Os advogados do Paraná “privilegiados” pela indústria da delação

Foto: Bruno Covello/Gazeta do Povo
 
 
Jornal GGN – Após GGN e DCM lançarem, juntos, uma série especial financiada coletivamente sobre a indústria da delação premiada, é a vez de Folha de S. Paulo publicar reportagens sobre como o instituto usado a rodo pelos procuradores de Curitiba e o juiz Sergio Moro alterou o Direito Penal. Nesta segunda (20), o jornal abordou em texto o time dos advogados do Paraná que foram “privilegiados” nas negociações com o Ministério Público Federal.
 
Folha começou a reportagem explicando que a ascensão desses advogados do Paraná – entre eles, Marlus Arns, Adriado Bretas, Figueiredo Basto – está diretamente associada à “falta de espaço” que os procuradores de Curitiba impuseram a “escritórios consagrados, focados em busca de nulidades processuais, como a que derrubou operações como a Castelo de Areia”.
 
Não é nada incomum encontrar nos acordos de delação cláusulas que obrigam os investigados a abrir mão de recursos e questionar na Justiça os abusos e violações legais detectados no decorrer dos processos.
 
Só o escritório de Antonio Figueiredo Basto fez a delação de 4 réus em ações penais da Operação Lava Jato já sentenciadas pelo juiz Sergio Moro, de Curitiba. Seu cliente mais famoso é o doleiro Alberto Youssef, antes defendido por Antonio Cláudio de Almeida Castro, o Kakay.
 
Kakay disse à Folha que, em Curitiba, “há advogados com privilégios por ter relações especiais com procuradores”. “Eu não, virei persona non grata porque sou crítico.”
 
Figueiredo Basto atua em parceria com o escritório dos sócios Adriano Bretas e Tracy Reinaldet.
 
Bretas, por sua vez, disse ao jornal que está envolvido na operação “desde o primeiro dia” e justificou seu sucesso da seguinte maneira: “Os advogados de modo geral são muito refratários a fazer acordo de colaboração premiada. Por conta dessa resistência dos colegas, poucos escritórios adeririam e, devido à escassez, a gente acabou sendo muito procurado.”
 
Arns, por outro lado, apenas afirmou que nos últimos anos vem direcionando seus clientes a evitar delações: “A delação é um caminho para encurtar a investigação, mas está sendo usada para não se ter o trabalho de investigar”, criticou.
 
O sucesso dos escritórios paranaenses ainda abriu uma subcategoria na indústria da delação: “em São Paulo, o advogado Adib Abdouni revisa processos de delatores que estão insatisfeitos com seus acordos. Aos clientes, ele propõe acionar a Justiça para conseguir melhores benefícios – mas ainda não houve decisão neste sentido.”
 
Por enquanto, Lava Jato de Curitiba já fechou 158 acordos de delação, diz a Folha.
 
Na última reportagem da série, o GGN e o DCM mostraram que o escritório que fez, por baixo dos panos, o acordo relâmpago do marqueteiro João Santana e sua esposa, Mônica Moura, têm parentesco com um dos procuradores de Curitiba. Leia mais aqui e ainda confira os links para as demais matérias especiais.

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11 comentários

  1. Advogados do Paraná

    O tal do Marlus Arns é sobrinho do Flavio Arns,que “coincidentemente” trabalha com a Rosangela Moro,esposa do juiz único do Brasil,na Apae.É tudo mera coincidência.Nada de corporativismo.

  2. Fiquei Confuso

    Não é natural este progresso dos profissionais de Curitiba?

    Ms isto não é só consequência da corte responsável ser em Curitiba?

     

    Senão vejamos 

     

    Se você deseja ter sucesso em uma ação no STF, você não contrataria um profissional acostumado com o trânsito de Brasília?

     

    E não é assim sucessivamente?

     

    Me parece que até a OAB incentiva este tipo de relação e intercâmbio entre os advogados das regionais através dos advogados que trabalham por correspondente de um colega fora daquela região ou corte 

     

    Será que eu não entendi o que a folha e este post tentaram contar?

    • Sá’oquié?

      É que esses advogados negociam com os amigos do rei.

      Adianta  ser um advogado competente se não é amigo, parente, amante, marido ou mulher do Moro, Dallagnol e  seus asseclas?

      Existe a notável diferença entre ter competência e ter trânsito.

      Sucesso apenas se tiver os dois.

  3. as diferentes faces de um mesmo conflito…

    da forma que foi usada na lava jato, futuramente será possível encarar a delação como sendo nada mais que um xaveco furado, uma ferrramenta política ou simplesmente uma patifaria

     

    • Já é

      Patifaria já é!

      Aliás, antes de Iscariotes delação já era patifaria, traição, ato asqueroso!

  4. Os advogados do Paraná “privilegiados” pela indústria da delação

    A tampa do lixo começa a se mexer.

    Tantos e notórios atropelos ao marco legal foram cometidos no assanhamento, diria o GM, que já não dá mais para segurar . . . 

    Explode coração ou melhor, explode lixão.

    No STF já se nota insatisfação com a patacoada, mesmo sem as frases de tia Carminha.

    Algo tipo – tu és pó e ao pó retornarás.  

    Pó ? Aécio ? Não, nada a ver.

    Quem sabe Rui Barbosa ?

    De tanto ver as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.

     

  5. Os advogados do Paraná “privilegiados” pela indústria da delação

    A tampa do lixo começa a se mexer.

    Tantos e notórios atropelos ao marco legal foram cometidos no assanhamento, diria o GM, que já não dá mais para segurar . . . 

    Explode coração ou melhor, explode lixão.

    No STF já se nota insatisfação com a patacoada, mesmo sem as frases de tia Carminha.

    Algo tipo – tu és pó e ao pó retornarás.  

    Pó ? Aécio ? Não, nada a ver.

    Quem sabe Rui Barbosa ?

    De tanto ver as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.

     

  6. Uma prática assustadora

    Acordo em que o acusado abre mão de recursos à Justiça?

    “Não é nada incomum encontrar nos acordos de delação cláusulas que obrigam os investigados a abrir mão de recursos e questionar na Justiça os abusos e violações legais detectados no decorrer dos processos.”

    Nulidade plena.

    O direito à justiça é indisponível, isto é, não admite a negociação das partes. Não é da vontade do particular ou dos órgãos do Estado o direito à justiça.Ele decorre da obrigação constitucional  do Estado de tutelar a distribuição da justiça e abrange a todos indistintamente.

    Seria no mínimo espantoso que alguém formado em direito desse como correta a proposta de um acordo judicial onde um acusado de algum  crime  tivesse que abrir mão de seu próprio direito de questionar na justiça eventuais abusos e violações no decorrer dos processos.

    Inauguraremos o Novo Direito Processual Surreal?

  7. Hj é um dia feliz para mim
    Hj é um dia feliz para mim pois sou “ggnista”,este site está fazendo história e agora influenciando a velha mídia, incrível, parabéns pela percepção disso e pro título bastante adequado!

  8. A panelinha da lava-jato

    A lavajato e os advogados dos criminosos premiados constituem a tampa e a panela, muito embora as calças nada tenham a ver com o c* e vice-versa. Tacla Duran que o diga e fuja dos jateiros como o diabo foge da cruz, a fim de que não venha a cavalgar a crista das ondas de sucídio que percorrem o sub-mundo da elite financeira, que distribui as migalhas do seu banquete para o setor golpista midiático-parlamentar-judicial.

  9. + comentários

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