flávio.

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2 comentários

  1. cuidado com essa coragem inédita do mpf:
    transformação politica verdadeira não é a troca
    de bolsonaro por mourão e sim uma saída pelo
    menos pela centro-esquerda, com a manutenão,
    no minimo, do emprego e da inclusão social……..

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