Oposição ao governo relaciona massacre ao decreto de Bolsonaro

Parlamentares pró-armas também se manifestaram em solidariedade às famílias das vítimas. A ativista Carla Zambelli (PSL-SP) pediu um minuto de silêncio durante sessão solene na Câmara.

Reprodução TV Globo

Jornal GGN – Na manhã desta quarta-feira (13), um tiroteio praticado por dois ex-alunos deixou pelo menos 10 mortos e 23 feridos na Escola Estadual Professor Raul Brasil em Suzano, a 57 quilômetros de São Paulo.

Os dois jovens, identificados como Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, invadiram a escola encapuzados e se mataram após a ação.

Segundo a polícia Civil, os jovens portavam um revólver calibre 38, quatro Jet Loaders para recarregamento, uma besta e um arco e flecha tradicional. Também foram encontrados no local coquetéis molotov e artefatos semelhantes a explosivos em uma mochila. Além disso, um dos autores do crime tinha uma espécie de machado na cintura.

Em entrevista ao GGN, a coordenadora do Grupo de Pesquisa sobre Violência e Administração de Conflitos da UFSCar, membro da diretoria do IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), Jacqueline Sinhoretto destacou que a arma utilizada no massacre, calibre 38, é um modelo comum, que pode ser adquirida legalmente.

Deputados e senadores fazem oposição ao governo, se manifestaram ao longo do dia sobre o massacre pontuando o papel do governo Bolsonaro em alimentar esse tipo de crime a partir de discursos de ódio e pelo decreto de 15 de janeiro, que facilitou o porte de armas para a população em todo o país.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-SE), destacou: “Não duvido que apareça um lunático desses com o argumento de que ‘se as crianças estivessem armadas, isso tudo teria sido evitada'”, publicou em uma rede social.


O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) também se manifestou acrescentando que facilitar o acesso a armas de fogo “pode representar mais episódios” como o de Suzano.

O deputado Túlio Gadêlha (PDT-PE) também ponderou sobre as consequências trágicas do decreto de Bolsonaro. “Ainda existe quem defenda a ARMA como SOLUÇÃO para SEGURANÇA pública no Brasil”, completou.

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann também se manifestou concluindo que a tragédia decorre do incentivo da violência contida no decreto que facilita o acesso a armas de fogo.

Do lado dos políticos pró-armas, o senador Álvaro Dias (Podemo-PR) declarou solidariedade aos professores e familiares vítimas do massacre. “Uma tristeza ver que a violência continua matando inocentes”.


A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e ativista pró-armas pediu um minuto de silêncio às vítimas enquanto presidia uma sessão solene na Câmara dos Deputados.

O Ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez usou sua conta no Twitter para noticiar o massacre. “Meus sentimentos às famílias. Expresso meu repúdio a essa manifestação de violência. Acompanharei de perto a apuração dos fatos”. Até o momento o presidente Jair Bolsonaro não se posicionou, nem pelas redes sociais.


O governador de São Paulo, João Dória (PSDB), a favor da flexibilização do uso de armas, cancelou sua agenda e foi ao local para acompanhar os trabalhos de atendimento dos feridos.

Leia também: Especialistas temem que decreto sobre armas incentive tragédias como a de Suzano

E ainda: Controle de armas reduz homicídios, comprovam pesquisas

8 comentários

  1. A grande mírdia deve estar feliz como pinto no lixo com essa tragédia. 38 horas de programação ininterrupta em cima do assunto, entrevistando até o cachorro do vizinho do frentista do posto onde abastecia o tio dos atiradores. O excesso de exposição vai provocar novas tragédias como essa. Semelhante ao que se fez no caso Bobbit que teve imitadores por aqui. Se não der para por a culpa no Lula e no PT, ao menos vai servir para tirar da pauta as milícias dos milicianos. Os golpistas vão aproveitar para liberar as armas para a população com a desculpa que servirá de proteção.
    O Brasil sendo saqueado até o osso e o povo repercutindo a falsa pauta do plimplim.

