A Polícia Federal (PF) enviou um relatório em que aponta omissões e contradições no depoimento do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, concedido nesta terça-feira (19), e pediu a anulação de acordo ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por descumprimento de cláusulas.
Alexandre de Moraes pediu o posicionamento da Procuradoria-geral da República (PGR), antes de decidir se os benefícios concedidos a Cid serão cancelados ou não. Se acatar ao pedido da PF, Cid deve ser preso novamente.
Para fazer revelações e colaborar com as investigações, Cid aceitou um acordo que envolve a redução de pena e a possibilidade de responder aos processos em casa. Além da colaboração, ele deve usar tornozeleira eletrônica e não pode ter contato com outros investigados.
Nesta terça, Cid prestou um novo depoimento, em que negou ter conhecimento do plano de golpe de Estado previsto para dezembro de 2022, em que os alvos seriam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin, vice-presidente eleito, e Alexandre de Moraes.
Ainda que o ex-ajudante de ordens negue envolvimento, a investigação da PF aponta que Cid e o general Mario Fernandes trocaram mensagens com teor golpista. Consequentemente, os investigadores não ficaram satisfeitos com a delação, que pode ser cancelada.
O depoimento durou quase três horas e terminou por volta das 18h.
Cid foi preso em maio de 2023, em operação que investiga a falsificação de cartões de vacina de Bolsonaro, parentes e assessores.
Seis meses depois, ele fechou um acordo de delação premiada, homologado por Alexandre de Moraes, para deixar a prisão.
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