12 de junho de 2026

Para Cid, todos os presentes de Bolsonaro eram personalíssimos

Ex-ajudante questionava, em conversas informais, se os presentes recebidos pelo presidente podiam ser vendidos.
Crédito: Lula Marques/ Agência Brasil

O ex-chefe do gabinete de documentação histórica (GADH) da Presidência da República, Marcelo da Silva Vieira, afirmou que Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) considerava que todos os presentes recebidos pelo ex-presidente eram personalíssimos e, portanto, pertenciam ao ex-chefe do Executivo.

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A relação entre Cid e o ex-chefe de gabinete era totalmente técnica e profissional, mas o tenente-coronel entrava em contato constantemente com Vieira para perguntar se o presente pertenceria ou não a Bolsonaro.

“Cid já chegava dizendo que aquilo era personalíssimo. E eu falava assim: ’pelo amor de Deus, isso não é personalíssimo”, lembrou Vieira.

O responsável pelo GADH afirmou ainda que que teve de explicar, reiteradamente, ao longo dos quadro anos de gestão do governo anterior, que os presentes pertenciam à União, mas que Cid parecia ter um entendimento próprio sobre a posse.

Venda

Vieira ressaltou ainda que Mauro Cid nunca perguntou, de forma direta, se os presentes recebidos por Bolsonaro podiam ser vendidos. No entanto, o ex-ajudante de ordens fazia os questionamentos em conversas informais.

A resposta do ex-chefe de gabinete era “é previsível a venda, desde que cumpra a legislação vigente”, uma vez que todos os bens do acervo presidencial podem ser vendidos, mas a União deve ter preferência de compra e autorizar a comercialização.

Cid também entrou em contato com Vieira após o término da gestão de Bolsonaro para tirar dúvidas sobre o caso das joias e chegou até a pedir que Vieira autorizasse a liberação dos itens retidos na Receita Federal.

O ex-chefe do GADH negou o pedido, porque o presente era destinado ao Estado brasileiro, não ao acervo privado do presidente.

Jair Renan

Vieira contou ainda que Jair Renan, filho do ex-presidente, se apropriou de alguns itens recebidos por Bolsonaro, como um boneco e uma camiseta camuflada.

Em geral, eram itens de pouco valor, que foram separadas em uma mesa e entregues a Jair Renan.

Só são considerados itens personalíssimos os objetos que o presidente pode usar enquanto estiver no cargo e puder carregar consigo ao fim do mandato. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), estes itens seriam de baixo valor de consumo, como roupas, alimentos e perfumes.

As declarações foram dadas em entrevista à GloboNews.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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