  2. Resultado prático, e trágico…
    do uso das técnicas subliminares da propaganda de armas ou do incentivo à compra, porte e uso

    governo deveria saber que tais técnicas de todo e qualquer exame racional

    um perigo para qualquer país, exatamente a partir desse pondo, quando a influência passa do pessoal ao coletivo

  3. Mais do que o acesso a armas, o golpe que implantou o estado de exceção que vivemos agora, de bolsonaros a barbosões, estupradores de leis e decoros, passando por alexandres-de-morais, olavos-de-carvalho, os filhos do capitão, MBLs, Mamãe-faleis etc., só se concretizou baseado em violência. E de lá para cá, só tem feito aumentá-la. E isso sem falar em sheherazades, datenas, marcelos-rezendes e que-tais…

    As leis estão suspensas, vale o mais violento. E o pior: se reagir com violência, bem… esse é o campo dos golpistas.

    • Quando o General e, à época, Candidato à Presidência da República, Hamilton Mourão, disse que não achava, mas tinha certeza de que o autor do “atentado” ao Bolsonaro era do PT, ele igualmente afirmou com todas as letras:

      “Se querem usar a violência, os profissionais da violência somos nós”.

      Se esses Ratos são profissionais da violência, e não da segurança e da proteção, é melhor chamar o ladrão.

      Help, Chico Buarque!

  4. Há Burrominions alegando que a carnificina ocorrida em Suzano/SP não tem relação com a flexibilização da posse e porte de armas pelo desgoverno Bolsonaro, pois antes, quando vigorava o Estatuto do Desarmamento, ocorreu uma tragédia com mais vítimas numa escola em Realengo, no Rio de Janeiro.

    Bem. Se o raciocínio desses Burrominions for levado às suas últimas conseqüências, pode-se concluir que se a cocaína for liberada no Brasil e pessoas morrerem de overdose, essas mortes não terão relação de causa/efeito com a liberação do supracitado alcalóide, já que antes da liberação pessoas morriam de overdose.

    Burrominion pensa com a bunda, usando a cabeça apenas para separar as orelhas.

  5. esses lobos solitarios são produtos de uma sociedade competitiva e fragmentada que favorece a força e a imposição.

    Esses garotos com transtornos piscologicos se imaginam em um mundo apocaliptico onde a violencia é a unica forma de adquirir respeito.

    A sociedade do espetaculo é a cereja do bolo, uma vez que eles veem as mortes como “um show” onde finalmente eles podem ser “protagonistas’ do próprio destino.

  6. Qual é a diferença entre o Bolsonaro, a Desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal do Rio de Janeiro, e os Assassinos de Suzano?

    Quando a Marielle foi assassinada, a Desembargadora acima mencionada justificou o seu assassinato com as seguintes palavras:

    “A questão é que a tal Marielle não era apenas uma ‘lutadora’, ela estava engajada com bandidos! Foi eleita pelo Comando Vermelho (facção criminosa carioca) e descumpriu ‘compromissos’ assumidos com seus apoiadores. Ela, mais do que qualquer outra pessoa ‘longe da favela’ sabe como são cobradas as dívidas pelos grupos entre os quais ela transacionava. Até nós sabemos disso. A verdade é que jamais saberemos ao certo o que determinou a morte da vereadora, mas temos certeza de que seu comportamento, ditado por seu engajamento político, foi determinante para seu trágico fim. Qualquer outra coisa diversa é mimimi da esquerda tentando agregar valor a um cadáver tão comum quanto qualquer outro”.

    Por seu turno, o Bolsobosta disse:

    “Através do voto você não vai mudar nada nesse país, absolutamente nada. Só vai mudar, infelizmente, quando um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazer um trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil, começando pelo FHC. Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem. Em tudo quanto é guerra morrem inocentes”.

    A diferença entre os Assassinos de Suzano, o Bolsonaro e a Desembargadora Marília Castro Neves é que os Assassinos de Suzano não eram nem Presidente da República nem Desembargador.

    O Major Olimpio quer minimizar tragédias como as ocorridas ontem em Suzano, ele não quer evitá-las:

    “Se tivesse um cidadão armado dentro da escola, um professor, um servente, um policial aposentado lá, ele poderia ter minimizado o efeito da tragédia”.

    Se os Assassinos não tivessem acesso a armas, a tragédia seria evitada. Quanto mais armas, mais assassinatos.

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