A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (29) a Operação Graco para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares no Acre. O principal alvo da ação é o deputado federal Eduardo Velloso (União Brasil-AC), segundo apuração da TV Globo.
Agentes da PF cumpriram 14 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços ligados ao parlamentar em Rio Branco, no Acre, e no apartamento funcional dele, em Brasília, além de outros alvos no Acre e no Distrito Federal. A operação conta com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).
As investigações apuram possíveis irregularidades na contratação de uma empresa responsável por realizar shows musicais financiados com recursos da Secretaria Municipal de Cultura de Sena Madureira (AC), em setembro de 2024. O montante sob suspeita é de aproximadamente R$ 912 mil, provenientes de emendas parlamentares de transferência especial, conhecidas como “emendas Pix”, modalidade que permite o repasse direto de recursos da União, sem exigência de prestação de contas prévia.
De acordo com a Polícia Federal, são investigados crimes como associação a organização criminosa, fraude em licitação, corrupção e lavagem de dinheiro, além de outros delitos conexos.
Em nota, Eduardo Velloso afirmou que a indicação das emendas foi feita de forma regular e dentro dos trâmites legais. Segundo o parlamentar, após a transferência dos recursos, a responsabilidade pela execução, contratação de serviços e fiscalização da aplicação do dinheiro público cabe exclusivamente à administração municipal. Ele disse ainda que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e que confia no esclarecimento dos fatos no curso das investigações.
Perfil
Eduardo Ovídio Borges de Velloso Vianna nasceu em 1976, em Rio Branco (AC), é médico oftalmologista e exerce atualmente o primeiro mandato como deputado federal pelo Acre. Ele foi eleito em 2022 com 16.786 votos e tomou posse em fevereiro de 2023 para a 57ª Legislatura (2023–2027).
Antes de chegar à Câmara dos Deputados, Velloso atuou na área médica e teve passagem pela política estadual. Em 2018, foi primeiro suplente do então candidato ao Senado Márcio Bittar (MDB) e, em 2022, chegou a assumir temporariamente uma cadeira no Senado durante período de licença do titular.
Dados da Câmara indicam que o parlamentar participa de comissões relacionadas principalmente às áreas de saúde, educação e desenvolvimento regional. Até o momento, não há registro de projetos de sua autoria transformados em lei.
O nome de Velloso também ficou ligado ao caso Maicline Borges, jovem que morreu em janeiro de 2019 após um acidente entre motos aquáticas no Rio Acre. À época, ele foi indiciado por homicídio culposo e lesão corporal, mas firmou um acordo de não persecução penal, encerrando a ação criminal. Na esfera cível, o Tribunal de Justiça do Acre determinou o aumento do valor da indenização a ser paga à família da vítima.
A Polícia Federal informou que as investigações da Operação Graco continuam em andamento.
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